Supermercados faturam mais de R$ 1 bi por ano

Bahamas investiu R$ 2,5 mi em loja na Sto. Antônio
O setor supermercadista de Juiz de Fora vive um momento de forte expansão. Atravessou as últimas crises praticamente ileso e, mesmo diante de instabilidades na economia, está avançando nos planos de ampliação. Várias redes já estão com novos investimentos previstos para 2012, embora prefiram não detalhar seus projetos. Motivado pelo aumento do poder aquisitivo da população e pelo crescimento das classes C e D, o faturamento anual do setor na cidade já supera a cifra de R$ 1 bilhão. A expectativa, segundo as empresas ouvidas pela Tribuna, é crescer uma média de 10% este ano, projeção maior que a do estado (entre 4,5% e 5%), e que a do país, de 4% segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
As seis principais redes ouvidas pela Tribuna (Bahamas, Bretas, Carrefour, Supermais, Rede Unida e Sales) empregam cerca de seis mil funcionários. Na cidade, segundo a Associação Mineira de Supermercados (Amis), são cerca de 200 estabelecimentos de autosserviço, dos quais 35 grandes mercados varejistas e atacadistas. Com base nos números da Amis, Juiz de Fora tem um supermercado para cada 2.588 habitantes, média um pouco maior que a registrada na capital, Belo Horizonte: de um para cada 2.375 pessoas. Em Minas Gerais, a média é de um supermercado para cada 2.885 pessoas.
Para o vice-presidente regional da Amis, Álvaro Pereira Lage Filho, as expectativas são boas para o setor. "Juiz de Fora está em ritmo de crescimento e retomada da economia. Novas indústrias e serviços na cidade estão contribuindo para essa projeção." Segundo ele, o principal fator que tem estimulado as vendas é o aumento do poder de compra das classes C e D. "Tudo isso em função da estabilidade da economia brasileira e de programas do Governo voltados para a melhoria de renda, estímulos à indústria e ao comércio, aumento de emprego e ações de distribuição de renda, como o Bolsa Família."
Com um faturamento de R$ 760 milhões no último ano, a rede Bahamas planeja um crescimento de 14% em 2011, após fechar 2010 com um faturamento 9,21% maior que no ano anterior. O grupo, que ocupa a quarta colocação no ranking da Abras em Minas Gerais, possui atualmente 19 lojas em Juiz de Fora, sendo 15 com a bandeira Bahamas, três com a bandeira Empório e uma de atacado e varejo, que é a bandeira Bahamas Mix. Na região, a rede possui outras oito lojas. Só na cidade, emprega 3.161 profissionais. Apesar da possibilidade de aumento de inflação e crise na indústria, o diretor comercial do Bahamas, Jovino Campos, diz que as perspectivas são otimistas. "Mesmo no momento em que havia um pessimismo no setor produtivo, o varejo de supermercado não parou de crescer."
Lançado recentemente, com investimentos de aproximadamente R$ 35 milhões, o Centro de Distribuição do grupo, localizado na rodovia BR-040, em frente à entrada para Lima Duarte, concentra toda a estrutura comercial(diretoria, setor de compras, departamento financeiro), além da armazenagem de produtos que serão encaminhados unicamente para as lojas da rede.
Redes planejam expansão para 2012 na cidade
Na rede Bretas – que possuía oito lojas na cidade a acabou de inaugurar mais uma, no Bairro São Pedro – a previsão é fechar 2011 com faturamento 12% maior que no ano anterior. Segundo o diretor regional do grupo, Rodrigo Diniz, o Bretas está planejando a inauguração de mais duas unidades no próximo ano. O local, contudo, não foi informado.
De acordo com Diniz, o aumento do poder de compra das classes C e D fez com que a rede redirecionasse seus projetos e investisse mais na comercialização de eletroeletrônicos nas lojas. "Esse crescimento é muito claro para nós e resolvemos diversificar nesse sentido."
Na Rede Unida, que possui 16 lojas em bairros periféricos da cidade, o faturamento anual chega a R$ 20 milhões. Segundo o presidente da empresa, Moacir Salgado, o grupo está planejando expansões, com reforma das lojas e também a abertura de mais uma ainda este ano. Para ele, o aumento da renda já reflete diretamente no perfil dos produtos adquiridos nas unidades. "Estamos percebendo pessoas trocando alguns produtos por outros de maior qualidade."
