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Alta dos alimentos pesa no bolso do juiz-forano


Por Mariana Nicodemus

20/07/2012 às 07h00

Tomate é o maior vilão, com alta de 125%

Tomate é o maior vilão, com alta de 125%

O bolso do consumidor juiz-forano tem sofrido com a alta nos preços dos alimentos. Seja comendo em casa ou na rua, os moradores da cidade viram a quantia disponibilizada para a alimentação subir mais que o triplo da inflação oficial em um ano. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, aponta acréscimo de 7,33% no valor de comidas e bebidas no país nos últimos 12 meses, a cesta básica ficou 26,5% mais cara em Juiz de Fora no mesmo período, de acordo com levantamento semanal da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA) da Prefeitura. A refeição fora de casa subiu 8,84%, pelo IPCA. O consumidor que come em restaurantes já percebeu altas de até 20% nos preços praticados por estabelecimentos locais.

Dos 13 produtos pesquisados pela SAA, apenas dois (leite tipo C e açúcar cristal) tiveram os preços reduzidos nos últimos 12 meses. O tomate foi o grande vilão da alta acumulada no período: o quilo, que custava R$ 2,31 em julho do ano passado, mais que dobrou de preço, e sai, agora, por R$ 5,22 (ver quadro). O feijão preto e a batata inglesa tiveram os preços inflacionados em 63,6% e 43,1%, respectivamente, enquanto quem compra manteiga comum gasta atualmente quase 40% mais que há um ano. Hoje, uma família de quatro pessoas, considerando dois adultos e duas crianças, precisa desembolsar R$ 740,19 para comprar a cesta básica. O valor individual da cesta – R$ 246,73 por pessoa – equivale a 43,12% do salário mínimo líquido, ou a 13 dias de trabalho.

O aposentado Dejair Dalpra, 57 anos, se diz "apavorado" com os preços dos alimentos. "Toda semana eu compro as mesmas coisas, no mesmo estabelecimento, e sempre aumenta a conta. Só o meu salário que não acompanha", conta o aposentado, que deixa cerca de R$ 220 nos caixas do supermercado a cada semana. "Há um ano, eu gastava cerca de R$ 130." Já a bordadeira Gisele Neves de Oliveira, 28, estima que esteja gastando até R$ 70 a mais que em julho de 2011 a cada ida ao mercado. "Tenho gastado uns R$ 200 por quinzena, sem carnes, que prefiro comprar no açougue."

"Está tudo mais caro", concorda a artesã Maria Aparecida Silvério, 49. "Hoje, mesmo sem a carne e sem o feijão, os mesmos R$ 400 com os quais eu comprava muita coisa no ano passado, não dão para quase nada", conta, destacando que são oito pessoas para alimentar na família. Mesmo fazendo algumas refeições na rua, o gerente Thiago Loures Almeida, 31, também tem sentido no bolso o peso da inflação. "Os preços aumentaram bastante, principalmente os de legumes e frutas. Chego a gastar R$ 400 por mês de supermercado", diz o chefe de uma família de quatro pessoas.

Exportação e custos

Os motivos para a variação dos preços de gêneros alimentícios no Brasil vão além das implicações climáticas e períodos de entressafra, condições que costumam impactar a produção. De acordo com o professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Samy Dana, dois fatores econômicos têm contribuído para o encarecimento da alimentação nos últimos anos: "Com os commodities internacionais (produtos primários com preço determinado pela oferta e procura mundial) mais caros, o produtor brasileiro tem condições melhores para exportar seus produtos. Então, como pagam melhor lá fora, para ter a mercadoria aqui dentro do país também é preciso pagar mais", explica.

Ao mesmo tempo, o aumento da renda do brasileiro e, consequentemente, do poder de compra, tem deixado empresários do setor atentos para a possibilidade de aumentar os preços sem perder consumidores. Para Dana, as perspectivas são pessimistas. "É preciso rever o ‘custo Brasil’, isto é, investir em infraestrutura, tanto para educação, saúde, transporte etc, para conseguir reduzir custos e oferecer qualidade de vida melhor. Assim, será possível comprar mais coisas com os mesmos R$ 100, por exemplo. Caso contrário, os preços continuarão subindo e nós, consumidores, teremos que pagar por estes custos salgados."

Comer fora está até 20% mais caro

Enquanto o IPCA aponta aumento de 8,84% nos últimos 12 meses no valor cobrado pela refeição fora de casa, em Juiz de Fora a alta dos alimentos, acima da inflação oficial, têm impactado também os preços nos restaurantes. Somado a acréscimos nas contas de luz, gás, aluguel e salários de funcionários, o aumento da matéria-prima do setor obrigou empresas a subirem os preços em até 20%, além de absorver parte da inflação para não afastar a clientela.

Foi o que aconteceu na Maxi Pão, que reajustou o valor cobrado pelo quilo da comida no buffet em 20% para poder dar continuidade ao serviço ofertado. Hoje, os consumidores pagam R$ 41 por quilo, durante a semana, e R$ 47, aos sábado e feriados. "Não temos como trabalhar com prejuízo, então precisamos repassar alguns acréscimos para as mercadorias. Uma caixa de tomate, por exemplo, mais que dobrou de preço de um ano para cá, mas não temos como cobrar isso do cliente diretamente", explica o gerente comercial da casa, Rafael Zaiden da Mota.

Já a Churrasqueira trabalha com um aumento anual de 5%, além de repassar para os pratos metade do percentual de aumento no quilo da carne, especialidade do restaurante. "A carne ainda tem os altos custos de armazenamento, então, se jogamos tudo para o cardápio, cai o movimento", explica o gerente, Luiz Fernando de Souza. O problema é o mesmo no Vó Sinhá, que reajustou o valor do quilo em 10% este ano, chegando a R$ 45. "Não são só os alimentos que estão subindo, mas também, aluguel, luz, gás, salários, ainda que, oficialmente, não haja grande inflação. Não conseguimos acompanhar, então notamos que, nos últimos cinco anos, nossa lucratividade vem caindo muito", conta o proprietário da casa, Gustavo Mendes Gerheim.

Apesar de apenas parte da inflação que atinge os restaurantes chegar aos clientes, os percentuais já são suficientes para afetar o bolso de quem precisa comer fora de casa diariamente. A estilista Olívia Aragão, 28 anos, investe pelo menos R$ 300 mensais só em almoços durante a semana, cerca de R$ 60 a mais do que gastava há um ano. Alternando entre restaurantes self-service e refeições prontas, Olívia conta que um dos estabelecimentos onde costuma almoçar reajustou o preço do quilo de comida em R$ 5 recentemente, passando de R$ 31,90/kg para R$ 36,90/kg. "Não tenho condições de comer em casa porque moro longe, mas com certeza faria uma boa economia se isso fosse possível", conta a estilista, que mora no Bairro Salvaterra e trabalha no Alto dos Passos. A publicitária Carol Frossard, 32, também observou aumento de mais de 10% nos valores cobrados nos restaurantes onde almoça três vezes por semana. Agora, são mais de R$ 200 por mês com as refeições fora de casa. "A falta de tempo me obriga a comer na rua, e acaba pesando um pouco no orçamento."

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