Greve nos Correios atrasa 20% de entregas
Cerca de 20% das cartas, faturas e encomendas que deveriam ter sido entregues na última semana ainda não chegaram à casa dos destinatários mineiros. O volume de demanda represada chega a 700 mil objetos postais por dia no estado. Este é o resultado da greve dos trabalhadores dos Correios, que completou ontem uma semana. Os dados são da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que calculou em 35% o comprometimento da entrega em todo o país. Não foram divulgados números locais. O movimento segue por tempo indeterminado.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Comunicação Postal, Telegráfica e Similares de Juiz de Fora e Região (Sintect/JF) avalia que o atraso varia de quatro a seis dias, de acordo com o perfil da carga. De acordo com o diretor do sindicato, Anderson Luis Evangelista Soares, pelas características do sistema de triagem, as cartas comuns, geralmente com tamanho maior, estão demorando de quatro a cinco dias a mais para chegarem ao destino. Já a manipulação das faturas é mais morosa, em função do tamanho reduzido das informações sobre o destinatário. Neste caso, o atraso tem variado de cinco a seis dias.
Anderson avalia que, apesar da incorporação de mão de obra temporária e do remanejamento de profissionais de outras regiões principalmente no centro de triagem, a adesão expressiva dos carteiros torna a demora na entrega inevitável. Pelas suas contas, 60% dos cerca de 400 trabalhadores estão de braços cruzados na cidade. "O movimento está crescente."
A ECT, por meio de sua assessoria, considera que o índice de adesão no país é de 21,5% e no estado, 10%. A informação é que a paralisação está concentrada na região metropolitana de Belo Horizonte e nos municípios de Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba e Uberlândia. Os serviços Sedex 10, Sedex Hoje e Disque-Coleta, por terem horário marcado, continuam suspensos.
Segundo o superintendente do Procon, Eduardo Schröder, a greve levou ao órgão consumidores que não receberam encomendas. Ele cita como exemplo ingressos para o Rock in Rio, enviados pelos Correios. A orientação é para que os clientes procurem o fornecedor e negociem outra forma de recebimento. De acordo com Schröder, o fornecedor não pode ser responsabilizado quando o transporte é contratado à parte.
Quanto ao pagamento de boletos de cobrança, o superintendente reforça que os consumidores precisam procurar formas alternativas para obter a fatura, como segunda via pela internet. "Todos sabem de suas obrigações e quando elas vencem. Por isso, precisam procurar meios para fazer o pagamento no prazo." Schröder esclarece, no entanto, que se o fornecedor não disponibilizar alternativas para acerto, pode ser responsabilizado.
Pauta
Antes de deflagrar o movimento, os trabalhadores nos Correios rejeitaram a proposta do Governo federal de reposição de 6,87% referente ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aumento linear de R$ 50 e abono de R$ 800. Também foram oferecidos reajustes no vale refeição de R$ 23 para R$ 25 e na cesta de R$ 130 para R$ 140. De braços cruzados, a categoria cobra reposição pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), aumento linear de R$ 400 e elevação do piso dos atuais R$ 807 para R$ 1.635. Na pauta de reivindicações também estão melhorias nas condições de trabalho. O posicionamento da ECT é que só haverá retomada das negociações com o fim da paralisação.









