Caminhoneiros descartam paralisação, mas há grupos insatisfeitos com frete
Movimento chegou a ser cogitado para o dia 1º de fevereiro

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), entidade mais representativa dos caminhoneiros e que reúne sete federações e 140 sindicatos, descartou uma nova paralisação a partir do dia 1º de fevereiro. A notícia de que a categoria estava programando movimento ganhou força nos últimos dias. Porém, outras entidades representativas da classe dão como certa a paralisação. Na região, o ato está descartado até o momento.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, nesta terça-feira, uma nova tabela com preços mínimos de frete rodoviário. De acordo com a agência reguladora, as alterações vão resultar em um aumento médio que varia de 2,34% a 2,51%, conforme o tipo de carga e operação. O reajuste considera o IPCA, inflação oficial do país, e a atualização do preço do diesel.
Segundo matéria da revista “Época”, o valor desagradou algumas entidades. O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, considerou insuficiente o reajuste do piso mínimo do frete e disse que ainda está conversando com os representantes da categoria nos estados sobre a possibilidade de paralisação em 1º de fevereiro e que a associação deve ter uma posição definida na sexta-feira (22).
O Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) reiterou a intenção de greve dos caminhoneiros no dia 1º de fevereiro “por prazo indeterminado” em caso de “esgotamento das vias administrativas de solução” para os problemas apontados pela categoria. A CNTRC, que afirma representar cerca de 40 mil caminhoneiros.
‘Não é o momento’
Já a CNTA, em nota oficial, elencou os motivos para a não realização do parada, a CNTA elenca a pandemia e impactos negativos que o movimento traria, como aglomerações e dificuldade de transporte de insumos para o tratamento da doença. “A CNTA entende que apesar das dificuldades dos caminhoneiros, este não é o momento ideal para uma paralisação, principalmente, em virtude da delicada realidade que o país está passando. A entidade acredita que o atual cenário é propício para o fortalecimento do trabalho do caminhoneiro e a sua contribuição para o enfrentamento da pandemia”.
A nota destaca que o posicionamento da entidade, que tem a representação legal da categoria, segue o parecer emitido por toda a sua base representada, formada por federações e sindicatos de todo território nacional.”A CNTA tem como obrigação esclarecer e tornar público os fatos, evitando ansiedade e sofrimentos adicionais desnecessários da categoria bem como de toda a sociedade brasileira, além dos já enfrentados durante esta pandemia. A CNTA acredita que a deflagração de uma greve, especialmente de caminhoneiros, deve ocorrer somente quando esgotadas todas as alternavas plausíveis de discussão e negociação.”
O texto chama a atenção para a situação da pandemia: “uma paralisação pode acarretar aglomeração e aumentar o risco de contaminação dos caminhoneiros, familiares e da população em geral. A paralisação das atividades da categoria afetará a circulação de mercadorias, produtos farmacêuticos, alimentos e insumos para indústria, comércio e agricultura. Tal fato, pode impactar significativamente no combate e tratamento da doença. O impacto no fluxo de mercadorias e matéria-prima pode agravar a situação econômica do país em um momento delicado, gerando incertezas na área da indústria e comércio, prejudicando a geração de emprego e renda.”
A CNTA também aponta um cenário positivo para o transporte rodoviário de cargas e para o transportador autônomo, com o início da safra de soja com aumento de área de 3,4%, o que torna o período um dos melhores para a demanda de trabalho da categoria.
Presidente de sindicato de JF também é contra movimento
Assistente institucional da CNTA, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Autônomos de Juiz de Fora e Região, Wagner Jones de Almeida, endossou a posição contrária da entidade à paralisação. “Garanto ainda que é a posição da grande maioria dos caminhoneiros do Brasil. Os caminhoneiros não estão com este propósito. Em Juiz de Fora e região, o sindicato representa 110 cidades e nenhuma mostrou interesse em parar, como em 2018. Tenho reforçado o posicionamento da CNTA a todos os caminhoneiros que me perguntam sobre a paralisação.”
Questionado sobre a manifestação favorável à paralisação de outras entidades, Wagner admitiu a possibilidade de paralisações pontuais, mas afirmou que entidades como a Abrava e o CNTRC não têm legitimidade junto à categoria. “Acredito que possa haver a paralisação, mas pontual, como em Barra Mansa (RJ) e em cidades do Espírito Santo. Mas olha só: eles param porque não têm representatividade alguma, porque podem forçar alguns caminhoneiros a parar. Agora, entidades que representam a categoria no grau máximo, da CNTA, não vão parar.”









