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Entrevista: Ângela Hirata, consultora


Por Tribuna

21/10/2012 às 08h00

‘Inovar é para todos’

Primeira mulher a ocupar um cargo de diretoria na empresa Alpargatas, proprietária da marca Havaianas, a executiva paulista Ângela Hirata foi a responsável por transformar o tradicional chinelo brasileiro em sucesso de vendas em 80 países. O processo de internacionalização da marca foi um dos temas de palestra ministrado por Ângela na última terça-feira, em Juiz de Fora. Ela participou do seminário Inovar para Crescer, realizado pelo Sebrae. Em entrevista exclusiva para a Tribuna de Minas, a especialista e sócia da Suriana, empresa de consultoria em negócio exterior, falou das oportunidades e desafios do mercado e a importância da inovação como potencial competitivo.

Tribuna de Minas – Existe um mito no mercado de que inovar é só para os grandes?

Ângela Hirata – Sim, mas é uma ideia errônea. Inovar é para todas as empresas, independente do porte. Os grandes negócios hoje inovaram no passado quando eram pequenos. A inovação é possível com criatividade e é necessária para a vida das pessoas, seja no ambiente de trabalho ou em casa. Os recursos são importantes, mas fundamental é o planejamento. Entender onde eu quero chegar, o que eu preciso para atingir essa meta, quantificar o quanto eu tenho para gastar e saber aplicar. E, também, analisar como posso evitar gastos e trabalhar de forma criativa.

– Como micro e pequenas empresas podem se destacar?

– A inovação é um potencial de competitividade. É preciso estar dentro das tendências econômicas de mercado e se preparar para ser mais ágil diante dos concorrentes. Estar à frente é garantir oportunidades de negócio. Também é importante enxergar o que o consumidor deseja, o que ele quer naquele momento.

– O que o consumidor quer? Os desejos mudaram?

– Mudaram sim. O consumidor está cada vez mais exigente. Ele quer qualidade de produto, serviço e atendimento. A classe C vem com um desejo e potencial de consumo muito forte. Além da qualidade, ela prioriza a marca e o status. Nós temos o caso da Avon como exemplo. A marca era voltada para um público consumidor de classe mais baixa. Hoje, ela inovou no formato e na forma de se comunicar para garantir o nicho de mercado.

– A Havaianas viveu um processo semelhante ao da Avon. Como foi?

– Tivemos a preocupação de manter o conceito e a identidade do produto. Inovamos a forma de comunicar. Começamos a publicidade com Chico Anysio e depois demos espaço para outros artistas. As personagens mudam muito até hoje, geralmente, são pessoas jovens que estão na mídia, mas o formato irreverente e bem humorado continua.

– Como foi a internacionalização da marca?

– Conseguimos a respeitabilidade dos compradores. Aprendemos que é preciso dizer não muitas vezes, que nem sempre o cliente tem razão. É fundamental valorizar e acreditar no seu produto. Nosso maior desafio foi colocar a Havaianas no melhor ponto de venda de Paris. Para conseguir, arregaçamos as mangas e fomos para a rua vender. Tem que ter o esforço coletivo e vestir a camisa. Só assim foi possível posicionar a marca, o que era nossa meta.

– O mercado internacional é receptivo para empresas brasileiras?

– Sim, desde que se tenha boa entrega e qualidade de produto. Antes de ir para o mundo, a empresa precisa saber o que quer ser. O mercado internacional é uma alternativa. Eu costumo dizer que onde há pessoas, há business.

– Tradição e inovação são aliadas?

– Sem dúvida. Nós temos como exemplo a Fiat. Modelos como o Uno eram destinados às classes mais baixas, e hoje se tornaram produtos desejados. Uma empresa com mais de 30 anos, tradicional, que tinha público no mercado, mas resolveu inovar para ampliar o número de consumidores, atingir outras camadas.

– Qual o caminho do sucesso?

– Precisa de um bom plano estratégico e um plano de negócios. No início tem que ser um pouco cartesiano, colocar no papel. A capacitação dos funcionários também é muito importante. O colaborador é o maior ativo de uma empresa. Aquele que é motivado, que entende o que a empresa está trabalhando, pode contribuir muito. Também é necessário um bom gestor que tenha segurança e entendimento do que faz e perceba que, mais importante que cobrar, é delegar.