Supermercados antecipam estoques para vendas de fim de ano
Embalados pelo crescimento dos índices de consumo principalmente da classe C (chamada de nova classe média), indústria, comércio e serviços já se preparam para atender a demanda do final do ano. Dados do Governo federal apontam que a população que vive com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019 por mês alcança 53% dos brasileiros e deve movimentar quase R$ 1 trilhão este ano. Há três meses para as festas de Natal e Ano Novo, as perspectivas de volume de negócios estão mais otimistas que os resultados obtidos no ano passado. Enquanto lojistas calculam a abertura de até 1.500 postos de trabalho no último trimestre, supermercados antecipam o abastecimento dos estoques e esperam vender até 25% mais que no mesmo período de 2011.
"No ano passado, tínhamos previsto um incremento de 20% para a época, mas ficamos em 17%, em relação a 2010. Este ano, agosto já foi mais forte, e tudo indica que fecharemos setembro com crescimento de, no mínimo, 20%. Daí para frente, é progressivo, e não há nada no cenário econômico atual que indique alguma possibilidade de desvio dessa reta", acredita o gerente de marketing da rede de supermercados Bahamas, Nelson Júnior. Ele estima em 24% o acréscimo no volume de vendas no trimestre. "Com a alta no consumo identificada há cerca de seis meses, antecipamos as negociações dos produtos sazonais para garantir a entrega. Metade do que teremos nas prateleiras já está negociado, com exceção das aves especiais, que são perecíveis."
Na rede atacadista Mart Minas, a situação é a mesma. Para alcançar os esperados 25% de acréscimo sobre o faturamento de 2011, as compras foram antecipadas. O objetivo é garantir a distribuição para mercados menores e o abastecimento das unidades de varejo. "Já estamos negociando panetones, frutas cristalizadas e outros itens sazonais. E este ano teremos um Natal mais caro, devido à inflação dos alimentos. E diferente do ano passado, já que as classes C e D estão consumindo mais e melhor, incluindo em sua cesta produtos de maior valor agregado, como sucos prontos e iogurtes, por exemplo", diz o gerente comercial e de marketing da rede, Felipe Martins.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), as commodities de soja e milho, prejudicadas por fatores climáticos, farão com que os preços das aves – produtos de maior procura durante o Natal -, cheguem mais caras ao consumidor.
"O brasileiro sentirá os preços mais elevados", diz o presidente da entidade, Sussumu Honda. Segundo ele, as negociações têm sido mais complicadas com os fornecedores em função dos valores. "Não foi fácil negociar este ano."
Setores
"No Natal, as vendas fortes são de bens de consumo não duráveis", destaca o presidente regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Francisco Campolina. "Por isso, em Juiz de Fora, as confecções aquecerão a produção a partir de outubro", completa.
"Esperamos que o aumento gradativo de negócios que já vem acontecendo se mantenha, mas só poderemos identificar mais claramente este crescimento a partir da segunda quinzena de outubro, quando as coleções de verão já estarão nas lojas", explica. Ele lembra que o comércio varejista ficará mais aquecido em dezembro, depois do pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário.
Já no setor de serviços, o segmento de logística se movimenta para atender ao volume de entregas cada vez maior, em função, principalmente, do crescimento do comércio online.
Na Rapidão Cometa Logística e Transporte, que atende empresa nacional de venda por catálogo, por exemplo, a expectativa é de aumento de 15% no volume de trabalho frente a 2011. Para suprir a demanda, a empresa está com processo seletivo aberto para expandir seu quadro de funcionários em 35%, com a contratação de 130 trabalhadores efetivos a partir de outubro.
Em Juiz de Fora, o comércio pretende contratar entre 1.200 e 1.500 trabalhadores temporários para atender a demanda do Natal e do Ano Novo, segundo informações do Sindicomércio e da CDL. O número é quase o dobro do total de admissões no mesmo período do ano passado (840). As oportunidades devem se concentrar, principalmente, nos cargos de vendedor, estoquista, costureiro e mão de obra técnica, de acordo com dados da unidade local do Grupo Let.
"O consumidor está mais consciente, tentando evitar dívidas, o que costuma inibir as compras. Por outro lado, a renegociação e quitação de débitos vai desafogar o cliente, e isso deve proporcionar resultados melhores que os de 2011", acredita o superintendente da CDL Juiz de Fora, Carlos Leopoldo Fernandes.
No país, as contratações de temporárias deverão crescer 5,5% – acréscimo de oito mil vagas sobre o total registrado no ano passado, de acordo com levantamento encomendado ao Instituto de Pesquisa Manager (Ipema) pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) e pelo Sindicato das Empresas Prestadoras de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo (Sindiprestem). No total, devem ser abertas 155 mil vagas em todo o Brasil, até dezembro. A expectativa é que 15% desse contingente seja efetivado.
A maioria das novas vagas deve surgir, de acordo com a pesquisa, no setor do comércio (75%), e o restante, nas indústria de bens de consumo – alimentos, bebidas, brinquedos, eletrônicos, vestuário e papel. Segundo a presidente da Asserttem, Jismália de Oliveira Alves, o Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial de serviços temporários, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da África do Sul.
Ela alerta que o trabalhador temporário tem os mesmos direitos do efetivo, como salário equivalente, jornada de oito horas, recebimento de hora extra, adicional por trabalho noturno, repouso semanal remunerado, férias proporcionais, 13º salário e proteção previdenciária. As exceções são aviso prévio e recebimento da multa de 40% sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), não exigidos neste caso. "O candidato à vaga deve exigir o contrato de trabalho com base na Lei 6.019/74 e o registro na carteira de trabalho, o que lhe dá a segurança de um emprego formal, inclusive com contabilização desse tempo trabalhado para a aposentadoria", orienta Jismália, em entrevista à Tribuna.
A analista de recursos humanos do Grupo Let, Maria Carolina Araujo, lembra que os contratantes veem na mão de obra temporária uma oportunidade para avaliar e selecionar os melhores profissionais. "Trata-se de uma excelente oportunidade para quem busca o primeiro emprego,visto que a exigência em relação ao perfil e tempo de experiência tendem a ser menores, devido à urgência no preenchimento das vagas", destaca.









