Etanol dispara em JF

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Adicionar Tribuna de MinasA disparada de preço do etanol deixou de ser uma preocupação apenas dos motoristas, rompeu os limites dos postos de gasolina e ganhou a Presidência da República. A escalada do combustível é considerada uma ameaça real ao teto da meta do teto da inflação para este ano: 6,5%. Em Juiz de Fora, os consumidores amargam aumento de 23,64% no preço médio praticado em setembro (R$ 2,217) na comparação com o mesmo mês de 2010 (R$ 1,793). De um mês para outro, o aumento chega perto de 3%. Em agosto, o etanol custava R$ 2,157 nas bombas juiz-foranas. Na comparação com o preço médio de janeiro (R$ 1,995) o aumento chega a 11% na cidade. Detalhe: o período é o auge de safra da cana.
A presidente Dilma Rousseff (PT) convocou para amanhã uma reunião de emergência para discutir alternativas à forte elevação do combustível e conter a pressão sobre a inflação. A alternativa adotada pelo Governo federal, até agora, tem sido importar etanol de milho dos Estados Unidos. A alta do dólar, no entanto, encareceu essa opção. A possibilidade de taxar as exportações de açúcar ficaram na ameaça, e as iniciativas para construir novas usinas e estimular a produção de cana são incipientes, conforme noticiou o jornal "Valor Econômico" na semana passada.
"Para a entressafra, o cenário é o pior possível", atesta o diretor regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Minaspetro), Carlos Augusto Jacometti. O período começa no próximo mês e se estende até abril. Jacometti comenta que os sucessivos reajustes são motivados pelos repasses dos usineiros. Para ele, o cenário vivido hoje reflete um período de três anos sem investimentos por parte do Governo federal e a falta de comprometimento dos produtores, que não esconderam a preferência pelo açúcar, diante da valorização do produto no mercado externo. À redução na produção, Jacometti acrescenta o crescimento do mercado flex. "A demanda é grande, não tem como atender, e o preço está subindo." Apesar de o etanol não ser vantajoso frente à gasolina, o diretor avalia que a procura, mesmo em menor percentual, persiste.
Impacto
Para ser competitivo, o etanol precisa representar até 70% do litro da gasolina. Em Juiz de Fora, de acordo com a última pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do combustível está em R$ 2,211, 79,6% do custo da gasolina, cujo litro é comercializado, em média, a R$ 2,778. O aumento do álcool também impacta o preço da gasolina, já que o anidro representa hoje 20% de sua composição. Até 1º de outubro, o percentual era de 25%. A redução foi uma tentativa de garantir o abastecimento e tentar conter a majoração do combustível.
O presidente do Sindicato dos Taxistas, Aparecido Fagundes, comenta que, em função do encarecimento do etanol, os taxistas da cidade, que já usaram o Gás Natural Veicular (GNV) e o álcool têm optado pela gasolina. "Mesmo o etanol sendo um pouco mais barato, o consumo é bem maior." Segundo ele, a migração começou há cerca de oito meses. Fagundes percorre cerca de 170 quilômetros por dia e avalia que os motoristas que estão usando o álcool contabilizam prejuízo em torno de 20% no final das corridas. Para o cálculo da tarifa de táxi, é contabilizada a média de oito quilômetros rodados por litro de gasolina e cinco de etanol.
O motorista Igor Neris trabalha com o seu automóvel e, há quatro meses, decidiu usar a gasolina no seu carro flex. Ele explica que gasta, por dia, R$ 50 de gasolina para percorrer uma média de 160 quilômetros. Se fosse usar o etanol, o gasto hoje chegaria a R$ 65 para percorrer a mesma distância. "Não está compensando usar o álcool", afirma.
Federação teme crise parecida com a de abril
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes teme uma nova crise semelhante à vivida pelo mercado entre abril e junho. Em abril, aliás, o combustível atingiu o maior valor do ano (R$ 2,511) em Juiz de Fora. A preocupação surgiu com os dados divulgados pela União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), que revisou para baixo (-4,21%) as previsões de produção para a safra 2011/2012 na comparação com o período anterior. "O cenário se torna ainda mais preocupante se lembrarmos que, há poucos meses, quando se esperava um crescimento de 2% para a moagem de cana, os usineiros já advertiam que não haveria etanol para todo mundo."
Ainda de acordo com a entidade, há uma tendência de se privilegiar o álcool anidro (adicionado à gasolina) para evitar a redução ainda maior no percentual da mistura. Em contrapartida, há redução na produção do hidratado, usado nos veículos. Em relação à safra anterior, a produção de anidro subiu 15,33%, enquanto a de hidratado retraiu 22,12%. "Na prática, significa também tirar do consumidor o poder de escolha trazido pelo carro flex, uma vez que o diferencial de preço já atingiu patamares que desestimulam encher o tanque com o biocombustível", diz a federação.
A União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) foi procurada, mas não se posicionou sobre o assunto. Em nota divulgada no mês passado, o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues, afirmou que, embora a safra atual em relação à anterior permaneça deficitária em 10,18%, a produção de etanol anidro continua crescente.









