Alimentos sobem acima da inflação
Os consumidores juiz-foranos já chegaram a um consenso: está praticamente impossível abastecer o carrinho de compras com os mesmos itens sem ter que desembolsar um valor superior ao pago no ano passado. Isso porque alguns itens de necessidade básica, como carne, café, margarina e hortifrutis subiram mais de 25% entre um ano e outro.
Segundo levantamento realizado pela Tribuna, com base nos 64 produtos da pesquisa Guia do Consumidor – desenvolvida pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA) junto a sete redes supermercadistas da cidade – a variação de preços entre novembro do ano passado e o mesmo mês deste ano foi de 7,77%. O percentual é superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país e é usado como base para as metas do Governo, que acumulou alta de 6,97% nos últimos 12 meses.
Entre os itens que mais impactaram a escalada dos preços na cidade está o tomate, que subiu 79,59% em um ano, a margarina, que teve aumento de 36,67% e o café torrado, cujo preço cresceu 29,50% (ver quadro). Conforme o levantamento, também tiveram alta expressiva o apresuntado (29,53%), o fubá (29,41%) e o biscoito cream cracker (28,83%). Entre as bebidas, o impacto também foi alto: a cerveja (lata) teve aumento de 20,42%. O principal fator que fez com que o aumento total dos 64 itens pesquisados não fosse maior, foi a queda de alguns itens que encontravam-se inflacionados no último ano, como o arroz (-19,84%) e o feijão (-13,06%). Para avaliar o preço da carne, foi utilizada a pesquisa Cesta básica, também da SAA. O preço do quilo do produto de segunda teve um aumento de 12,51% no mesmo período.
O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros explica que, normalmente, os meses de novembro e dezembro são caracterizados por aumento de preços por parte dos varejistas diante do aumento do poder de compra do consumidor com o pagamento do 13º salário. Mas ele avalia que, com a redução do preço de produtos agrícolas e o freio do consumo, diante de uma perspectiva menor de gastos e de aumento do endividamento da população, poderá haver uma desaceleração. "Mas um dos setores em que a perspectiva é de alta é o de carnes, o que poderá assustar o consumidor."
A subida dos preços não é um fenômeno que vem sendo observado somente neste mês. Em um intervalo de três meses, entre julho e outubro deste ano, há altas como a de queijo mozarela (30,79%), apresuntado (30,20%), macarrão (18,67%) e manteiga (14,54%).
Para a coordenadora institucional Movimento das Donas de Casa de Minas Gerais, Solange Medeiros, o consumidor deve ficar atento aos aumentos, buscando variar produtos para que o impacto não prejudique o orçamento doméstico. "O final de ano, por conta dos benefícios e abonos, os preços sobem muito. E as pessoas não deve se esquecer das contas que precisa pagar no início do ano, como IPVA, IPTU e outros." Ainda conforme Solange, é possível economizar até 30% no fim do mês se o consumidor souber buscar os produtos mais baratos e os da estação.
A presidente da Associação das Donas de Casa e Consumidoras de Juiz de Fora, Léa Ganimi, orienta os consumidores a experimentarem novas marcas para fugir da alta de preços. "Muitas pessoas se surpreendem com a qualidade de produtos que antes não conheciam por serem fiéis a determinadas marcas." Ela também orienta o consumo de legumes, verduras e frutas da época.
A administradora Sofia Sousa Matos é uma adepta das planilhas e controla os gastos mês a mês. Em outubro, percebeu que descontrolou nas compras e está atenta este mês. "Cortei alguns supérfluos, como bebidas, e vou segurar mais agora para não precisar recorrer ao 13º."
Pressão sobre itens básicos é maior
A pesquisa Cesta Básica, realizada pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), mostra que a pressão da inflação é maior sobre os alimentos essenciais que entram na mesa do brasileiro. O levantamento mostra que em outubro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado, em Juiz de Fora, os preços dos 13 produtos mais consumidos pelo brasileiro (como carne, leite, arroz, feijão, farinha, pão de sal, café, açúcar, óleo, manteiga, batata, tomate, banana) avançaram 11,64%.
Na comparação com as 17 capitais analisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apenas em Florianópolis e Porto Alegre a alta foi superior à verificada em Juiz de Fora, com 13,06% e 12,19%, respectivamente. Ainda conforme a pesquisa, os itens cujos preços mais subiram na cidade foram do tomate (59,7%), café (23%), óleo (22,9%) leite (20,1%), carne (12,51%) e pão (10,7%).
Segundo a supervisora técnica do Dieese em Minas Gerais, Maria de Fátima Lage Guerra, a previsão é de que os alimentos fechem o ano com alta na faixa de 10% em todo o estado. Segundo a pesquisa, Belo Horizonte foi a quarta capital com maior alta no país, com variação positiva de 9,82%.
De acordo com Fátima, uma das formas que o consumidor tem de conter esse aumento é evitar os produtos com alta mais expressiva. A supervisora destaca que o papel do consumidor é fundamental para conter a alta da inflação já que, com a queda da procura, os alimentos tendem a ficar mais baratos.
Fim de ano
A atenção dos consumidores deve ser redobrada no período de festas de fim de ano, alerta Maria de Fátima. "É comum que os preços sejam majorados nesse período, em todo o comércio, pois é a época em que lojistas ampliam sua margem de lucro para vencer os períodos de maior sazonalidade." Segundo Fátima, a recomendação é pesquisar antes de comprar. Ela também lembra que, caso o consumidor tenha disposição de esperar, as aves natalinas devem ser compradas depois do período de festas, quando costumam cair entre 30% e 50%.









