Bancários interrompem atividades a partir desta quinta-feira


Por Tribuna

19/09/2013 às 07h00

Bancários se reuniram para organizar o movimento

Bancários se reuniram para organizar o movimento

Os bancários de Juiz de Fora iniciam greve nesta quinta-feira (19), seguindo movimento nacional. A estimativa da categoria é de adesão entre 55% e 60% já no primeiro dia, não apenas nos bancos públicos, mas também nos privados. A base reúne 2.200 trabalhadores na região, sendo 1.300 na cidade. A paralisação por tempo indeterminado é uma forma de pressionar os banqueiros a avançarem nas negociações salariais iniciadas em agosto.

Na pauta de reivindicações estão reajuste de 11,93% (reposição da inflação acrescida de ganho real de 5%), Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários do bancário mais R$ 5.553 fixos, equiparação do piso atual (R$ 1.570) ao salário mínimo previsto pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (R$ 2.820), ampliação do horário de funcionamento dos bancos, das 9h às 17h, com a criação de dois turnos de trabalho, além de melhorias nas condições de trabalho e fim do assédio moral e das metas abusivas.

Nesta quarta-feira, a categoria realizou assembleia para organizar o movimento. A greve havia sido deliberada em assembleia realizada no dia 12 deste mês. "A insatisfação é grande com as condições de trabalho", justifica o presidente do Sindicato dos Bancários de Juiz de Fora, Robson Marques. Para ele, a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), apresentada no dia 5 deste mês – reajuste de 6,1% – é um "descaso" com os trabalhadores.

A Fenaban, por meio de nota, afirma que, ao longo dos últimos 20 anos, a convenção coletiva de trabalho do setor evoluiu de forma significativa, "resultando numa valorização constante do processo de negociação, que a diferencia e a torna única em relação a outras categorias profissionais". O posicionamento é que o piso salarial da categoria subiu mais de 75% nos últimos sete anos e os salários foram reajustados em 58%, ante inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 42%.

Com a proposta de reajuste de 6,1%, o salário para bancários que exercem a função de caixa passaria para R$ 2.182,36 para jornadas de seis horas.

 

Funcionários dos Correios em JF aderem a greve

Enquanto aguardam o julgamento do dissídio pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), os funcionários dos Correios em Juiz de Fora decidiram cruzar os braços. Conforme o sindicato de classe, 40 dos cerca de 400 trabalhadores da cidade estão paralisados desde esta quarta-feira. Para os Correios, o percentual de adesão é de 3,86% no município. O atraso na entrega de cartas e encomendas é considerado inevitável pela categoria. Os Correios, no entanto, apostam no Plano de Continuidade de Negócios, com a adoção de horas extras, mutirão para entrega no fim de semana e deslocamento de empregados entre as unidades para garantir o atendimento.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios em Juiz de Fora, João Ricardo Guedes, o percentual de adesão é pequeno, mas "está fazendo a diferença". A adesão ao movimento nacional foi decidida em assembleia na noite de terça-feira. Nesta quarta-feira de manhã, os trabalhadores fizeram ato na Rua Espírito Santo. Nesta quinta-feira, está prevista nova mobilização nas unidades, em busca da "conscientização do trabalhador". O movimento, segundo Guedes, segue até a decisão do TST.

Na terça-feira, o Tribunal Superior do Trabalho determinou a distribuição do dissídio dos Correios para julgamento, em data a ser definida. A proposta dos Correios chegou a ser aceita por cinco sindicatos (Rio de Janeiro, São Paulo, Rondônia, Rio Grande do Norte e Bauru), e compreende reajuste de 8% nos salários (6,27% de reposição inflacionária e 1,7% de ganho real), reajuste de 6,27% nos benefícios e vale-extra de R$ 650,65, a ser creditado em dezembro. A categoria reivindica 15% de ganho real, além de reajuste linear de R$ 200.

Por nota, os Correios afirmaram que 93,39% dos empregados continuam trabalhando no país, apesar de 28 sindicatos terem deflagrado paralisação por tempo indeterminado em 22 estados. A informação é que a maioria dos serviços está disponível – com exceção de postagem, entrega e coleta de encomendas com hora marcada nos locais com paralisação em curso, como é o caso de Juiz de Fora.