JF tem pior julho desde 2004


Seguindo tendência nacional, Juiz de Fora teve o pior mês de julho em geração de emprego com carteira assinada dos últimos dez anos (ver quadro). O saldo ficou negativo em 142 oportunidades, resultado de 6.443 admissões e 6.585 demissões. O desempenho só não foi pior ante o de 2003, quando o déficit chegou a 402 vagas. No acumulado do ano, no entanto, o resultado segue positivo. Desde janeiro, foram criados 1.793 empregos no mercado formal na cidade – saldo de 1,29%.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (21) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apontam que indústria da transformação (-78), serviços (-37) e construção civil (-36) apresentaram os menores resultados no mês. No ano, serviços se mantém como recordista na criação de vagas (1.703). A construção civil ocupa o segundo lugar (697) e a indústria de transformação o terceiro (349). O comércio não vai bem. No saldo entre contratações e demissões, acumula déficit de 856 oportunidades entre janeiro e julho deste ano.
Para o presidente do Sindicato do Comércio, Emerson Beloti, o desempenho do comércio já era esperado, reflete o desaquecimento nacional e deve persistir até agosto e setembro, com poucas contratações. A expectativa dele é que em outubro tenha início o movimento de contratações temporárias para o final do ano. "Não acredito em uma recuperação do comércio sem que haja uma recuperação da indústria", pondera. Beloti destaca os efeitos da alta do dólar sobre toda a economia – estimula as exportações, mas sacrifica o salário dos consumidores e desaquece o mercado interno. Nesta quarta, a moeda americana fechou acima de R$ 2,45, a maior cotação desde 2008.
O coordenador do Centro Industrial, economista Antônio Flávio Luca do Nascimento, destaca que a curva nacional de emprego também apresentou queda. "Os empresários estão preocupados, com o pé no freio. Não se vê novos investimentos, que geram emprego sadio." Apesar da retração da indústria e da construção civil verificada em julho, o economista prefere se voltar para o acumulado do ano e destaca o desempenho positivo dos dois segmentos. "Cada mês tem uma questão atípica." Conforme o economista, o movimento ascendente tradicional da indústria no segundo semestre deve ser verificado a partir deste mês, de olho nas demandas do final do ano. "Alguns setores vão se destacar, outros não muito", avalia. Conforme o economista, no primeiro semestre, a indústria juiz-forana apresentou crescimento de 0,29%. A expectativa dele é de que haja crescimento até dezembro.
No país
No país, o saldo líquido da geração de empregos em julho foi o pior dos últimos dez anos, com a criação de 41.463 postos – resultado de 1.781.308 admissões e 1.739.845 demissões. Desempenho pior só havia sido registrado em julho de 2003, com saldo de 37.200 postos. Com relação ao acumulado dos sete primeiros meses, o país teve o pior resultado desde 2009, com a criação de 907.200 postos de trabalho com carteira assinada. No mesmo período de 2009, haviam sido criados 397.900, enquanto, de janeiro a julho de 2012, o saldo foi 1,3 milhão.
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, informou que o desempenho do mercado de trabalho no acumulado do ano está de acordo com as perspectivas econômicas do país. "O mundo todo está (com geração de emprego) negativo e nós estamos positivos. Essa é a nossa realidade. Estamos crescendo, o emprego está crescendo. Não é o número que eu gostaria que fosse, mas é um crescimento de acordo (com o da economia brasileira)", explicou Dias. De acordo com o ministério, o número revela, ainda assim, sinais de perda de dinamismo na geração de emprego, conforme a Agência Brasil.











