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Chuva na região reduz produção de leite em 20%


Por Flávia Lopes

13/01/2012 às 07h00

As chuvas que devastaram a região nas últimas semanas comprometeram a produção leiteira na Zona da Mata em pelo menos 20%, em pleno período de safra. Segundo os Sindicatos Rurais de Leopoldina, Barbacena, Rio Pomba, Muriaé e Lima Duarte, pelo menos 20% da produção foram perdidos ou deixaram de ser ordenhados por conta das chuvas que afetaram pastagens e estradas de acesso às fazendas produtoras. Em Juiz de Fora, segundo o Sindicato Rural, não houve impacto.

Em Leopoldina, as chuvas não causaram grandes estragos. Porém, segundo o presidente do Sindicato Rural da cidade e vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Salviano Junqueira, os problemas nas estradas dificultaram o escoamento da produção, ocasionando perdas dentro das próprias unidades. Os caminhões normalmente buscam a produção em dias alternados. Enquanto isso, o leite fica em um tanque de resfriamento. Mas o produto não dura mais de 48 horas nesses tanques e precisa ser descartado em dois dias. Segundo ele, na última semana foram perdidos 20% da produção, que é de cerca de 200 mil litros por dia na região de Leopoldina. A cidade fornece matéria prima para três grandes laticínios, como LAC, Bom Gosto e Perdigão. Estamos em um período de safra, mas se a redução continuar dessa forma, poderemos ter aumento de preços.

O presidente do Sindicato Rural de Muriaé, Manoel Carvalho, diz que a produção no município ficou paralisada por cinco dias. Segundo ele, além de muitas vacas não terem chegado aos currais por conta das enchentes, as estradas da região também ficaram sem acesso, dificultando o escoamento. Muriaé tem uma produção média de cem mil litros, e acredito que ela caiu 20% nas duas últimas semanas, estima. O produtor do município, Roberto Carvalho contabilizou uma redução de 60% em sua produção nos últimos dez dias. Ele conta que perdeu quatro de suas cerca de 240 vacas por conta de descargas elétricas, e as demais não estão produzindo o mesmo volume de leite que produziam normalmente. A minha produção diária era de 400 litros. Hoje elas voltaram produzindo 250 litros, pois estão com um nível alto de estresse e emagreceram muito nos dias de chuvas. Ainda segundo ele, a produção nesse período, que seria de 4.400 litros, não chegou a 1.800.

Na região Barbacena, o presidente do Sindicato Rural, Renato José Laguardia de Oliveira, que que boa parte da produção diária de 200 mil litros foi afetada. Ele aponta que o maior problema ocorreu devido à dificuldade no transporte do produto. Caíram muitas barreiras, e os caminhões não chegavam até as fazendas. Já o responsável pelo sindicato de Rio Pomba, José Alfredo Quintão Furtado, diz que ainda está contabilizando as perdas.

Emater orienta produtores que tiveram perdas

Para minimizar os impactos sofridos pelos produtores das regiões afetadas pelas enchentes na região, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG) divulgou orientações quanto à possibilidade de procurar o Banco do Brasil para tentar o ressarcimento, em caso de prejuízos. Segundo a Emater, nos dez primeiros dias do ano, cerca de 15% da produção (540 mil litros) nas regiões do estado deixaram de ser captados por problemas nas estradas, pontes e quedas de barreiras. A Empresa orienta os produtores no manejo do gado leiteiro para diminuir a queda de produção e também na reserva de alimentação para os períodos de muita chuva.

Para o presidente da Fiemg Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, a quebra da safra do leite será absurda e deve ser um dos impactos percebidos imediatamente pela população juiz-forana, a exemplo da escala do preço de alimentos, principalmente frutas e verduras. Campolina destaca também a dificuldade de chegada de insumos em função das estradas comprometidas pelas chuvas. Na sua opinião, os primeiros reflexos já são percebidos e devem ser intensificados nos próximos 30 e 40 dias. É o preço que pagamos pela Zona da Mata não ter infraestrutura adequada.

No caso da produção de hortifrutigranjeiros, de acordo com informações coletadas nas principais regiões produtoras e na Ceasa-MG, o volume de hortaliças, em geral, ainda não sofreu grandes alterações quando comparado ao volume produzido no mesmo período do ano de 2011. Algumas, como o tomate e as folhosas em geral, já se apresentam com pior aparência nas gôndolas. Devido às chuvas, a Emater-MG irá elaborar projetos emergenciais para combater o ataque de pragas e doenças.