Quiral investe R$ 10 milhões para retomar produção de medicamentos
Depois de dois anos de portas fechadas, a Quiral Química do Brasil prepara-se para reiniciar as operações comerciais em Juiz de Fora. O investimento previsto para retomar a produção de medicamentos chega a R$ 10 milhões. Não foi divulgada a perspectiva de contratações. A intenção é iniciar as atividades entre outubro e novembro, segundo o diretor-presidente, Antônio Salustiano Machado.
Conforme Salustiano, a fase atual é de licenciamento ambiental. No mês passado, a empresa solicitou as licenças prévia e de instalação para atividades e fabricação de medicamentos alopáticos para uso humano. O processo está em análise no Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema/JF). Segundo o diretor-presidente, a intenção é reformar o prédio, retomar o corpo técnico de 2011 e obter a inspeção e a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Nos próximos quatro meses, estaremos em operação sem produção, nem vendas", explica. Nessa retomada, a Quiral contará com outros parceiros comerciais, cujos nomes são preservados.
Segundo o diretor-presidente, a retomada só será possível graças a obtenção, junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), da patente do princípio ativo docetaxel anidro, uma melhoria do medicamento para tratamento de câncer que era comercializado pela Quiral. Conforme Salustiano, a partir de uma formulação com redução de água (menos de 1%), obteve-se uma solução concentrada injetável cuja estabilidade aumentou de 12 meses para mais de 30 meses em temperatura ambiente. "Esse novo produto tem maior qualidade técnica, eficácia clínica e segurança", afirma. A patente, segundo ele, estende-se a Brasil, Europa e Estados Unidos.
O motivo do fechamento em 2011 foi a disputa judicial pelos direitos do princípio ativo docetaxel triidratado, usado em medicamento produzido pela Quiral cuja patente foi reivindicada pela então Aventis Pharma, atual Sanofi. Ao longo do trâmite, a indústria juiz-forana chegou a perder a patente do medicamento para a multinacional francesa. O produto em questão representava 85% do faturamento da Quiral. A ação judicial ainda está em curso. À Tribuna, a Sanofi disse que não faz comentários sobre temas em andamento no judiciário, mas esclareceu que "sempre defenderá os seus direitos na forma da lei".
A empresa
A Quiral Química do Brasil foi a primeira indústria de base tecnológica do país, dentro do setor químico-farmacêutico, a ser incubada em uma instituição de ensino superior, a UFJF. Manteve-se por mais de 20 anos no mercado até que, em 2011, entrou num estágio de "temporária hibernação", como definiu Salustiano.










