JF se prepara para vender franquia
Depois de atrair as principais marcas nacionais – só no Independência Shopping, 70% das 169 lojas são franquias – chegou a hora de Juiz de Fora exportar o nome e o know-how de suas empresas, interessadas em reduzir custos e expandir o negócio por meio do lucrativo e promissor mercado de franchising. Só no ano passado, o setor faturou mais de R$ 100 bilhões e criou, pelo menos, cem mil empregos diretos no país. Em Minas, a movimentação chegou a R$ 3,5 bilhões. O crescimento mineiro (18%), aliás, superou o nacional (16,5%) em faturamento. Para 2013, a perspectiva é de criação de dez mil novos empregos só no estado, conforme a Associação Brasileira de Franchising (ABF).
Sem dados sobre o mercado local, o braço mineiro da ABF aposta que o município tem potencial para ocupar o segundo lugar no ranking estadual de franquias, disputando espaço com Uberlândia e Uberaba, conforme avaliação do diretor da regional Minas Gerais da ABF, Aristides Newton. Este mês, Juiz de Fora dá um passo importante nesta direção. Pela primeira vez, empresas da cidade serão capacitadas para se tornar franqueadoras por meio do projeto "Minas franquia", desenvolvido pelo Sebrae-MG. Dentre as cerca de 30 interessadas nesta possibilidade, quatro passaram pelo crivo do órgão e estão confirmadas no grupo que pode chegar a dez negócios incubados. O programa começa a ser implementado no dia 23, e a expectativa é que a venda tenha início ainda este ano.
A Viva Eventos saiu na frente e conquistou, há cerca de dois anos, o título de primeira franqueadora de Juiz de Fora filiada a ABF, conforme o Sebrae-MG. Com cinco franquias no Sudeste, a empresa tem, pela frente, a meta audaciosa de chegar a 150 unidades no prazo de cinco anos. Além de Juiz de Fora, a marca também está presente em Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Ipatinga e Volta Redonda. Conforme o diretor de Expansão e Franquias, Renato Menezes Filgueiras, a Viva prepara-se para comercializar franquias em escala. O investimento necessário para se tornar um franqueado da marca, hoje, varia de R$ 150 mil a R$ 180 mil, já incluindo R$ 50 mil de capital de giro. O retorno é esperado no prazo médio de 18 a 36 meses, e o processo de seleção do parceiro é "criterioso". Além da preferência pelo perfil jovem empreendedor, a empresa faz estudo minucioso sobre as características e a capacidade financeira do candidato. A Viva cede ao franqueado o modelo de atendimento ao cliente, com treinamento e capacitação de funcionários, software de gestão e cadastro de fornecedores.
Quase lá
As quatro empresas que vão compor a primeira turma de possíveis franqueadores capacitados em Juiz de Fora são Caricatura, Scaldini, Tramed Medicina do Trabalho e Vaporetto. Para o proprietário da Vaporetto, Fernando Neiva Campos, depois de 25 anos de trajetória e quatro lojas na cidade, chegou a hora de levar a marca para além das fronteiras juiz-foranas. A meta é iniciar a expansão pela Zona da Mata. "Hoje o negócio gira em torno de mim e minha esposa. A ideia é que o Vaporetto Express tenha mais donos. A gente ganha menos, mas fortalece a marca." Conforme Fernando, o franqueado vai receber a matéria-prima pronta, como a massa da pizza e a base dos molhos. Para garantir o padrão dos produtos, ele será obrigado a comprar os ingredientes dos fornecedores escolhidos pela franqueadora.
No caso da Scaldini, são 26 anos de mercado e quatro lojas próprias, sendo três em Juiz de Fora e uma em Ubá, considerada projeto piloto de franquia. "Queremos expandir de forma comprometida. Que a marca cresça, de forma estruturada", explica a sócia Cláudia Guimarães Scaldini, de olho na região Sudeste. A sócia destaca o interesse dos próprios clientes pelo modelo de negócios e a possibilidade de eles se tornarem os primeiros franqueados da camisaria, que tem fabricação própria.
