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Mercedes quer dobrar número de funcionários em JF


Por Fabíola Costa*

21/09/2011 às 07h00

Modelo do Actros 2012, que será prpduzido exclusivamente em JF, foi um dos veículos apresentados

Modelo do Actros 2012, que será prpduzido exclusivamente em JF, foi um dos veículos apresentados

Campinas (SP) – A Mercedes-Benz pode dobrar o número de funcionários da planta juiz-forana em 2013, atualmente em torno de 800, a partir do comportamento do mercado aos produtos da marca. A intenção foi anunciada ontem pelo presidente da montadora no Brasil, Jürgen Ziegler, durante o lançamento da linha 2012 dos veículos comerciais. O executivo também afirmou que os projetos na cidade estão garantidos, mesmo com a decisão do Governo federal de elevar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados(IPI) das montadoras que importam veículos, visando a aumentar a utilização de componentes nacionais. "O aumento do IPI não vai mudar os planos para Juiz de Fora", garantiu.

De acordo com Ziegler, estão sendo investidos R$ 450 milhões para adaptação da planta juiz-forana, considerada uma das fábricas de produção de caminhões mais modernas do mundo. A informação é que a conversão está avançada, "com ensaios de produção da nova linha". O início da produção efetiva está confirmado para janeiro de 2012. A meta é que sejam produzidos 15 mil veículos por ano na cidade, exclusivamente os modelos Actros e Accelo. O aumento da utilização da capacidade instalada também depende do comportamento do mercado.

O programa de nacionalização em Juiz de Fora prevê início da produção com 25% a 30% de peças nacionais, passando para 40% em 2013 e chegando a 60% no final de 2014. Segundo o presidente, esta é uma medida importante para redução de custos e ganho para os clientes. O Actros será produzido exclusivamente em Juiz de Fora. A produção do Accelo será dividida com a unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

Ziegler afirmou que 50 trabalhadores que estavam em treinando na Alemanha estão voltando a Juiz de Fora para atuarem como agentes multiplicadores. O presidente destacou a manutenção da força produtiva, mesmo durante o período de adaptação da planta. Destacou a adoção de um novo modelo em que os fornecedores estarão sediados próximos da montadora e da área de produção, unindo a cadeia produtiva e agregando valor à montagem no fornecimento de subprodutos. Pelas contas de Ziegler, cada fornecedor pode multiplicar em 2,5 o número de funcionários diretos da planta.

O investimento na fábrica juiz-forana está entre as medidas adotadas para que a montadora, que é a maior fabricante de veículos comerciais do mundo, recupere a liderança de vendas no segmento de caminhões em 2012. Outra ação foi a ampliação da capacidade na unidade de São Bernardo do Campo, elevando de 65 mil para 75 mil unidades fabricadas por ano. Lá, também foram contratados mil profissionais para a criação de um terceiro turno de trabalho.

Impactos do IPI

De acordo com o vice-presidente de vendas da Mercedes, Joachim Maier, o Actros deve chegar ao mercado com valor médio entre R$ 310 mil e R$ 340 mil. O impacto do acréscimo do IPI será repassado aos veículos importados da Alemanha e deve ser da ordem de R$ 100 mil. Em função da elevação, é esperada queda de 20% nas vendas nos primeiros seis meses de 2012, com perspectiva de recuperação ao longo do ano. O atendimento às novas regras de controle de emissão de poluentes no Brasil e na Europa, respectivamente Proconve P7 e Euro 5, também deve impactar o custo dos produtos, entre 6% e 10%, disse.

A Mercedes-Benz esclareceu, ainda, que a linha produzida em Juiz de Fora não será impactada pelo aumento do imposto, já que os 65% mínimos de nacionalização exigidos pelo Governo federal referem-se à atuação da montadora no Brasil e não ao percentual de um produto específico. Por isso, a nacionalização do Actros, a médio prazo, segue abaixo de 65%. Segundo Maier, a média de nacionalização da Mercedes passa de 70%. Ziegler, no entanto, reconheceu que a medida afeta a montadora, mas garantiu a manutenção de investimentos, operações e pesquisas no país. "Nada vai mudar a médio e longo prazos."

 

*A repórter viajou a convite da montadora