Mercado espera alta de 3% em JF PJF identifica redução de ritmo


Por FABÍOLA COSTA Repórter

20/10/2013 às 08h00

A pouco mais de dois meses para o fim do ano, o mercado financeiro intensifica as apostas em torno do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) – que pode não superar a marca de 2% – e da inflação – sob risco de não conseguir se manter abaixo de 6%, se distanciando do teto (6,5%) e se aproximando do centro da meta do Governo (4,5%). Em Juiz de Fora, dois dos principais setores produtivos reconhecem, com maior ou menor intensidade, os impactos do cenário macroeconômico desaquecido, mas ainda há otimismo. De olho na força da tradição e no apelo comercial da principal data do ano, o Natal, indústria e comércio apostam que há demanda – e tempo – para fechar 2013 com crescimento de até 3% na cidade. O índice parece baixo, mas em um ano marcado por retração de vendas no comércio, queda de faturamento na indústria e redução no ritmo de investimentos na cidade, representa muito.

"Se tivermos um bom trimestre, o comércio pode crescer 3% este ano", acredita o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio), Emerson Beloti. Segundo ele, o desempenho das vendas em 2013 está aquém do esperado, por conta da "instabilidade econômica" e da concorrência das vendas virtuais. Beloti destaca, ainda, o comprometimento de renda dos consumidores, postergando a ida às compras. Em função de vendas "não condizentes", a tendência, na sua opinião, é que não exista incremento dos estoques, podendo levar até à falta de produtos mais disputados no Natal. O desempenho da data, aliás, é considerado uma incógnita. Em relação à empregabilidade, a avaliação é que o comércio continua contratando, embora com menos vigor. Em setembro, o setor criou 488 empregos com carteira assinada, 94% do total de vagas (521) no mês na cidade. "Esse não foi um bom ano para o comércio até agora. Não acredito que os últimos três meses serão espetaculares. O comércio tem sofrido muito, não só em Juiz de Fora."

O último relatório regional elaborado pela Gerência de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) apontou que a atividade industrial na Zona da Mata não retomou o crescimento, conforme indicadores referentes a agosto. A avaliação é que a redução nas vendas para o mercado interno determinou a queda no faturamento. No acumulado do ano, a redução no faturamento real chega a 5,32% ante o mesmo período de 2012. As horas trabalhadas caíram 0,83%, e o emprego cresceu 1,56% na análise dos oito primeiros meses do ano em relação a igual período do ano anterior.

Para o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, o desempenho da indústria juiz-forana é "extremamente razoável", mediante fatores macroeconômicos, como a flutuação do dólar. A expectativa dele é que o setor feche o ano com crescimento entre 2% e 3%. Segundo Campolina, as fábricas estão trabalhando com 84,86% da capacidade instalada. O problema, na sua opinião, é o faturamento, que caiu 3,12% em Juiz de Fora, conforme balanço de agosto. A expectativa de Campolina, no entanto, é de melhoria nas vendas e nos números a partir deste mês. "Tenho certeza que vai melhorar."

Apesar da vocação têxtil, o presidente destaca a importância de atrair indústrias de valor agregado, para que exista ganho de faturamento e aumento da arrecadação. "Só vamos ter crescimento industrial quando tivermos grandes empreendimentos diferenciados entrando na nossa cidade."

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Geração de Emprego e Renda da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), André Zuchi, avalia que o baixo dinamismo da economia nacional afeta Juiz de Fora, assim como as demais cidades. Ele identifica "desaceleração na ânsia dos investidores", postergando a decisão de investimentos e afetando a chegada de novas empresas ao município. "Diminuiu o ritmo, mas o município continua sendo demandado."

Conforme Zuchi, existem hoje 26 empreendimentos em andamento na cidade, do setor de serviços ao industrial. O secretário destaca a fase de consolidação de negócios iniciados há dois anos, mesmo com atraso em alguns, e a expectativa de "colher frutos", principalmente até 2015. Entre as apostas da "política de desenvolvimento", ele cita o projeto do Parque Científico e Tecnológico de Juiz de Fora e Região, a conversão da fábrica juiz-forana da Mercedes-Benz para produção de caminhões – e a esperada transferência de novas linhas de produção para a cidade -, além do Centro de Distribuição da Fiat.

Zuchi destaca a potencialidade dos setores tecnológico, logístico e automotivo no incremento da arrecadação municipal. "A terceira maior cidade do estado em população estar em sexto lugar em arrecadação está errado, mas esse movimento é de médio prazo e está avançando." E completa: "estamos caminhando, mas é preciso ter paciência." Conforme dados da Secretaria de Estado da Fazenda, Juiz de Fora arrecadou cerca de R$ 290 milhões este ano no acumulado até julho, atrás de Belo Horizonte, Betim, Uberlândia, Contagem e Uberaba. Os valores referem-se ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

 

Moderação

Na avaliação do professor de economia do Ibmec Reginaldo Nogueira, os investimentos têm sido moderados, condizentes com a situação econômica. "A economia não cresce, e a inflação se mantém muito acima do razoável. Esse é o cenário desse ano e será o do próximo também." Embora o desempenho do segundo semestre esteja se mostrando melhor que o do primeiro, o final deste ano, na sua opinião, deve ser parecido com o de 2012, com algum crescimento principalmente no consumo das famílias, "mas nada extraordinário".

Para Nogueira, a inflação elevada – até setembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 5,86% em 12 meses – pressiona o consumo das famílias, já que dificilmente as categorias conquistam ganho real, além da recomposição inflacionária. Embora espere recuperação no crescimento em dezembro, Nogueira não acredita que este Natal será melhor do que o que passou.