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13º deve injetar R$ 278 mi em Juiz de Fora


Por Fabíola Costa

23/11/2011 às 06h00

O pagamento do 13º salário deve injetar, este ano, pelo menos R$ 278 milhões na economia juiz-forana. O cálculo considera os R$ 90 milhões pagos pelo INSS a cerca de 120 mil beneficiários na cidade, conforme balanço divulgado ontem pela Gerência Executiva do INSS. Os segurados receberam a primeira parcela na folha de agosto. A segunda começa a ser paga junto com os vencimentos deste mês.

O montante também considera o número de trabalhadores formais em 2010 (134.320), acrescido do saldo de empregos até outubro deste ano (5.432), multiplicado pelo salário médio praticado no município (R$ 1.346,96), conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Para os trabalhadores da iniciativa privada, o prazo para acerto da primeira parcela ou em cota única vence no próximo dia 30. A segunda parte pode ser depositada até 20 de dezembro.

A expectativa do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Juiz de Fora, Vandir Domingos, é que os juiz-foranos aproveitem a primeira parcela para quitar pendências com o comércio e retirar o nome dos serviços de proteção, para que estejam aptos a voltar às lojas para as compras de final de ano. O "Mutirão do Crédito" será realizado entre os dias 28 de novembro e 23 de dezembro e tem por objetivo reduzir a inadimplência na cidade, cujo percentual não foi divulgado. Para Vandir, as vendas para o Natal só devem começar a aquecer a partir de 10 de dezembro, embora alguns já tenham começado a percorrer as vitrines e levar presentes para casa, considera.

De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), 60% dos consumidores vão usar o 13º para saldar dívidas, principalmente em cartão de crédito e cheque especial. Conforme a entidade, a intenção de quitar os débitos cresceu 5,26% na comparação com 2010. Já pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com o grupo Ipsos, aponta que a incerteza do brasileiro em relação ao que fazer com o benefício cresceu. Este ano, 27,8% ainda não sabem como destinar o extra. Esse número representa alta de quase 10% na comparação com 2010.

Para o diretor executivo da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, a redução da atividade econômica e a inflação mais elevada contribuíram para o endividamento dos consumidores. Uma consequência direta, avalia, foi a queda de 10,53% verificada de um ano para o outro 2010 entre aqueles que pretendem utilizar o benefício para a compra de presentes, "demonstrando maiores dificuldades e preocupações com os gastos neste ano".

A coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci, aconselha os inadimplentes a reservarem a primeira parte do 13º para renegociar dívidas. E recomenda o pagamento das contas sem se endividar novamente. Quem tem débitos, avalia, deve aproveitar as opções oferecidas por lojas e bancos e negociar desconto para quitações à vista e abatimento nas taxas de juros e multas. "Uma boa negociação pode garantir descontos progressivos no principal da dívida e ainda permitir a retirada do nome dos cadastros de inadimplentes." A coordenadora recomenda, ainda, fugir das tentações do comércio. "O 13º salário injetará bilhões na economia, mas eles não precisam ser gastos." A recomendação é que decisões de consumo não-prioritárias devem ser proteladas.