Suspensa venda da TIM em Minas Gerais a partir de 2ª
O crescente número de reclamações de usuários de telefonia e internet móvel levou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a suspender ontem a venda de novas linhas pelas operadoras com piores indicadores de qualidade em cada estado. Em Minas Gerais, apenas a TIM foi afetada. A partir de segunda-feira (23), a operadora está impedida de comercializar novos pacotes em 19 estados, enquanto Oi e Claro não podem habilitar novos números, respectivamente, em cinco e três unidades da federação, de acordo com dados da Agência Estado. A medida não atinge clientes antigos. Em Juiz de Fora, o Procon abriu investigação preliminar para levantar informações sobre a qualidade do serviço prestado pelas quatro empresas que atuam na cidade (TIM, Oi, Claro e Vivo).
Ainda segundo a Agência Estado, o presidente da Anatel, João Rezende, informou que as operadoras terão que apresentar planos de investimentos e resolver todas as demandas de clientes em até 30 dias. As vendas só poderão ser retomadas após a verificação do cumprimento dessas obrigações. As empresas que desrespeitarem as medidas estarão sujeitas à multa diária de R$ 200 mil. Apesar de não terem sido punidas, Vivo, Sercomtel e CTBC também terão que apresentar planos de investimentos à Anatel. Para Rezende, entre as causas para a piora da qualidade dos serviços estão o aumento da base de clientes e o crescimento da utilização de redes sociais por meio de dispositivos celulares, modems móveis e tablets.
Mesmo os juiz-foranos que não utilizam a internet 3G enfrentam problemas para fazer e receber ligações e, até mesmo, enviar mensagens de texto pela rede da TIM. Cliente da operadora há cerca de cinco anos, a fisioterapeuta Rayla Amaral Lemos afirma que tem percebido piora no serviço nos últimos meses. "Muitas vezes não consigo completar a ligação, ou o sinal cai no meio da conversa. Sinto que à noite a situação é pior." A publicitária Deise Vargas enfrenta o mesmo problema. "Estou falando pela TIM e a ligação está picotando", comentou enquanto conversava com a Tribuna, na noite de ontem. "Trabalho no Bairro São Mateus, na área Central, e não tem sinal. E o envio de mensagens é bem problemático, porque às vezes a pessoa só recebe no dia seguinte." O estudante Jonas Muniz de Almeida conta que chegou a ficar um dia inteiro com o celular fora de serviço. "Depois fui saber que tinha um monte de gente tentando falar comigo, sem conseguir. Na Rua São Mateus e na Avenida Independência (Presidente Itamar Franco), no Centro, não pega. E se não tem sinal, não tem acesso à internet 3G", reclama.
As queixas quanto ao sinal das operadoras de telefonia celular são constantes no Procon JF. A situação levou o órgão a expedir ontem ofício com dez questionamentos às empresas que operam na cidade, incluindo localização das antenas transmissoras, bairros totalmente e parcialmente cobertos e locais onde sinal sofre interferências. TIM, Oi, Claro e Vivo têm 20 dias para apresentar os dados solicitados. "Caso as respostas não sejam satisfatórias e sejam confirmadas as reclamações dos clientes, pediremos na Justiça a não comercialização de novas linhas e a suspensão do sinal na cidade, pois é absurdo o consumidor pagar por um serviço que não pode ser oferecido", afirma o superintendente do Procon JF, Carlos Alberto Gasparete.
Sindicato das empresas de telefonia ‘surpreso’ com medida
O Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) se declarou surpreso com a medida da Anatel. Para o sindicato, a decisão prejudica a população e não elimina os problemas existentes. "O setor afirma que a suspensão das vendas só traz prejuízos para a população e não resolve os eventuais problemas de qualidade dos sinais de telefonia móvel. A proibição da venda, além de restringir o cidadão na sua escolha de novos planos e serviços, pode afetar uma série de pequenas empresas, que têm como principal fonte de receita a venda de chips de celulares, comprometendo inclusive a oferta de postos de trabalho", afirmou o sindicato em nota.
O SindiTelebrasil reclama que "a decisão foi baseada em queixas apresentadas ao call center da Anatel, que não revelam as reais condições das redes que suportam os serviços", e que vem cobrando das autoridades mudanças que permitam uma melhor infraestrutura.
Para o superintendente de Serviços Privados da Anatel, Bruno Ramos, a expectativa é de que as companhias procurem a agência nos próximos dias para apresentar seus planos de investimentos e a resolução das reclamações dos usuários. Segundo a Agência Estado, Ramos afirmou não ser interessante "que uma empresa fique muito tempo fora de um determinado mercado, pelo contrário, queremos mais competição." De acordo com o superintendente, mesmo após a aprovação dos planos de investimentos de todas as companhias, a Anatel continuará monitorando a qualidade das redes mensalmente. Ele afirmou, ainda, que as medidas adotadas pelo órgão forçarão as operadoras a aumentar seus investimentos nas redes 3G, sem comprometer a instalação das redes de quarta geração (4G).









