Mesmo com pandemia, venda de peixes cresce na Quaresma

Os comerciantes relatam aumento de 10% a 15% na procura pelo alimento nesta época do ano, sendo tipos populares, como cavalinha e sardinha, os mais consumidos


Por Mariana Floriano, estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa

11/03/2021 às 10h35

Com a chegada da Quaresma, a procura por peixes movimenta o mercado especializado em Juiz de Fora. Para os vendedores, nesse aspecto, 2021 não tem sido diferente. Os comerciantes relatam aumento de 10% a 15% na procura pelo alimento nesta época do ano, sendo tipos populares, como cavalinha e sardinha, os mais consumidos.

De acordo com Élton Pires, proprietário da Peixaria Sabor de Mar, neste início de março, a procura tem sido maior por peixes com valores mais acessíveis. “Próximo à Semana Santa tende a um equilíbrio, as pessoas passam a comprar peixes mais caros, como bacalhau, salmão e camarão”, afirma o comerciante, que espera aumento de vendas ainda maior na última semana do mês.

Peroá, Tira-vira e Lambari são outros tipos que atraem o consumidor e são encontrados, em média, por R$ 16 o quilo. Os filés também estão entre os mais procurados, como o filé de Tilápia, Merluza e Linguado Espanhol.

Para Élton, o cenário estendido da pandemia, por mais de um ano, pode impactar o mercado. “No ano passado, apesar de estarmos no início da pandemia, e as pessoas estarem com muito medo de sair de casa, elas ainda tinham um dinheiro guardado. Acho que depois de um ano nessa situação, atualmente elas não têm mais essas economias. Isso pode influenciar nas compras desse ano.”

Antônio Carlos, dono da Peixaria da Feira, compartilha desta opinião. Ele afirma que, em 2020, receoso com a pandemia, não fez um grande planejamento, mas, mesmo assim, realizou muitas vendas. “Esse ano, a demanda também está grande, o que é típico dessa época. Estamos vendendo bem e esperamos um aumento de 15% a 20% até a Semana Santa.”

Na família da cabeleireira Leila Gomes, o peixe ganha destaque no cardápio nas segundas, quartas e sextas-feiras. Segundo ela, o costume, que vem desde a época de criança, é uma forma de melhor viver esse período de abstinência recomendado por sua religião. “Na minha família, o consumo de peixe aumenta, porque a gente coloca ele no lugar da carne. Esse ano, como o preço de tudo aumentou, também notei um aumento no preço do peixe. Então a gente faz mais esse sacrifício, de comprar o peixe, mesmo estando em um preço maior que em outras épocas do ano.”

Tradição e economia

A tradição católica de substituir a carne vermelha pelo pescado, esse ano, foi adotada também como alternativa alimentar para muitas famílias brasileiras, em função dos altos preços da carne bovina no mercado nacional.

De acordo com levantamento feito pela Tribuna a partir do Guia do Consumidor publicado pela Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo, da Inovação e Competitividade (Sedic), o aumento médio dos preços da carne bovina em 2021 foi de quase 38% em relação ao mesmo período do ano passado. A constatação tem por base comparação de preços feita pela reportagem tendo por base as pesquisas realizadas nos dias 25 de fevereiro deste ano e 20 de fevereiro do ano anterior.

Já o pescado foi a proteína que menos subiu este ano. Teve queda de valor em setembro (-0,13%) e outubro (-0,16%) e altas em novembro (1,01%) e dezembro (0,04%). Em janeiro deste ano, a redução no preço foi de 0,44%, conforme pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).