Salário sobe 22% até novembro
Em Juiz de Fora, o trabalhador ingressa no mercado recebendo, em média, R$ 1.003,55 por mês. O salário médio de admissão é 22% maior do que o verificado no ano passado (R$ 821,46), mas ainda está 3,34% abaixo da média mineira (R$ 1.038,31). Entre os setores produtivos, apenas os profissionais de administração pública, construção civil, extrativo mineral e serviço industrial de utilidade pública têm ganhos iniciais acima da média. Os dados constam do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e consideram, em 2012, o acumulado de janeiro a novembro.
Apesar de o município estar em quinto lugar no ranking mineiro das cidades mais ricas – considerando o Produto Interno Bruto (PIB), o vencimento médio de admissão juiz-forano perde para seis das dez melhores colocadas, desconsiderando Belo Horizonte. As cidades de Ouro Preto e Nova Lima, por exemplo, que estão em décimo e 12º lugares, respectivamente, oferecem salários médios iniciais superiores ao de Juiz de Fora, conforme levantamento feito pela Tribuna (ver quadro).
Ainda conforme o Caged, houve aumento no salário médio inicial em todos os setores econômicos de um ano para o outro. A administração pública lidera a lista, com alta de 66,4%. O setor agropecuário está em segundo lugar, com 24,4%. Os dois segmentos, no entanto, foram os que apresentaram os piores saldos de emprego formal, negativo em 51 e 84 vagas, respectivamente. A Secretaria de Administração e Recursos Humanos (SARH) foi procurada para falar sobre o aumento, mas não se posicionou sobre o assunto.
Mantendo a tradição, o setor de serviços é o líder absoluto em criação de empregos no mercado formal (5.641), mas apresentou alta de apenas 6% no salário médio de admissão (R$ 861,45) de um ano para o outro, abaixo da média juiz-forana. A construção civil ganhou destaque com o segundo lugar no ranking de empregabilidade (909 postos de trabalho), elevação de 23% nos ganhos e pagamento de vencimento inicial (R$ 1.013,89) acima da média local.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, o aumento nos ganhos iniciais foi espontâneo, mediante a necessidade de valorizar os profissionais qualificados em um cenário de falta de mão de obra. "Quem consegue mão de obra de nível, tem muito trabalho." Apesar de as empresas estarem com muito serviço contratado, e a carência de funcionários ser menos "dramática" em relação ao ano passado, Leomar avalia que o mercado, este ano, está "acomodado", sem o vigor de anos anteriores.
Comércio se recupera com temporários
Já o comércio conseguiu se recuperar com as contratações temporárias de final de ano e fechou o acumulado do ano em terceiro lugar em empregabilidade, com 516 vagas com carteira assinada e aumento de 15,6% nos ganhos iniciais ante 2011. A indústria de transformação ficou em quarto, com 367 empregos formais e aumento de 6%. Em ambos os casos, os salários médios de admissão de R$ 748,20 e R$ 791,34, respectivamente, estão abaixo da média municipal.
Para o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti, os empresários entendem que o salário inicial precisa ser cada vez mais atrativo. O piso, que hoje é de R$ 745, subiu 10% este ano ante 2011, afirma. Beloti destaca que o salário do comércio é flutuante, em função da participação das comissões nos vencimentos. Avalia, também, que o movimento de contratação para o final de ano, que impactou positivamente a empregabilidade do setor, era esperado. Na sua opinião, o fato de o vendedor de comércio varejista ser a segunda ocupação com menor saldo no município deve-se à migração da mão de obra para o setor de serviços, em franca expansão, e que paga salários maiores (inicial de R$ 861,45).
Sobre o desempenho da indústria, o presidente do Centro Industrial, Aurélio Marangon, considera que, para elevar o rendimento dos trabalhadores já contratados, há dois caminhos: aumentar a produtividade dele ou desonerar o custo indireto nos salários. Na sua opinião, a quarta posição da indústria de transformação deve-se ao crescimento do setor de prestação de serviços na cidade e ao desempenho da construção civil. "Juiz de Fora tem retomado o crescimento de forma lenta, mas crescente no cenário nacional. Da mesma forma, a atividade industrial e os salários têm acompanhado esse crescimento."
Rendimento é ponto fraco, diz economista
Para o economista Guilherme Ventura, professor do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) e coordenador do Curso Excecutive MBA Gestão Empresarial, o salário médio de admissão ainda é um ponto fraco da economia juiz-forana, mas "está melhorando". Embora o vencimento ainda esteja abaixo da média estadual, apresentou alta de 22% este ano contra 7,7% de crescimento em Minas, compara. "Sinal de que o mercado de trabalho está mais aquecido em Juiz de Fora do que na média do estado." Este ano, até novembro, a cidade criou 7.347 empregos com carteira assinada. O número é 8% maior ante o mesmo período de 2011. Em Minas, nesse período, a cidade ficou atrás apenas de Belo Horizonte (49.886), Uberlândia (10.477) e Contagem (9.362).
Já o economista Antônio Flávio Luca do Nascimento considera o aumento no salário médio de admissão fruto dos investimentos que foram e estão sendo realizados na cidade e da política nacional de salários (valorização do mínimo para incentivar o consumo). Ele também cita a busca do setor privado pela recuperação dos vencimentos, mediante o elevado "turn over" (rotatividade) e insatisfação da mão de obra, retrato do apagão verificado na cidade. Para o economista, somente em grandes empresas os salários são mais compatíveis com a função ou o cargo desenvolvido, por conta das políticas salariais internas que visam a evitar a elevada rotatividade nos quadros.
Na opinião de Ventura, o motivo de a cidade perder, em vencimentos iniciais, para municípios com menor PIB deve-se à pouca exigência de qualificação profissional nas atividades que criam mais postos de trabalho. O economista analisa que as três ocupações com maiores saldos (operador de telemarketing, servente de obra e repositor de mercadoria) possuem características de primeiro emprego, sem elevado valor agregado. Daí o fato de os vencimentos iniciais ficarem abaixo da média municipal (ver quadro). Já o economista Antônio Flávio recorre à tradicional lei da oferta e da procura. Na prática, a maior oferta de trabalhadores para estas ocupações, provoca menor valorização destes profissionais.
Desafios
Para melhorar os ganhos de admissão em Juiz de Fora, Guilherme Ventura destaca a necessidade de priorizar o desenvolvimento econômico, criando ambiente cada vez mais favorável a decisões de investimento e atração de empreendimentos. "A maior demanda por trabalho vai naturalmente levar ao crescimento do salário médio inicial. O foco em atividades mais intensivas em capital, tecnologia e conhecimento também demandarão pessoal com maior qualificação, melhorando o salário médio inicial." Já o economista Antônio Flávio considera que os vencimentos somente serão adequados quando houver uma retomada de investimentos públicos e privados.









