Número de passageiros no Itamar Franco e no Serrinha sobe 54%

No Serrinha, cancelamento de voos caiu 50%
Os aeroportos Presidente Itamar Franco (antigo Regional, localizado em Goianá) e Francisco Álvares de Assis (Serrinha) somaram 85.130 embarques e desembarques no primeiro semestre de 2012. O número é 54% maior do que o total registrado em todo o ano de 2011 (55 mil). No primeiro, que começou a operar em agosto do ano passado e transportou cerca de 21 mil passageiros até dezembro, a alta é de 75%, com 35 mil usuários de janeiro a junho deste ano.
No mesmo período, o Serrinha contabilizou quase 50 mil passageiros, o equivalente a 75% do total transportado em 2011 (66 mil). O índice é reflexo do processo de revitalização do sítio aeroportuário, que teve investimentos de R$ 260 mil em infraestrutura e segurança e reduziu o número de cancelamentos de voos em até 50% na comparação com o ano passado.
De acordo com o professor de Engenharia de Transportes da USP, Nicolau Gualda, o aumento da demanda dos aeroportos tem ocorrido em todo o país. "De uns anos para cá, a população brasileira tem utilizado mais o transporte aéreo, tanto no interior quanto nas capitais." Segundo ele, a alta do poder aquisitivo é o principal fator condicionante, e o país deve se preparar para atender com qualidade todos os usuários. "Além da demanda interna, os nossos aeroportos precisam estar bem estruturados para receberem os turistas que serão atraídos pelos grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas."
No Serrinha, são oferecidos 14 voos para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, operados pela Trip. Segundo dados da Secretaria de Transporte e Trânsito (Settra), a média de ocupação é de 70%. "Melhoramos as condições de voos, aumentamos a segurança com o detector de metais e o sistema de Raio X de bagagens. No momento, estamos acompanhando o crescimento da demanda e, se for preciso a ampliação do serviço, sabemos que há espaço nas grades de voos", analisa o secretário municipal de Transporte e Trânsito, Márcio Bastos.
No Itamar Franco, há voos somente para o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, através da Azul Linhas Aéreas. Segundo a administradora do local, a Multiterminais Alfandegados do Brasil, a previsão é de 90 mil usuários até o final deste ano. "As aeronaves comportam 70 lugares e a média de ocupação por voo está entre 80% e 90%. Queremos ampliar nossas linhas e, para isso, outras companhias estão estudando a possibilidade de se instalarem aqui", afirma o diretor adjunto da empresa, Denilson Duarte.
Demanda crescente
Para o presidente da Fiemg Regional da Zona da Mata, Francisco Campolina, a confiança da população nos serviços dos dois aeroportos aumentou. "A demanda sempre existiu. Se antes as pessoas optavam em ir até outros aeroportos, agora elas usam os nossos." Este é o caso do médico Luiz Antônio Avelar, 56 anos, que passou a utilizar o terminal da Serrinha com frequência por conta do trabalho. "Os voos estão mais regulares e não há aquela incerteza sobre o embarque." A advogada Elen Nogueira, 32 anos, também concorda. "Desde o início do ano, nunca passei por cancelamento ou grande atraso de voos."
A situação se repete no aeroporto de Goianá. "É a primeira vez que estou embarcando e estou muito satisfeito, pretendo utilizar o terminal mais vezes", relata o professor Cláudio Oliver, 46 anos. O engenheiro Alexandre da Silva Bezerra, 38 anos, destaca a praticidade. "Antes precisava seguir até Rio de Janeiro ou Belo Horizonte, ficou bem melhor embarcar por aqui."
O Aeroporto Presidente Itamar Franco será um dos polos do Complexo Aeronáutico de Minas Gerais, oferecendo suporte à logística de exploração do pré-sal. De acordo com o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino, Narcio Rodrigues, o projeto está em fase de estruturação. "A proposta é que o terminal auxilie no transporte de cargas e, também, como local para guardarmos as aeronaves de grande porte usadas neste tipo de atividade. O trabalho seria feito pela Petrobras com o apoio da UFJF, mas ainda estamos em fase de estudo."
De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, "a localização privilegiada do Aeroporto Itamar Franco próxima às operações na costa ligadas à indústria do óleo, notadamente o pré-sal, destaca o potencial como polo logístico de cargas de alto valor agregado, polo de manutenção de helicópteros e de equipamentos de apoio à exploração de petróleo."
A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino informou que, para o Complexo Aeronáutico, Minas investirá R$ 72 milhões de reais. No início do mês, foi inaugurado o polo de asas fixas para a produção de aeronaves de pequeno porte em Tupaciguara (Triângulo Mineiro). O projeto prevê, ainda, a criação dos polos de asas rotativas, para o desenvolvimento de helicópteros de grande porte em Itajubá (Sul de Minas), de capacitação, para a criação do Centro de Tecnologia e Capacitação Aeroespacial em Lagoa Santa, e a transformação do Aeroporto Internacional Tancredo Neves na primeira aerotrópolis (cidade-aeroporto) do país, inspirada em modelos como de Cingapura e Dubai.









