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Número de benefícios sobe 16%


Por GRACIELLE NOCELLI

18/11/2012 às 07h00

O número de pedidos de seguro-desemprego feitos em Juiz de Fora no período entre janeiro e setembro deste ano já é quase 16% maior do que o total contabilizado em todo o ano de 2011, conforme dados disponibilizados pela Secretaria Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE-MG). Nos três primeiros trimestres de 2012, foram realizados 18.647 requerimentos, enquanto no ano passado foram solicitados 16.114 benefícios do tipo. Os dados da SRTE-MG revelam ainda que o valor pago pelo auxílio na cidade já soma mais de R$ 36 milhões e corresponde a 2,7% do pagamento total feito em Minas Gerais (mais de R$ 1,3 bilhão).

Segundo a gerente regional do Trabalho e Emprego em Juiz de Fora, Nila Magalhães, o aumento pode ser explicado pela alta rotatividade no mercado. O número de requerimentos de seguro-desemprego cresceu devido ao turnover que estamos presenciando. Ela lembra que o saldo empregos formais (diferença entre as contratações e as demissões de trabalhadores com carteira assinada) de 5.527 novos postos de trabalho verificado no acumulado até setembro deste ano pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é 27% maior do que o constatado no mesmo período do ano anterior, quando foram criados 4.347 vagas.

Os dados do Caged mostram também que o setor de serviços foi o principal responsável pelo aumento do número de contratações na cidade. No período analisado, o segmento teve saldo positivo de 4.671 oportunidades, resultado da diferença entre as 29.327 admissões diante das 24.656 demissões. Já o comércio obteve o pior saldo, ficando negativo em 418 vagas. Foram 14.955 desligamentos e 14.537 contratações de janeiro a setembro.

Para o presidente do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF), entidade representativa de ambos os setores, Emerson Beloti, a situação é reflexo das oportunidades criadas pelo próprio mercado. O segmento de serviços vive período de expansão e tem atraído colaboradores de outras áreas, sobretudo, do comércio e da construção civil.

Com relação aos desligamentos, Beloti afirma que, apesar de boa parte ser feita por iniciativa das empresas, há muitos casos em que o empregado provoca a demissão.Desta forma, diz ele, o trabalhador garante o direito ao seguro-desemprego. Ainda existem pessoas que enxergam o seguro como negócio e preferem esperar o término do benefício para se reinserirem no mercado.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego de Minas Gerais (Sete-MG), o órgão não possui informações sobre o número de trabalhadores que deram entrada no seguro-desemprego e que abriram mão do benefício para se recolocarem no mercado de trabalho. Entretanto, a diretora da Sete regional da Zona da Mata, Martha Schmidt, diz que é comum casos em que as pessoas esperam o término do benefício para poderem trabalhar com carteira assinada. Nossa meta é justamente bloquear o uso indiscriminado do seguro. Para isso, ela ressalta que o Governo tem investido no sistema Mais Emprego e no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Enquanto o Mais Emprego consiste em cadastrar o segurado em um banco de dados com vagas de emprego compatíveis com o seu perfil, o Pronatec encaminha o trabalhador para cursos de qualificação na área em que ele atua. Ainda é cedo para avaliar resultados das medidas em Juiz de Fora, ambas estão passando por ajustes, diz Martha Schmidt.

Análise

Na análise do professor da faculdade de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Ricardo Freguglia, as medidas do Governo aumentam o dinamismo econômico uma vez que reduzem o tempo que os segurados ficam fora do mercado de trabalho. A partir do momento em que são oferecidas oportunidades de trabalho e qualificação profissional, é possível perceber se os colaboradores estão fazendo uso adequado do benefício. É uma maneira de constatar se o segurado tem tido dificuldades de encontrar emprego ou se está acomodado com a situação.

Para o economista, os casos de acomodação ocorrem principalmente pela comparação entre os salários oferecidos na cidade e o valor do benefício. Nos casos em que a remuneração é semelhante, o profissional prefere continuar recebendo a parcela do auxílio. Em outras situações, ele diz que os trabalhadores se direcionam para atividades não regulamentadas. Há pessoas que complementam a renda do seguro-desemprego com trabalhos informais. Mas vale destacar que este é um uso incorreto do benefício.

4.479 vagas estão em aberto no município

Em Juiz de Fora há 4.479 vagas de emprego em aberto, conforme levantamento realizado pela Tribuna no site JF Empregos, ferramenta da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (SPDE) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), Balcão de Empregos do Sindicato do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio-JF) e Sistema Nacional de Empregos (Sine). As oportunidades são para diferentes áreas e exigem desde o 1º grau incompleto até curso superior dos candidatos.

O servente de pedreiro Marcos Paulo Almeida, 26 anos, é um dos profissionais que aguarda com ansiedade a reinserção no mercado de trabalho. Desempregado há um mês, ele entrou com pedido de seguro-desemprego no final de outubro. Ele conta que, como não sabia de todos os documentos necessários para solicitar o benefício, o processo atrasou um pouco. No entanto, ele adianta que não pretende depender muito tempo do seguro. Já estou procurando emprego, quero encontrar algo fixo.

O pensamento de Marcos Paulo foi diferente do da jovem N.C.S, de 24 anos, que preferiu não se identificar. No ano passado, ela desistiu de uma oportunidade de emprego com carteira assinada para continuar recebendo o seguro-desemprego. Na época, achei mais vantajoso, pois queria iniciar a faculdade, e o horário do novo trabalho não permitiria que eu me dedicasse. Abri mão do emprego e continuei recebendo o benefício.

O economista Ricardo Freguglia explica que um dos reflexos negativos do uso inadequado do seguro-desemprego na economia é a falta de profissionais no mercado. Quando o trabalhador opta por ficar parado recebendo o benefício, corre-se o risco de um apagão de mão-de-obra.

53 pessoas podem perder seguro em JF

De agosto a outubro, quando foi implantado o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) na cidade, 115 trabalhadores juiz-foranos que recebem o seguro-desemprego foram encaminhados para cursos de qualificação profissional. Deste total, 62 se matricularam e participam atualmente de processos de capacitação. As informações são da Secretaria de Estado de Trabalho e Emprego (Sete). De acordo com o órgão, os outros 53 profissionais que não participam da qualificação correm o risco de ter o benefício cortado pelo Ministério do Trabalho e Emprego a qualquer momento.

A participação em cursos do Pronatec faz parte da medida do MTE implantada em abril deste ano pelo decreto 7.721, que define que os trabalhadores que solicitarem o seguro-desemprego três vezes no prazo de dez anos terão, obrigatoriamente, que passar por processo de qualificação.

A medida, conforme explica a gerente regional do Trabalho e Emprego em Juiz de Fora, Nila Magalhães, se deve ao entendimento de que a falta de qualificação é um dos gargalos para a rotatividade do mercado de trabalho. A proposta é ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica para que as pessoas possam se qualificar ou requalificar e, assim, tornarem-se aptas para as vagas ofertadas.

Na avaliação da diretora da Sete regional da Zona da Mata, Martha Schmidt, Juiz de Fora possui vasta oferta de capacitação para os profissionais. O trabalho da secretaria é realocar os trabalhadores no mercado, e percebemos que hoje só não se qualifica quem não quer. Ela destaca que as entidades do Sistema S (Senai, Senar e Senac) e os empregadores do município estão engajados em fornecer treinamentos para os colaboradores.