Economistas avaliam ganhos na poupança

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Adicionar Tribuna de MinasAs novas regras da poupança, anunciadas no último dia 3, geraram dúvidas sobre a rentabilidade da caderneta e se esta continua como boa opção de investimento. A partir de agora, a poupança também terá o rendimento atrelado à variação da Taxa Selic, como já acontece com o CDB, os fundos de investimento e o Tesouro Direto. De acordo com economistas, com o cenário de baixas taxas de juros, o rendimento da poupança será menor do que antes, mas alguns fatores devem ser levados em conta antes do aplicador decidir mudar o tipo de investimento.
É importante ressaltar que a poupança continua isenta de Imposto de Renda (IR) e as demais aplicações não. Além disso, o rendimento é o mesmo em qualquer banco, diferente, por exemplo, do CDB que varia conforme a instituição e o volume aplicado, explica o doutor em Economia e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Fernando Agra.
Com as novas regras, sempre que a Selic estiver igual ou menor que 8,5%, o rendimento da poupança será de 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Quando estiver acima de 8,5%, valerão as regras antigas, e a rentabilidade será de 0,5% ao mês mais a TR. A professora de Finanças da Faculdade de Economia da UFJF, Fernanda Finotti Cordeiro Perobelli, destaca que, sem as mudanças, a poupança seria o investimento mais rentável. Com isso, os investidores migrariam em massa de CDBs, fundos e Tesouro Direto para a poupança.
Numa simulação de investimento de R$ 20 mil, feita por Fernanda, o ganho líquido em 30 dias caso o valor já estivesse aplicado na poupança antes da mudança nas regras é o maior: R$ 110. Já se o valor fosse aplicado após o dia 3 de maio, o rendimento do novo depósito ficaria muito próximo ao da aplicação em Fundo DI, mas acima do rendimento de CDB (ver quadro).
Ela explica que a maior parte dos recursos da caderneta é usado para o financiamento do sistema financeiro de habitação (casas próprias), enquanto as aplicações nos outros tipos de investimento financiam os gastos do Governo. Se houvesse a migração em massa para a poupança, o Governo teria dificuldade para manter suas despesas mensais. O ajuste é apenas um movimento em direção ao equilíbrio das contas públicas e da economia em geral. Perobelli ressalta que, se por um lado, o aplicador terá um rendimento menor na poupança, os juros menores irão garantir facilidade de crédito e consumo.
De acordo com os economistas, são necessários alguns cuidados na hora de escolher o tipo de aplicação. O CDB, que é um título que paga remuneração ao investidor em períodos definidos conforme a taxa CDI, exige negociação do aplicador para se tornar mais rentável. Em geral, os pequenos investidores conseguem um percentual de até 90% da CDI. Para os fundos de investimento, é importante conhecer o valor das taxas de administração.
Para os depósitos feitos até 3 de maio deste ano, o rendimento da poupança continua sendo calculado como antes (0,5% ao mês mais a TR).









