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Mercado local enfrenta escassez de mão de obra


Por Tribuna

16/04/2011 às 07h00

 

Mão de obra qualificada e que consiga atender o volume exigido pelo mercado. Para os empregadores, esta é uma situação distante da realidade de Juiz de Fora. O assunto é unanimidade nos mais variados setores. No comércio, faltam vendedores e auxiliares administrativos com conhecimento tributário. No setor de bares e restaurantes, a procura é por ajudantes de cozinha, cozinheiros e garçons. Entre as indústrias gráficas, a dificuldade é encontrar profissionais que saibam trabalhar com impressão offset.

Para o presidente do Sindicato do Comércio (Sindicomércio) de Juiz de Fora, Emerson Beloti, a situação é consequência da queda da taxa de desemprego no país. "Há dois anos, a média nacional de desemprego era de 8 a 10%. Em 2010, houve um crescimento na indústria, e hoje, essa média caiu para 4,5 a 5%", afirmou Beloti. Desse total, 50% estão vinculados ao seguro-desemprego, segundo o presidente do Sindicomércio, o que faz a média cair ainda mais, girando em torno de 3%. "A cada cem pessoas, três estão procurando emprego. O número é pequeno, temos poucas opções de escolha e fica ainda mais difícil preencher o perfil desejado pela empresa", comenta. Assim, além da falta de qualificação no mercado, há também uma baixa oferta. Para o movimento de vendas do dia das mães, data comemorada em maio, o sindicato prevê a abertura de 300 oportunidades temporárias, que não devem ser preenchidas pela falta de pessoas qualificadas. "Na minha loja, por exemplo, estou desde fevereiro fazendo seleção para o quadro total de dez funcionários e ainda não consegui preencher as vagas", conta Beloti.

Outro problema apontado por ele é referente à mão de obra masculina. Para Beloti, as mulheres estão se aperfeiçoando mais do que os homens e ganhando espaço no mercado. Só que, em alguns setores, a presença deles ainda é essencial. "As empresas de confecção, sapatarias, farmácias estão sofrendo menos que, por exemplo, lojas de construção, de ferragens, do ramo pesado. Nestas, o trabalho ainda é predominantemente masculino e faltam vendedores."

Para superar a ausência de profissionais que atendam às exigências das empresas, bares e restaurantes estão investindo no treinamento dos funcionários. "Se for procurar com experiência, não acha ninguém para trabalhar. Falta desde o atendimento de salão até o ajudante na cozinha", relata o diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) JF Luiz Cézar Menezes. A saída é, segundo ele, além da capacitação, investir em uma remuneração diferenciada. "Precisamos privilegiar o treinamento dentro da própria empresa e, depois, fazer o polimento desse funcionário para tentar mantê-lo satisfeito no ambiente de trabalho. Além disso, apresentar um salário considerado interessante para aqueles que não possuem experiência no ramo", diz Luiz Cézar.

Cursos para capacitar profissionais

As empresas que trabalham com impressão, seja de catálogos, revistas ou jornais, vivem o mesmo problema. Ainda é difícil encontrar profissionais que saibam manusear os equipamentos que envolvem o trabalho. Mas, para o setor, resta uma esperança. O Sindicato das Indústrias Gráficas de Juiz de Fora informou que no segundo semestre será implantada uma escola de formação de profissionais direcionada aos parques gráficos. O curso será oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Juiz de Fora e irá atender 20 estudantes, que se especializarão em impressão offset. "Em questão de tempo o Senai estará qualificando o mercado e suprindo uma deficiência", afirmou o diretor de unidade operacional do Senai, José Cláudio de Andrade Biscotto. A escola tem por objetivo a formação de mão de obra, com cursos profissionais, além de programas de qualificação e aperfeiçoamento realizados para atender as necessidades específicas de empresas e pessoas. "Juiz de Fora está entre as cinco cidades brasileiras escolhidas para receber esse curso justamente por causa da demanda", disse José Cláudio.

No Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Juiz de Fora, de acordo com os dados da última segunda-feira , o número de abertura de vagas sem exigência de experiência, principalmente no setor de bares e restaurantes e no comércio, era maior do que aqueles que solicitavam experiência. Entre as vagas em aberto, há 22 para atendentes de mesa, 13 para auxiliar de cozinha e dez para operador de caixa, todas sem necessidade de prática comprovada. "Eu percebo que a rotatividade em alguns estabelecimentos é muito grande. Conforme o atendimento que fazemos com os candidatos às vagas, percebemos que a insatisfação é em relação aos salários que não são atrativos, assim como os incentivos por parte das empresas", informou a gerente do Sine, Elizabeth Garcia.

O diretor da Abrasel acredita que a estabilidade que o setor de emprego vive provoca reflexos diretos nas contratações. "Como está sobrando vaga de emprego, a partir do momento que o salário não é compatível com o que o funcionário almeja, ele não fica por muito tempo em um emprego e, consequentemente, não se qualifica."