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Inovação é arma para sobreviver


Por GRACIELLE NOCELLI

25/11/2012 às 07h00

Diante da concorrência cada vez mais acirrada, inovar tornou-se palavra de ordem para empreendimentos de diferentes setores. Por meio da reinvenção de produtos, serviços ou atendimento, empresas de Juiz de Fora encontraram o diferencial competitivo para se manter no mercado e garantir sucesso dos negócios. Especialistas destacam que a fórmula dá certo, uma vez que a inovação permite agregar valor, ampliar as possibilidades de crescimento e aumentar a lucratividade, e afirmam que é possível realizá-la independente de porte ou segmento de atuação. No entanto, alertam que as mudanças exigem planejamento para não descaracterizar a identidade da empresa e serem aceitas pelo público consumidor.

Esta foi a principal preocupação da Guarany Embalagens. A empresa fabrica embalagens de papelão desde 1996 e, depois de 12 anos de mercado, precisou realizar mudanças. "Os empreendimentos que atuam nessa área são os primeiros a sofrer com qualquer iminência de crise. Com a necessidade de corte de gastos, os clientes deixam de comprar embalagens, até porque muitos já fazem estoques", explica o consultor responsável pela gestão de projetos da empresa, Marco Roberto Nicolau.

Para fazer as inovações necessárias, os proprietários recorreram à avaliação de consultoria externa, que analisou o contexto de mercado, a realidade da concorrência e buscou alternativas para competir. "Percebemos que a empresa deveria deixar de ser fornecedora de embalagens para se tornar gestora no ramo. Se buscássemos o diferencial na venda de produtos, este seria apenas o preço", explica Nicolau. Ele conta que o processo começou há quatro anos. "Identificamos, então, as necessidades do público e como atendê-las de forma eficiente. Hoje, a empresa abastece e trabalha nas linhas de produção dos clientes, embalando as mercadorias."

Sem revelar valores de investimento, o consultor diz que, inicialmente, as inovações foram desenvolvidas no âmbito interno. "As mudanças começaram com a implantação do processo de gestão e qualidade, treinamento de toda equipe de colaboradores, um total de 80 funcionários, e a criação de uma cultura organizacional." Os resultados, ele diz, vieram com o recebimento de certificações, como a ISO 9000, e a ampliação do mercado consumidor para os estados de Rio de Janeiro e Espírito Santo. "Conseguimos dar mais fôlego às operações e aumentar a rentabilidade. Outro aspecto importante foi que, no processo de reinvenção, mantivemos as características da empresa que são valorizadas pelo público, como a velocidade e a flexibilidade."

Na avaliação do gerente regional do Sebrae, João Roberto Marques Lobo, a história da Guarany Embalagens tornou-se um caso de sucesso pelo planejamento. "A inovação é o caminho para empresas de qualquer porte que queiram se destacar e sobreviver. Mas, exige conhecimento de negócio, público-alvo e concorrência para ser bem-sucedida."

 

Renovar, sim, mas sem perder a tradição

Na avaliação do economista especialista em marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) Carlos Hilsdorf, as maiores margens de lucro pertencem às empresas mais inovadoras. "A inovação é o que faz com que o sangue financeiro circule do mercado para o caixa da empresa", afirma. Ele alerta que inovar não se restringe à tecnologia, produtos ou serviços. "A mudança pode acontecer desde o atendimento até as estratégias de vendas, passando pelo posicionamento frente ao mercado e a relação com clientes, fornecedores e colaboradores."

Mais do que criatividade ou recursos, Hilsdorf destaca que, para isso, é necessário disposição. "Inovação não acontece por decreto, memorando ou contrato, ocorre via desapego ao passado." Por isso, ele afirma que a tradição não é excludente. "Os aspectos tradicionais de uma empresa são benefícios atemporais do negócio, como qualidade, credibilidade, pontualidade, e respeito ao cliente. Estes podem e devem ser mantidos, embora muitas vezes adaptados às demandas e realidades do mercado", garante.

Foi apostando na ideia de aliar tradição e inovação que a Eletro Guimarães passou por processo de revitalização. Fundada em 1966, há quatro anos, a loja que comercializa materiais elétricos, hidráulicos e de iluminação para varejo, passou por transformações estruturais. "Verificamos que nem todos os clientes precisavam de uma consulta técnica para a compra dos produtos e decidimos criar também o sistema de autoatendimento", explica o proprietário Nélio Guimarães.

Ele diz que a implantação do sistema foi estudada durante dois anos através de consultorias particulares e auxílio do Sebrae. "O modelo é comum em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, mas precisávamos entender se em Juiz de Fora daria certo." Segundo ele, para mudar, foram essenciais planejamento e recursos. "Quando você estuda o que será feito, já trabalha com a reserva de finanças que será utilizada", avalia. Para o empresário, o resultado da inovação tem sido positivo. "O sistema conferiu modernidade à loja e agilidade ao atendimento, o que fez com que conseguíssemos atender um número maior de clientes."

Estudo do Sebrae de 2009 aponta que 45% dos pequenos negócios não se preocupam em efetuar mudanças na forma de trabalho, 43% não estabelecem metas de produção e vendas, e apenas 7% das empresas entrevistadas haviam participado de cursos de aperfeiçoamento nos últimos 12 meses.