UFJF cria aparelho contra fraude no leite
Um equipamento portátil desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Física da UFJF promete baratear e agilizar os testes para detecção de fraudes na produção de leite, como acréscimo de água e outras substâncias. Atualmente, este tipo de teste precisa ser feito em laboratório, demorando até um mês para se obter resultado. Já o novo instrumento, até então inexistente no Brasil, permitirá que a avaliação seja feita na hora, ainda no campo. Chamado Milk Tech, o aparelho foi patenteado e deve ser lançado no mercado até o final do ano, com preço entre R$ 4 mil e R$ 6 mil.
Hoje, até que se saiba se o leite é saudável ou não, ele já foi bebido ou utilizado para a produção de laticínios. Com esse equipamento, as cooperativas, ou até mesmo o caminhoneiro que vai buscar o produto, pode decidir na hora se vai comprar. Além disso, o aparelho detecta qualquer tipo de adulteração por meio de fraude ainda desconhecida, porque hoje o que se faz é colocar água e substâncias reconstituintes para burlar o teste oficial, explica a coordenadora do projeto, Maria José Bell. Há um ano operação da Polícia Federal e do Ministério Público estadual identificou a adição de água, sal e açúcar no leite UHT longa vida integral produzido por duas cooperativas das cidades de Leopoldina e Campo Belo. As investigações duraram dois meses e a comercialização das marcas chegou a ser suspensa.
O pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) Daniel Arantes Pereira explica que as fraudes mais comuns são por adição de água. Porém, por ser uma medida facilmente detectada pelos testes disponíveis atualmente, costuma ser complementada pelo acréscimo de substâncias como sal, açúcar e soro, a mais difícil de ser percebida. A inclusão de até 20% mais soro não provoca alterações perceptíveis para a maioria da população.
Atualmente, a identificação de adulterações do tipo é feita pela técnica cromatografia líquida de alta eficiência. É um modelo caro e de resposta demorada. O equipamento custa mais de R$ 400 mil, exige a preparação das amostras e há risco de resultados errados. Muitos produtores têm se apegado a esse fato para se defender de acusações de fraude. O pesquisador explica, ainda, que, embora o leite adulterado não represente riscos graves à saúde do consumidor, este pode estar levando para casa, na verdade, água e soro. E não sabemos a qualidade do que foi adicionado.
Até o final do ano
De acordo com Maria José Bell, um equipamento similar ao Milk Tech – mas com tecnologia diferente – e não portátil custa, pelo menos, R$ 12 mil. O aparelho mais barato e de manuseio mais fácil, criado depois de sete anos de pesquisas e testes em parceria com o doutorando Wesley Nascimento, está em fase de transferência de tecnologia, e o lançamento do produto depende de questões burocráticas.
De acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), Minas Gerais é o maior produtor de leite do Brasil, sendo a Zona da Mata a nona região no país em volume de produção, com quase 815 mil litros de leite comercializados em 2011.









