Operação atrasa entregas no porto seco

A operação padrão dos auditores fiscais da Receita Federal no porto seco da cidade será prorrogada
A operação padrão dos auditores fiscais da Receita Federal no porto seco de Juiz de Fora, iniciada no último dia 18, será prorrogada por tempo indeterminado. A decisão foi tomada ontem pela categoria em assembleia realizada com a presença de cerca de 30 profissionais.
Segundo a supervisora do porto seco, Nereida Ribeiro Farinazzo, o movimento tem causado impactos nas demandas do terminal, que está com entregas atrasadas entre dois e três dias. Segundo ela, a demora implica em mais encargos financeiros para as empresas importadoras e exportadoras, que precisam pagar mais diárias de armazenagem. "É uma ação que é sentida de forma imediata. As mercadorias chegam do exterior pelo Rio de Janeiro e passam por um processo de fiscalização que consiste na conferência de carga, no armazenamento e no registro de declaração de importação para nacionalização. Diminuindo o ritmo deste processo, o volume de demandas aumenta."
De acordo com o gerente geral da empresa, Alexandre Rezende, o terminal está cheio de cargas, mas não é possível afirmar que isto seja por conta da operação dos auditores. "Já estava cheio antes. O prazo de armazenamento depende, também, do importador."Segundo ele, o porto opera hoje com 70% da sua capacidade de ocupação, índice médio mantido desde o ano passado. Os principais produtos recebidos na cidade são das áreas de siderurgia, automotiva e farmacêutica.
A ação engrossa o protesto nacional da categoria, que reivindica melhorias nas condições de trabalho e reajuste salarial de 30,19%, índice correspondente a compensação dos anos em que as correções não foram realizadas. "O último reajuste foi em 2008. Estamos há 15 meses negociando com o Governo e aguardando uma contra proposta. Se não vier, os profissionais manterão este ritmo de trabalho", diz o vice-presidente do Sindicato de Auditores Fiscais (Sindifisco), Almir Antônio de Oliveira.
Em publicação no "Diário Oficial da União" no último dia 27, a Receita determinou que os compradores poderão solicitar os produtos aos fiscais quando o tempo de espera para liberação for 30% maior do que a média nacional. Na mesma publicação, portaria n° 260, ficou regulamentada a possibilidade de convocação de fiscais estaduais e municipais em substituição a auditores fiscais paralisados. "Esta atitude do Governo só contribuiu para acirrar ainda mais o movimento em todo o país", destacou o vice-presidente do Sindifisco.









