Lojistas pedem ‘reabertura consciente’ em ato no Centro

Proprietários de lojas da Rua São Sebastião entregaram panfletos com informações sobre o setor de vestuário e calçados de JF


Por Marcos Araújo

12/06/2020 às 18h41

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Manifestação contou com a presença de lojistas de lojas da Rua São Sebastião (Foto: Fernando Priamo)

Proprietários de lojas da Rua São Sebastião, no Centro de Juiz de Fora, participaram, nesta sexta-feira (12), de uma panfletagem no Calçadão da Rua Halfeld. O objetivo, segundo os organizadores da ação, era chamar a atenção da população para a necessidade de reabertura do comércio. O setor alega que a cidade ficou parada na “onda verde”, etapa mais restritiva do programa Minas Consciente, que elenca um conjunto de protocolos, definidos pelo Governo do estado, para possibilitar a volta às atividades de setores produtivos, tendo como balizas dados apurados a partir de um monitoramento constante da situação dos casos do coronavírus.

De acordo com uma das organizadores do movimento, Paula Campos de Castro, nesta sexta, o comércio completou 84 dias de portas de fechadas. “Com essa falta de avanço, a projeção que temos pela frente são de mais 42 dias de fechamento, o que irá somar mais de três meses. Todo esse tempo para o comércio é difícil sobreviver. Nosso temor é de que 50% das lojas sejam fechadas”.

Segundo informações dos panfletos distribuídos para a população, o setor de vestuário e calçados concentra mais de cinco mil estabelecimentos e é responsável por cerca de 30 mil empregos diretos em Juiz de Fora. Paula Campos é proprietária de uma loja de vestuário infantil e sente o impacto da pandemia nas suas vendas. “Por mais que digam que conseguimos vender de forma on-line, não é verdade, pois o comércio de rua popular não tem abertura para venda on-line. As empresas não se adequeram para esse tipo de venda, porque isso não era esperado”, observa, lembrando que considera impossível montar um esquema de comércio eletrônico em 30 dias. “O nosso cliente não tem hábito de comprar on-line. Muitos deles, inclusive, nem possuem celular. Essa é a realidade com a qual temos que lidar.”

‘Queremos trabalhar’

Conforme a organização, o movimento começou nas redes sociais e, posteriormente, ganhou as ruas, na expectativa de que a população se solidarize com a causa, já que lojistas assumiram compromissos com aluguel, impostos e funcionários. “Não somos contra a quarentena e queremos a reabertura de forma consciente, seguindo todos protocolos de higiene e segurança, pois queremos trabalhar. Temos empregados, e eles retornam ao trabalho agora e não sabemos o que fazer”, afirma Paula Campos de Castro.

Conforme ela, como microempresária, conta com três funcionários, e não quer dispensá-los. “O locatário segurou nosso aluguel por dois meses, mas esse terceiro mês teremos que pagar. Nossos fornecedores nos deram mais prazos, porém agora isso também vai acabar. É bacana pensar em saúde, mas temos também que pensar em economia, porque a gente precisa dela para ter saúde”.

Minas Consciente

O Minas Consciente setoriza as atividades econômicas em quatro “ondas”. Tais categorias são divididas pelo Estado da seguinte forma: onda verde, que permite o funcionamento de atividades essenciais; onda branca, que permite atividades de baixo risco; onda amarela, que permite atividades de médio risco; e onda vermelha, que permite atividades de alto risco. As ondas definem a liberação para funcionamento de forma progressiva, conforme indicadores de capacidade assistencial e de propagação da doença. Essas regras para a reabertura gradual do setor comercial foram anunciadas pelo governador Romeu Zema (Novo) em 28 de março.