Depois de 12 anos de mercado e cinco filiais em cidades da região, o diretor da Tramed Medicina do Trabalho, Jairo Antônio Tavares, decidiu tornar-se um franqueador. "A ideia vem de muito tempo, mas não havia surgido oportunidade para iniciar o processo." Na sua opinião, a empresa está "madura", em condições de expandir. "A franquia exige menos capital e elimina problemas administrativos, como acompanhamento à distância e dificuldade de mão-de-obra."
Segundo o gestor da Caricatura, Pedro Freitas Toledo, o projeto de tornar-se franqueador existe há muitos anos, como um processo natural do crescimento da empresa, há 27 anos no mercado. "Poderíamos optar pelo crescimento através de lojas próprias ou por unidades franqueadas e decidimos pela segunda opção." Pedro destaca a busca constante pela estruturação do modelo de negócio da Caricatura, para uma "replicação de maior sucesso".
Investimento de R$ 50 mil a R$ 200 mil
De acordo com o analista do Sebrae-MG em Juiz de Fora Gustavo de Freitas Magalhães, as empresas selecionadas passaram por consultoria prévia, sendo consideradas aptas a continuar com o processo por apresentarem viabilidade técnica. Entre os critérios avaliados estão experiência, estrutura do negócio e avaliação do mercado. O objetivo é que as empresas, devidamente capacitadas, cheguem ao final do programa prontas para a comercialização das franquias. "Até o final do ano, devem estar com esse processo consolidado."
Como as propostas não estão prontas, Gustavo estima que o investimento inicial para adquirir essas franquias ficaria entre R$ 50 mil e R$ 200 mil, já incluindo a taxa de franquia e o investimento para início da operação (ponto, pessoal e estoque). Para o analista, um dos ganhos da franquia, para o dono da marca, é o investimento menor para expansão ante a abertura de filiais. "Às vezes, o negócio passa por um momento bom, e o empresário perde a oportunidade por não ter o recurso disponível para expansão. Com a franquia, consegue-se um parceiro para atingir este objetivo." Os modelos de franquia variam, ele explica. Há casos em que existe o pagamento de taxa fixa. Em outros, o franqueado não arca com este custo, mas precisa comprar insumos, mercadorias e publicidade do franqueador. "Há vários modelos, e uma flexibilidade de operação."
A analista da Unidade de Acesso ao Mercado e Relações Internacionais do Sebrae-MG, Alessandra Ribeiro Simões, desmitifica a ideia de que franquia significa, necessariamente, garantia de sucesso. "Todo negócio tem um risco. O franqueado está comprando um negócio que, a princípio, já foi testado, e a marca é conhecida. Está minimizando esse risco, mas não quer dizer que o elimine." Alessandra comenta que é comum a avaliação de que a franquia é um negócio em que trabalha-se pouco. "Na maioria das vezes, o franqueado vai trabalhar mais do que quando era assalariado." A analista destaca a importância de o interessado compartilhar o perfil e os valores da marca de interesse e alerta que a reposição do investimento não é imediata. "Todo negócio tem um período de maturação."
Em relação ao franqueador, a analista destaca a necessidade de reconhecer se é o momento para expandir e se o negócio está preparado para esse passo. "Não trabalhamos as partes deficientes. O negócio precisa estar muito bem estruturado. A franquia não pode ser um canal de sobrevivência. A empresa tem que estar dando certo." Conforme Alessandra, o franchising não é um processo para ganhar dinheiro na primeira venda, mas de reestruturação e preparação do negócio para crescer. "O objetivo deve ser mais expandir do que lucrar." Na prática, qualquer empresa pode trabalhar com o modelo de franquia, desde que atenda a determinações da legislação específica.
Sebrae On
O tema franquias ganha destaque esta semana no Seminário de Inovação e Tendência (Sebrae On), realizado em Juiz de Fora. Na programação estão feira de franquias, reunindo franqueadores interessados em explorar o mercado local, e palestra sobre inovação e tendências de consumo. O seminário é voltado a empreendedores, empresários e interessados em ter o próprio negócio. O evento acontece quarta-feira, a partir das 13h, no Victory Hotel. A entrada é franca, mas as vagas são limitadas.










