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Falta de mobilização compromete feira livre


Por Tribuna

27/06/2012 às 20h31

Nesta quarta (27), a audiência para discutir tema ficou vazia

Nesta quarta (27), a audiência para discutir tema ficou vazia

As feiras livres de Juiz de Fora têm na falta de mobilização dos feirantes um dos principais obstáculos para seu desenvolvimento. Sem participação da categoria, a Associação Profissional dos Feirantes foi extinta, e a Secretaria de Abastecimento e Agropecuária (SAA) cancelou cursos de capacitação do setor, após registrar público zero. Outros dois treinamentos foram feitos pela pasta com menos de dez pessoas presentes. A situação se repetiu na quarta-feira (27) durante audiência pública, na Câmara Municipal, para discutir o tema. A cidade tem 14 feiras, que somam 257 feirantes, garantem em torno de mil empregos, entre diretos e indiretos, e atendem cerca de 15 mil pessoas, conforme dados da SAA. Diante da ausência de representação, porém, as feiras continuam com problemas que atingem profissionais e consumidores.

"Recebemos diferentes reclamações dos feirantes quanto à falta de infraestrutura. Agora há dúvidas sobre a possibilidade de transposição da feira da Avenida Brasil por conta das obras viárias. Já os consumidores questionam, sobretudo, a atuação nos bairros, com relação à frequência dos profissionais, à qualidade dos produtos e aos preços que, diante da queda da concorrência, acabam se tornando mais altos", explica o vereador e proponente da audiência Wanderson Castelar (PT). Ele lamentou a presença reduzida dos feirantes no plenário. "É uma pena que não haja tradição de organização. Estamos aqui para discutir melhorias para a atividade que tem caráter econômico, social e cultural."

Ex-secretária da Associação Profissional dos Feirantes, Aparecida Gisele Ventura conta que a feira representa a principal fonte de renda da família. "Trabalho com minha mãe e meu marido aos sábados, em São Pedro, e domingos, na Avenida Brasil. É uma atividade rentável que cobriu o salário que recebia." Para ela, a desunião da categoria atrapalha a possibilidade de implantações de melhorias. "As pessoas não se mobilizam pelo setor porque não têm disponibilidade ou não se interessam. Enquanto pensarmos assim, não será possível evoluir."

Representante dos feirantes na audiência, o comerciante Adão Luís Quirino ressalta a falta de visão administrativa como empecilho. "Também é preciso unir o poder público para nos dar apoio" Dentre os principais problemas, ele destaca a ausência de banheiros que possibilitem higienização da mãos, policiamento e estacionamento.

Medidas

A Prefeitura entregará lonas para todos os feirantes da cidade na próxima terça-feira, às 15h, no Mariano Hall. O material é uma antiga reivindicação da categoria. O subsecretário de Obras, Renato Dantas, destacou que a construção do viaduto no Mariano Procópio não irá interferir nas feiras que acontecem próximo ao bairro e convidou vereadores e representantes dos feirantes a estudar propostas para atender às reivindicações do setor.