Juiz-foranos já pagam R$ 2,05

Estudantes fizeram manifestação pelo Centro de Juiz de Fora
O novo valor de R$ 2,05 pela passagem de transporte coletivo urbano já está em vigor a partir de hoje, apesar dos protestos conduzidos por estudantes ontem. Além de marchar pelo Centro da cidade, fechando parcialmente o trânsito em diversos pontos, manifestantes contrários ao aumento de R$ 0,10 na tarifa de ônibus picharam e atiraram tinta guache na fachada da unidade da Astansp na Rua Espírito Santo, onde também colaram cartazes e obstruíram a entrada e saída da loja. A associação que representa as empresas de transporte preferiu não se pronunciar sobre o ato comandado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFJF.
A manifestação começou por volta do meio-dia, em frente à Câmara Municipal, no Parque Halfeld. Cerca de uma hora depois, com o apoio de duas viaturas da Polícia Militar e de agentes de trânsito da Settra, os estudantes saíram em passeata e fecharam o cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua Halfeld, obstruindo as seis faixas. Em seguida, os manifestantes se deslocaram pela avenida, na pista sentido Centro/Manoel Honório, até o cruzamento com a Rua Floriano Peixoto, onde, novamente, o tráfego de veículos foi interrompido.
O manifesto seguiu com tranquilidade até a esquina da Floriano com a Avenida Getúlio Vargas. No local, uma estudantes de 13 anos, que participava da ação, foi atingida no ombro por um motociclista. O condutor não obedeceu ao bloqueio feito pelas autoridades e passou pelo grupo de manifestantes em alta velocidade. Ninguém ficou ferido. O cortejo seguiu, obstruindo metade da Getúlio. A cada semáforo, todas as pistas eram fechadas.
Já no cruzamento com a Avenida Presidente Itamar Franco (antiga Independência), em frente ao Instituto Estadual de Educação (Escola Normal), os manifestantes realizaram a parada mais longa. Em seguida, acessaram a Rua Espírito Santo em direção à unidade da Astransp, onde o protesto foi intensificado. Estudantes arremessaram bexigas e potes cheios de tinta na fachada. Seguranças da loja fecharam as portas, na tentativa de garantir que não entrassem no estabelecimento. Cartazes também foram afixados nos vidros, fechando o acesso principal e bloqueando a visão interna e frases de protesto foram pintadas no chão, em frente à unidade.
Dois militares acompanharam toda a movimentação e gravaram o ato com aparelhos celulares. Porém, em nenhum momento houve necessidade de intervenção da PM. O reforço policial solicitado por funcionários da Astransp chegou no local por volta das 15h, sendo recebido sob gritos dos estudantes, que cantavam "vê se não reprime, lutar pelo direito não é crime". Os manifestantes deixaram a região logo depois. De acordo com a porta-voz do DCE, Larissa Moreira, a manifestação pretendia barrar o aumento do preço da passagem e reavivar a luta pelo passe livre para estudantes. Representantes da entidade se reuniram, ainda na tarde de ontem, para definir as próximas ações. Segundo Larissa, nova reunião foi marcada para amanhã, quando será votado indicativo de outra manifestação, prevista para segunda-feira.
Créditos adquiridos até ontem continuam valendo
Segundo a assessoria da Astransp, usuários que possuem créditos no cartão Passe Fácil adquiridos até as 18h de ontem continuarão tendo o valor de R$ 1,95 descontado do bilhete eletrônico até que a quantia comprada antes do reajuste se esgote. Embora o valor pela viagem de ônibus proposto pela Settra e ratificado pelo prefeito Custódio Mattos já esteja sendo cobrado, pedido de liminar do Ministério Público (MP) estadual contra a majoração da passagem ainda segue sem parecer da Justiça.
A ação ajuizada pelas promotorias de Proteção e Defesa do Consumidor e do Patrimônio Público no início da semana pede, além da manutenção da tarifa em R$ 1,95, a contratação, por meio de processo licitatório, de empresa especializada para elaborar a planilha de reajuste. Intimada a prestar esclarecimentos sobre o reajuste de 5,13%, a Prefeitura informou que apresentará os dados requisitados pelo juiz João Martiniano Vieira Neto na segunda-feira.
De acordo com informações da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal, o mandado judicial recebido pela Procuradoria Geral do Município (PGM) na quinta-feira ainda está em poder do oficial de Justiça, não tendo sido anexado ao processo, o que dá à Administração Municipal pelo menos mais um dia (até terça-feira) para se manifestar. Um pedido de urgência para retorno no mandado foi protocolado pela Justiça ontem. Após o prazo, o pedido de liminar pode ser julgado ainda que a Prefeitura não apresente os dados. Dependendo do parecer do juiz, a passagem pode voltar ao preço anterior.









