Caminhoneiros mantêm bloqueio na BR-040
Segundo eles, greve irá continuar até que o Governo reduza os tributos que incidem sobre o óleo diesel

Mesmo com a autorização do uso de forças federais de segurança pelo Governo Federal para liberar as estradas bloqueadas pelos caminhoneiros, os motoristas juiz-foranos e de outras regiões paralisados às margens da BR-040, no entorno de Juiz de Fora, irão manter a mobilização e, até a noite desta sexta-feira (25) não havia previsão de término. Segundo eles, a greve irá continuar até que o governo reduza os tributos que incidem sobre o óleo diesel. O anúncio sobre o acionamento das forças federais foi realizado pelo presidente Michel Temer, em pronunciamento no Palácio do Planalto.
O assessor da 4ª Brigada de Infantaria Leve (Montanha), sediada no Bairro Mariano Procópio, coronel Malbatan Leal, destacou que o presidente Michel Temer falou no emprego de “forças federais”, mas que “o Exército está atento a qualquer necessidade que tenha para agir dentro da legalidade”. O oficial explicou que o acionamento de tropa é feito pelo comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Boas, e que ainda não havia tropas de prontidão, mas, caso houvesse necessidade, estariam prontas a fim de serem empregadas.
Além do Exército, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar também seriam empregadas, onde fosse possível, para a desobstrução das rodovias. Contudo, a PRF, até o fim da tarde desta sexta-feira, ainda não havia recebido qualquer comunicado depois do pronunciamento presidencial acerca do uso das forças de segurança. Segundo o chefe do Núcleo de Policiamento e Fiscalização da PRF, Leonardo Facio, equipes locais aguardavam as decisões que seriam tomadas em Brasília. O policial ainda afirmou que a PRF não fez levantamentos na área onde os motoristas estão mobilizados ao longo da BR-040, porque, a manifestação, até o momento, é pacífica e não apresentava problemas de interrupção do fluxo. Facio considerou que, em razão da falta de combustíveis, o movimento na rodovia declinou nos últimos dias.
Sobre a situação da PRF, o chefe do Núcleo de Policiamento e Fiscalização informou que estão com quatro viaturas abastecidas, mas era difícil prever até quando o combustível iria durar, uma vez que o prazo depende das demandas. Facio informou que os policiais estão evitando sair para ações que não sejam emergenciais. A Tribuna entrou em contado com a assessoria de comunicação organizacional da 4ª Região de Polícia Militar (RPM), para saber se a corporação havia recebido algum comunicado do Governo Federal para participar das ações de desbloqueio, mas até o momento, não recebeu uma resposta.
Resistência
Na tarde desta sexta, a equipe da Tribuna permaneceu cerca de três horas junto aos caminhoneiros mobilizados no entroncamento da BR-040 com a BR-267. No período em que a reportagem ficou no local, o clima de tranquilidade foi a tônica da ocupação ao longo do acostamento. A toda hora membros da sociedade e de pequenos estabelecimentos comerciais do entorno da rodovia entregavam aos caminhoneiros suprimentos alimentares e água. De acordo com o caminhoneiro Geraldo Henrique Barreto, juiz-forano, de 44 anos, tido como um dos membros da comissão de representantes do grupo, deste a última segunda-feira (21), quando a mobilização começou em âmbito nacional, apenas alguns motoristas deixaram o trecho onde os caminhões estão parados. “Alguns não quiseram ficar e não foram impedidos de ir embora, mas a grande maioria aderiu ao movimento”, destacou, acrescentando que estão sendo liberados para seguir viagem todos os caminhões que trafegam com carga viva, perecíveis, principalmente leite, gases para hospitais e medicamentos.
Geraldo afirmou que a paralisação dos veículos irá continuar apesar da autorização do uso das forças de segurança. “Se obedecerem a Constituição e o nosso direito de manifestação pacífica e sem impedir o direito de ir e vir não haverá o que o Exército fazer conosco. Mas, se houver desrespeito à Constituição e força para nossa saída, não posso afirmar o que poderá acontecer. Não vamos incitar a desordem pública, mas não dá para afirmar o que as pessoas vão fazer”, asseverou. O caminhoneiro ainda argumentou que só a sociedade sabe quantos dias mais o protesto irá permanecer. “Temos que perguntar à sociedade quantos dias mais irá aguentar sem caminhoneiro, pois não é o caminhoneiro que está atrapalhando a rotina da sociedade. Mas, agora, é a sociedade que vê como é a rotina dela sem o caminhoneiro”, avaliou.
De acordo com o representante Geraldo Henrique Barreto, os motoristas estão nas estradas porque suas reivindicações ainda não foram atendidas. “Precisamos que o governo reduza os tributos que incidem sobre nós. Precisamos de preço justo no óleo diesel, porque precisamos trabalhar e ter lucro. O acordo que foi anunciado pelo governo não representa nossos anseios. Queremos a queda dos preços nas bombas de diesel”, afirmou, acrescentando que a categoria solicita a revisão de lei estadual que permite às concessionárias das rodovias estaduais cobrarem taxa de eixo suspenso nos pedágios mesmo que o caminhão esteja vazio. “Existe lei federal que nos dá o direito de não pagar esse eixo suspenso, mas só é respeitada nas rodovias federais.”
Geraldo está paralisado com uma carga de insumo para área de siderurgia, que foi carregada em Ubá e deve ser transportada para Divinópolis. “Vou receber R$ 1.700 por esse frete, e, só de óleo diesel, tenho que gastar cerca de R$ 1.100, sem falar nos pedágios”, afirmou, enfatizando que o movimento do qual faz parte tem origem em caminhoneiros autônomos e de pequenas empresas que estão sufocados pelos encargos. A reportagem tentou falar com outros manifestantes no local, mas eles preferiram não se posicionar.
Padre visita caminhoneiros paralisados
Os caminhoneiros mobilizados no entroncamento da BR-040 com a BR-267, no início da tarde desta sexta-feira (25), receberam a visita do padre Carlos Arlindo, da Paróquia de Nossa Senhora da Estrada, em Igrejinha. Juntos, eles rezaram o Pai Nosso e pediram a Deus para que o governo brasileiro olhe para seu povo e dê força aos caminhoneiros para persistirem em paz na sua luta.
Em seguida, o grupo fez a oração da Ave Maria, pedindo a Nossa Senhora da Estrada proteção para todos os motoristas manifestantes. “A iniciativa de estar aqui, além de ser o caminho para minha paróquia, é a solidariedade a esse movimento, porque todo o país depende dos caminhoneiros. É uma forma de estar com eles e sensibilizado por esta mobilização para que o Brasil se torne melhor, menos corrupto e mais presente na formação de cada um de nós”, afirmou o religioso.









