Médicos suspendem atendimento aos planos

Gilson Salomão: a adesão é espontânea e deve ocorrer de forma progressiva
Os médicos de Juiz de Fora aderiram ao movimento nacional de suspensão do atendimento aos usuários de planos de saúde no modelo proposto pelas operadoras. Desde quarta(10) até o dia 18 de outubro, profissionais que participam do protesto cobrarão preço padrão de R$ 80 por consultas e internações eletivas, que não são consideradas de urgência e emergência. "A proposta é fazer com que o usuário conheça o quanto ele paga ao plano e ao médico. Não vamos deixar ninguém desassistido, mas iremos reivindicar melhores honorários e condições de trabalho", explica o delegado do Conselho Regional de Medicina em Juiz de Fora e Zona da Mata, José Nalon de Queiroz.
Segundo ele, os valores para o pagamento dos profissionais, que deveriam seguir os reajustes anuais da tabela de Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), estão paralisados desde 2005. "Os planos de saúde aumentam os preços todo o ano para os usuários, mas mantêm os mesmos honorários para os profissionais", afirma. Além dos valores congelados, a ausência de índices definidos de reajuste para a categoria e a interferência na autonomia dos profissionais também fazem parte da pauta de reivindicações. "Há casos em que o médico decide realizar um determinado procedimento, que é de cobertura do plano de saúde, e a operadora, por considerá-lo caro demais, exige outro tratamento. Este tipo de situação agride o nosso código de ética. Quem responde pela saúde do paciente é o médico", diz.
Nesta quarta-feira (10), representantes locais de Associação Médica, Sindicato dos Médicos, Conselho Regional de Medicina e Sociedade de Medicina e Cirurgia se reuniram para discutir o movimento. De acordo com o presidente do sindicato, Gilson Salomão, ainda não é possível mensurar o número de profissionais que participam do protesto. "A adesão é espontânea e deve ocorrer de forma progressiva. Cada médico tem a liberdade de escolher se irá participar ou não e, também, se a adesão será de forma integral ou parcial (suspendendo atendimento à alguns planos de saúde)", esclarece. Ele informa que a não adesão não implicará em nenhum tipo de sanção ao profissional.
O presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Juiz de Fora, Elídio Lana, reiterou que a entidade apoia integralmente o movimento. "A expectativa é de que 80% dos médicos do país irão suspender o atendimento nos moldes exigidos pelos planos de saúde. Em Juiz de Fora, não sabemos se iremos atingir este percentual, mas a classe irá lutar por melhorias." Ele explica que, durante o período de protesto, os atendimentos de urgência e emergência funcionam normalmente. "O atendimento em hospitais não será prejudicado. Nossa principal preocupação é não lesar os pacientes."
Planos
Procurados pela Tribuna, os dois planos de saúde com maior cobertura na cidade não criticaram o movimento. Por meio da assessoria de imprensa, o Plasc informou que o protesto não causará impactos para os clientes. "O plano possui ambulatório próprio com as especialidades médicas mais procuradas pelos pacientes. O atendimento neste espaço clínico não será atingido pela manifestação, e as consultas poderão ser agendadas por telefone."
A Unimed-JF, também por meio de assessoria de imprensa, declarou que não é contra ao movimento. "Somos uma cooperativa de médicos e não temos posicionamento contrário à classe. Solicitamos, apenas, que os clientes não deixem de ser atendidos." Ainda de acordo com a assessoria, na quarta , primeiro dia de protesto, a Unimed-JF não registrou nenhuma queixa dos usuários.









