Microempresa enfrenta apagão de mão de obra
A queda no nível de desemprego no país, que atingiu 6,2% no mês passado, segundo o IBGE – o menor desde o início da série histórica em 2002 – já está ocasionando uma maior dificuldade de contratação, sobretudo das micro e pequenas empresas. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, quase 65% das empresas ouvidas relataram terem encontrado dificuldades em encontrar trabalhadores qualificados no primeiro trimestre deste ano. De acordo com o levantamento, quase metade (46,8%) das empresas tem muita dificuldade em encontrar profissionais qualificados e 17,9% relataram alguma dificuldade. Entre os setores que indicaram maiores problemas para localizar mão de obra qualificada estão indústria e construção civil.
Em Juiz de Fora, segundo o Sebrae, os setores com maior escassez de trabalhadores são o têxtil confeccionista e o de construção civil, como a Tribuna vem divulgando. De acordo com o gerente regional do Sebrae no Leste de Minas Gerais, João Roberto Marques Lobo, pode-se inclusive falar em apagão de mão de obra. "O setor de confecções está vivendo um momento que tecnicamente pode ser chamado de emprego pleno, com um índice muito baixo de desemprego." Ainda de acordo com Lobo, muitas escolas de capacitação não têm conseguido formar profissionais na velocidade que o mercado demanda.
De acordo com a analista do Sebrae-MG, Venússia Santos, o resultado da pesquisa pode indicar um desajuste entre a oferta e a procura por trabalho. "As escolhas individuais por formação, bem como a disponibilidade de vagas e cursos parecem não estar condizentes com o mercado de trabalho. Deve-se considerar também que as escolas não estejam formando as competências necessárias", avalia.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário, Vandir Domingos, o setor convive com o problema há alguns anos e chega a ter uma perspectiva até menor de crescimento devido a esta dificuldade. "Hoje é difícil encontrar novas costureiras no mercado. As pessoas estão deixando a profissão. Em algumas empresas, o volume de benefícios concedidos faz com que os salários pagos sejam até maiores que os do comércio."
Após se deparar a escassez dessas trabalhadoras, a sócia da Torp Cuecas e Meias, Adriana Freitas, decidiu investir na formação de pessoal para o setor. Há dois anos, ela sistematizou um programa de treinamento na empresa, com aulas aos sábados, em dois turnos, que capacita 26 trabalhadores em prazo de seis meses. "Estava percebendo que as pessoas se aposentavam, e o mercado não ganhava novas costureiras. Como não há um curso de formação, a saída que encontramos foi treinar as pessoas." De acordo com Adriana, o cursos é aberto para pessoas que ingressam na empresa em funções que não exigem qualificação e também para a comunidade do entorno do Bairro Fábrica, sem custo. "Ou a iniciativa privada qualifica ou o mercado fica sem novos profissionais."
De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Maria de Fátima Lage Barra, os salários baixos acabaram afastando os profissionais. "A maioria das empresas não possui tíquete-alimentação, plano de saúde ou descontos em farmácias. O problema é que as empresas questionam a falta de mão de obra, mas não querem ceder."
Outro segmento que enfrenta esse déficit de profissionais é o de panificação. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação, Heveraldo Lima, a situação já esteve pior, mas cursos, como o do Senai, estão ajudando a suprir o déficit. "As pessoas estão chegando ao mercado de trabalho muito despreparadas e isso sempre atrapalha."









