Ovo de chocolate é mais caro que peixe


Por Fabíola Costa

27/03/2013 às 06h00

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Nesta Páscoa, o preço médio do ovo de chocolate número 15, um dos mais procurados pelos juiz-foranos, é de R$ 22,51 na cidade. O valor refere-se à média de custo dos 33 produtos do tipo listados na pesquisa Disque-Páscoa, da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), divulgada nesta terça-feira (26). Na relação de 80 produtos analisados pela SAA, o mais barato é o Ovo Garoto de 50 gramas, vendido, em média, a R$ 4,59. O mais caro é o Laka número 23, com 750 gramas e preço médio de R$ 60,90.

A diretora do Movimento das Donas de Casa e Consumidores (MDC) de Minas Gerais, Darcy Mattos, destaca a importância da pesquisa de preços, para evitar rombo no orçamento doméstico nesta época do ano. Se comprar chocolate é inevitável, ela recomenda a escolha pelos tabletes, mais baratos. Conforme pesquisa do MDC, o valor médio da barra de 150 gramas é de R$ 4,45. Já a de 170 gramas sai a R$ 4,70. Considerando o preço médio do ovo número 15, seria possível comprar cinco barras de 150 gramas de chocolate (ver quadro). Na troca, seria possível levar 750 gramas de chocolate em barra para casa contra o ovo, que possui entre 170 e 350 gramas, de acordo com a marca. "O ovo de chocolate é um símbolo, mas não é preciso exagero", alerta Darcy.

Para o coordenador de pesquisas da SAA, Júlio Alvarenga, é recomendado evitar o consumismo, fazer as contas e ter cautela antes de encher as sacolas. Alvarenga explica que, embora o preço médio do ovo de chocolate esteja "absurdo", como avalia, o preço do cacau está em queda, em torno de 3%. "Como uma pessoa vai deixar de comprar quase dez quilos de arroz e dois quilos de carne para comprar um chocolate?", questiona.

Conforme o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), os brindes cada vez mais sofisticados, como bonecas, canecas, brinquedos e lanternas, custam caro ao consumidor. Em 2011, o instituto analisou 12 ovos de seis marcas e constatou que o cliente pagava 42% a mais pelos brindes. A diferença foi mais expressiva na comparação feita entre uma barra de chocolate de 170 gramas e um ovo com brinde de 180 gramas. A constatação foi que 100 gramas desse ovo custaram três vezes e meia a mais do que a mesma quantidade do chocolate ao leite em tablete.

Já a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) adverte que os fabricantes não adotam uma numeração padrão para os ovos de Páscoa. Por esta razão, ovos de um mesmo número podem ter pesos diferentes. A recomendação é conferir o peso líquido na etiqueta. Conforme a entidade, os preços dos ovos de Páscoa e dos chocolates em formato de coelho são mais elevados em relação a caixas de bombom e barras de chocolate. A avaliação é que a caixa de bombom chega a ser 84% mais barata do que os ovos número 15. No caso do tablete, a diferença pode chegar a 77%.

 

Comparação

A Tribuna comparou o preço médio do ovo número 15 – R$ 22,51, com o de produtos consumidos nessa época e também com alimentos da cesta básica. Com este valor, por exemplo, seria possível comprar 2,23 kg de filé de merluza congelado, 1,91 kg de cação em posta, 1 kg de bacalhau Saith ou 1 kg de camarão limpo granel. Na comparação com os produtos da cesta básica, seria possível trocar o ovo de chocolate por 13 litros de leite, 9,57 kg de arroz longo fino, 6,69 kg de feijão preto ou 1,75 kg de café. Os dados têm por base os preços médios coletados nas pesquisas mais recentes da SAA: Disque-Páscoa (dia 26) e Cesta Básica (dia 21).

 

Faturamento

Vendendo ovos de chocolate, carnes ou produtos da cesta básica, os supermercados mineiros pretendem faturar 6% a mais na Páscoa deste ano ante a do ano passado. Esta foi a perspectiva divulgada nesta terça pela Associação Mineira de Supermercados (Amis). A projeção, explica a entidade por meio de sua assessoria, vale tanto para os produtos à base de chocolate quanto os demais itens sazonais, como pescado e azeite. O desempenho das vendas em março deve reverter o cenário de queda do setor. Em fevereiro, houve retração de 0,36% ante o mesmo mês do ano anterior e de 1,33% na comparação com janeiro deste ano.