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Primeiro voo da Azul é cancelado


Por Fabíola Costa

23/08/2011 às 07h00

Passageiros e curiosos observam pista do ARZM vazia

Passageiros e curiosos observam pista do ARZM vazia

Frustração. Esse foi o sentimento coletivo daqueles que foram ao Aeroporto Regional da Zona da Mata (ARZM) ontem para acompanhar, depois de quase dez anos de espera, o início das operações comerciais do aeródromo. O voo inaugural, que seria realizado pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras, foi cancelado. Por meio de nota, a Azul disse que o voo 4350, que partiu do Aeroporto Internacional de Viracopos (Campinas) às 12h42 rumo ao ARZM, foi cancelado "devido às condições meteorológicas desfavoráveis na rota do aeroporto destino, abaixo dos mínimos para operação". Segundo a companhia aérea, a aeronave orbitou na região por cerca de 30 minutos sem obter visualização do aeroporto. O voo foi alternado para o Aeroporto Internacional Tom Jobim – Galeão, no Rio de Janeiro. Por consequência, o que partiria do Regional às 14h35 rumo a Viracopos também foi suspenso. Os passageiros tiveram a opção de ida ao Galeão, por meio de ônibus executivo fretado pela Azul, ou a de remarcar a passagem para hoje.

A Multiterminais Alfandegados do Brasil, administradora do ARZM, afirmou que havia condições de pouso e decolagem, tanto que uma aeronave particular usou a pista. A aterrissagem aconteceu por volta das 15h30, pouco mais de uma hora após o horário marcado para o primeiro pouso da Azul (14h05). Segundo a Multiterminais, a decisão de cancelamento teria sido da companhia aérea. A expectativa é que as operações sejam normalizadas hoje.

O fato de o ARZM só ter autorização para voos diurnos, com operação visual, foi destacado pela Azul na nota divulgada à imprensa. "A operação no aeroporto é realizada por aproximação visual, uma vez que ainda não possui um procedimento por instrumentos aprovado pelo Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea). Esse procedimento já se encontra em fase final de homologação." A companhia disse, ainda, que "lamenta eventuais transtornos ocorridos aos seus clientes" e justificou que "atrasos por conta de mau tempo são medidas necessárias para conferir a segurança de suas operações". O diretor adjunto da Multiterminais, Denilson Duarte, disse que chegou a conversar com o piloto, que alegou dificuldade de operar com visibilidade segura. "Com vidas, não podemos falhar. É melhor atraso do que cometer um erro", disse Denilson.

Sobre a homologação para voos noturnos, a expectativa da Multiterminais é pela oficialização em setembro. A Anac, por meio de sua assessoria, esclareceu que a atualização cadastral do aeródromo decorre da verificação dos requisitos de infraestrutura e segurança da navegação aérea para este tipo de operação. "Neste momento, aguarda-se a juntada de alguns documentos comprobatórios do atendimento das condições supracitadas, permitindo, então, a emissão de portaria específica que altera a condição operacional do aeroporto e o respectivo cadastro junto à esta agência."

 

Grávida passa mal durante espera para embarque

A informação sobre o cancelamento foi dada por volta de 14h45, trinta minutos depois do horário previsto para o desembarque do voo vindo de Campinas. Nos painéis eletrônicos espalhados pelas salas de espera e embarque, o horário estimado para chegada era de 14h16. Por volta das 14h47, as luzes da pista chegaram a acender, mas a aterrissagem não aconteceu. Segundo a Azul, havia 54 passageiros chegando ao Regional e 58 partiriam para o Aeroporto de Viracopos. A capacidade da aeronave é de 66 passageiros.

Dezenas de pessoas – a maioria de cidades vizinhas – que aguardavam na sala panorâmica para ver o primeiro pouso logo se dispersaram. Em contrapartida, o guichê da Azul ficou tomado por passageiros e acompanhantes. Entre os passageiros estava a empresária Roberta Braga, grávida, que passou mal e precisou ser atendida por socorristas. Roberta, que estava trabalhando em Juiz de Fora, comenta que chegou a se deslocar até o Aeroporto Municipal Francisco Álvares de Assis, o Serrinha, já que a rota descrita no site da Azul é Juiz de Fora – Zona da Mata (XJF). Chegou ao Regional de táxi e pretendia fretar uma aeronave particular para retornar a São Paulo. "Vou pagar R$ 4 mil para sair daqui, vocês acham isso justo?" questionava. A empresária tinha pressa para retornar à São Paulo porque queria verificar as condições do seu bebê.

A enfermeira Paula Mara considerou o cancelamento "uma falta de respeito". Decepcionada, preferiu remarcar o voo para hoje, mas estava preocupada. "Comprei várias passagens para setembro e estou com medo de não conseguir usá-las." O administrador Marcus Dore disse estar frustrado. Na sua opinião, depois de dez anos de espera pelo início do funcionamento, o ARZM "começou mal". Camila Ayub, que também não conseguiu embarcar, reclamava da falta de organização no atendimento aos clientes pela companhia aérea. Segundo ela, foram dadas duas justificativas aos passageiros: uma, que o piloto havia se confundido e teria ido para o Serrinha, e outra que o pouso foi impossibilitado em função do teto.

Nos bastidores, foi cogitada a possibilidade de que, por uma confusão de informação, a Azul teria usado o plano de voo do Serrinha e não o do ARZM. O Serrinha ficou fechado para operações ontem durante o dia. A companhia aérea foi questionada sobre esse assunto, mas não se posicionou sobre ele.