Fiemg irá fornecer 300 mil testes rápidos para a indústria

Objetivo é auxiliar o setor industrial para que as empresas possam voltar a operar sem colocar em risco a saúde dos trabalhadores


Por Marcos Araújo

11/05/2020 às 21h04- Atualizada 11/05/2020 às 22h01

Trezentos mil testes rápidos que serão utilizados em uma amostragem em massa entre profissionais da indústria foram adquiridos pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio do Serviço Social da Indústria (Sesi-MG). O objetivo é auxiliar o setor industrial para que as empresas possam voltar a operar sem colocar em risco a saúde de seus trabalhadores.

Conforme a Fiemg, os setores que serão testados, inicialmente, são os essenciais, como os ligados à produção de insumos para a área de saúde e, também, o de alimentação. “Não vamos limitar a execução desses testes. Faz parte de um processo maior do Sesi para a retomada do trabalho de forma segura, com consultoria para as indústrias e acompanhamento clínico dos casos suspeitos”, explicou a gerente de Segurança e Saúde no Trabalho e Qualidade de Vida do Sesi, Cristiane Scarpelli, por meio de sua assessoria de comunicação.

Ainda segundo a federação, o setor industrial, que movimenta quase R$ 130 bilhões todos os anos e é responsável por empregar mais de um milhão de trabalhadores, foi impactado, severamente, pela crise causada pela pandemia da Covid-19.

Com a testagem em massa pretende-se planejar as melhores estratégias e analisar a real proliferação da doença. “O uso dos testes vai permitir identificar pessoas que estão positivas e podem ser assintomáticas, por exemplo”, afirmou Cristiane. “Os testes ainda identificam quem já está imunizado ou aquele que deveria estar em monitoramento”, complementou a gerente.

Segundo ela, o insumo para a aplicação dos testes estará disponível a partir da segunda quinzena deste mês e, neste período de espera, a equipe de saúde do Sesi está trabalhando no levantamento das demandas em todo o estado. “Assim que foram entregues os testes, vamos começar a aplicação. Será montada uma estrutura com profissionais capacitados, além de uma máquina de leitura dos resultados”, explicou.

Como apontou a Fiemg, os testes rápidos liberam o resultado em 15 minutos e contam com tecnologia que permite a criação de laudos. O investimento para o teste rápido do Sesi é de R$ 99 por pessoa. Eles estarão disponíveis nas unidades Sesi de Segurança e Saúde no Trabalho e no atendimento, diretamente, dentro das indústrias.

Pandemia impacta atividade industrial mineira

A pandemia da Covid-19 tem causado impactos significativos na indústria. A adoção do distanciamento social para atenuar a disseminação do vírus mostrou intenso decréscimo da produção, em março, como apontou a sondagem industrial realizada, mensalmente, pela Fiemg, em conjunto com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI). A pesquisa mostrou que a maioria das indústrias diminuiu ou paralisou sua produção, revelando que sete em cada dez empresas registraram queda na demanda, além de dificuldade no acesso a insumos necessários à sua produção.

De acordo com a sondagem, as indústrias tiveram seu fluxo de caixa severamente prejudicado: cerca de metade teve a capacidade para realizar pagamentos rotineiros comprometida e enfrentou maior dificuldade ao buscar crédito no sistema financeiro. A pesquisa também mostrou que a pandemia obrigou as empresas a readequarem suas normas sanitárias e as condições de trabalho oferecidas aos funcionários, tanto para evitar a propagação da doença, quanto em resposta à queda na demanda.

O índice que mede a evolução do número de empregados voltou a ficar abaixo da linha dos 50 pontos – limite considerado fronteira entre queda e aumento -, e a utilização da capacidade instalada registrou nível muito inferior ao habitual para o mês. Em linha com a contração da atividade, os estoques de produtos finais também apresentaram queda, em março, registrando 48,9 pontos.

Segundo a sondagem, os indicadores financeiros do primeiro trimestre de 2020 mostraram que os industriais estão mais insatisfeitos com a margem de lucro e com a situação financeira de seus negócios, bem como revelaram que as empresas estão com maior dificuldade para acessar o mercado de crédito. O indicador de satisfação com o lucro operacional registrou 40,5 pontos no primeiro trimestre de 2020, queda de 4,4 pontos em relação ao trimestre anterior (44,9 pontos). No que se refere às condições de acesso ao crédito, o indicador caiu 6,2 pontos entre o quarto trimestre de 2019 (43,8 pontos) e o primeiro trimestre de 2020 (37,6 pontos).

A demanda interna insuficiente, que durante 18 trimestres seguidos permaneceu em segundo lugar no rol dos principais problemas enfrentados pelas indústrias, assumiu o primeiro lugar na lista. Os índices de expectativas sinalizaram uma forte revisão dos industriais quanto à demanda, às compras de matérias-primas e ao número de empregados nos próximos seis meses e ainda registraram os menores níveis de toda a série histórica da pesquisa. O indicador que avalia as intenções de investimento caiu e retornou aos patamares de 2015 e 2016, período da recessão econômica brasileira.