Tíquete médio
A rede Supermais, que nasceu em Leopoldina, mas hoje tem sua sede em Juiz de Fora, além das quatro lojas, também planeja a expansão, com mais duas até o final de 2012. Hoje, o faturamento anual da rede é de R$ 60 milhões. Segundo o supervisor Marco Aurélio Pereira Silva, o crescimento do setor é reflexo do crescimento do consumo. Ele estima aumento entre 10% e 15% no valor do tíquete médio (R$ 35) na comparação com o ano passado. "As pessoas estão comprando mais e produtos mais caros."
O Carrefour não divulga seu faturamento e planos para a cidade. Desde agosto deste ano, a rede fechou 14 lojas consideradas deficitárias no país. Na cidade, contudo, "não há possibilidade de fechamento da loja" segundo sua assessoria de imprensa. Inaugurada em 1998, a rede conta hoje com 270 funcionários.
Repositor lidera contratações
O cargo de repositor de mercadorias é o que possui o maior saldo de empregos em Juiz de Fora nos últimos anos. Segundo levantamento realizado junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram admitidos para essa função 3.455 profissionais na cidade entre 2003 e agosto deste ano (período disponível no cadastro), número 80% maior que o segundo principal cargo, o de servente de obras (com saldo de 1.922).
Este ano, de acordo com o Caged, o setor só não liderou as contratações devido às admissões feitas na área de telecomunicações, que contou com a abertura de uma empresa e reativação de outra. O saldo no cargo de repositor de janeiro a agosto deste ano foi de 404 novas vagas. O de operador de telemarketing lidera com 488 postos criados.
Um dos fatores que tem desestimulado a procura pelas vagas são os salários. Segundo números do Caged, o salário médio de admissão pago para o cargo no último mês foi de R$ 554,86. "Percebemos uma migração dos trabalhadores para a indústria. As principais reclamações são que o trabalho é desgastante, não podem contar com domingos ou feriados e que o salário é baixo e não há muitos benefícios sendo oferecidos", destaca o vice-presidente do Sindicato dos Comerciários, Wagner França.
Diante dessa situação, o Sindicato dos Empregados do Comércio está pleiteando um aumento do piso dos trabalhadores (hoje de R$ 590) e outras formas de gratificação específicas para os empregados do setor. "Ao contrário de quem trabalha em lojas, o funcionário do supermercado não conta com comissões, por isso estamos querendo criar um benefício específico para eles", diz França.
Setor enfrenta falta de mão de obra
Apesar do bom momento, o ramo supermercadista corre o risco de crescer menos do que espera por falta de profissionais. Atualmente, 10% vagas abertas no município não foram preenchidas devido à carência de trabalhadores, segundo a Amis. Para o fim de ano, o percentual pode crescer ainda mais em função da necessidade de reforçar os quadros para as vendas de Natal e Ano Novo. Para a maioria das vagas, no cargo de repositor de mercadorias, não há necessidade de experiência anterior, apesar de haver a exigência de ensino médio concluído em vários estabelecimentos.
Segundo o diretor comercial da rede Bahamas, Jovino Campos, é necessário voltar as atenções para esta questão, para que a falta de profissionais não trave o movimento de crescimento do grupo. "Talvez hoje seja um dos grandes problemas que encontramos no processo de expansão da rede. Mas não é um problema específico do Bahamas ou do comércio. Outros setores produtivos também sofrem, como a construção civil."
Ainda segundo o diretor, o setor de recursos humanos do grupo tem investido em ações para atrair profissionais. "A expansão prevista para os próximos anos é de chegar a 50 lojas, o que significaria 50 gerentes, 50 subgerentes. São centenas de cargos à disposição."
O diretor regional do Bretas, Rodrigo Diniz, também diz que não tem encontrado profissionais qualificados há algum tempo. "Para funções como padeiro, açougueiro, a dificuldade é ainda maior, pois exige qualificação específica." Já o presidente da Associação Rede Unida, Moacir Salgado, diz que cerca de 50% de suas vagas não são preenchidas por falta de trabalhadores interessados. Ainda de acordo com ele, a maior parte das pessoas que hoje ingressam no setor é formada por trabalhadores em seu primeiro emprego.
O problema é identificado em todo o país. Segundo a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), o setor vivencia um déficit de cem mil vagas devido à falta de mão de obra qualificada. Segundo o presidente da Abras, Sussumu Honda, o "apagão de mão de obra" pode ser solucionado com capacitação. "Há uma responsabilidade social nesse aspecto de também fazer uma capacitação e não esperar que o Governo faça."









