Alta do tomate chega a 72% em Juiz de Fora


Quilo do produto já é vendido por R$ 7,96, em média
O preço do tomate, que já estava alto, está pesando ainda mais no orçamento dos juiz-foranos. De acordo com dados da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), que apura semanalmente os valores dos itens da Cesta Básica, nas últimas cinco semanas o produto apresentou alta de 72%, variando de R$ 4,62, em 7 de março, a R$ 7,96 o quilo no varejo, na última quinta-feira. No CeasaMinas – Juiz de Fora, o valor do tomate no atacado oscilou ainda mais: de R$ 2,42, o quilo chegou a R$ 6, alta de 147%. Com isso, a caixa contendo 20kg, que saía a R$ 48, chegou a ser negociada por R$ 120.
O gerente do CeasaMinas em JF, Reinaldo Machado Freitas, explica que a alta é resultado de um conjunto de fatores. "Em 2012, a produção foi muito alta, e os produtores tiveram prejuízo. Neste ano, por muitos terem optado por não realizar mais o plantio do tomate, o efeito foi contrário: muita procura e pouca oferta, o que causou a elevação dos preços. Aliado a este fator, tivemos excesso de chuva e o calor, que atrapalharam não só a produção, mas a distribuição dos produtos."
Na visão do vice-presidente regional da Associação Mineira de Supermercados (Amis) em Juiz de Fora, Álvaro Pereira Lage Filho, a próxima safra, prevista para maio, deve normalizar o mercado, retornando ao preço habitual de até R$ 3 o quilo. "O ciclo de produção do tomate, entre plantio e colheita, leva de três a quatro meses. A safra anterior, referente ao mês de março, foi prejudicada pelas chuvas, que estragou muitos pés e danificou a aparência dos tomates, por isso, boa parte é encontrada ainda verde ou bastante machucada. Foi uma espécie de alternativa que o produtor encontrou para não ter ainda mais prejuízo."
"Quando temos um momento como este, os supermercados precisam tomar uma decisão: não comprar e deixar faltar produto para os clientes, ou comprar e vender pelo preço de mercado. Preferimos comprar e deixar o tomate à disposição", ressalta o gerente de marketing do Bahamas, Nelson Júnior. Nesta segunda-feira (08), a rede comercializava o quilo do produto por R$ 7,99. Álvaro ressalta que a livre concorrência é benéfica para o consumidor, pois possibilita optar pelo menor preço. "Na atual conjuntura, não dá para chegar aos valores anteriores. Por isso, é importante a pesquisa de preços e a substituição por outros produtos mais em conta", orienta.
Negócios
Proprietários de estabelecimentos do ramo alimentício da cidade já começaram a sentir o impacto da alta do preço do tomate. O efeito é maior nas casas italianas, que produzem pizzas e massas, e restaurantes self-service. "Apesar de ter peso maior diretamente nestes locais, outros restaurantes não estão isentos", explica o diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Zona da Mata (Abrasel ZM), Marcos Henrique Miranda. O proprietário do Vaporetto Express, Fernando Neiva Campos, calcula em 2% a queda no lucro da pizzaria. "Trabalhamos com margem de lucro entre 15% e 17% e temos tentado não repassar para nossos clientes e segurar no preço final. Por enquanto, nossa maior dificuldade é encontrar o tomate, que está em falta. Dependendo do horário, não se acha mais no Ceasa", comenta.
Já o consumidor encontrou nas redes sociais espaço para protestar, de forma bem-humorada, contra o preço do produto. Na última semana, os usuários fizeram circular várias mensagens comparando o valor do tomate ao de itens de luxo.










