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Pantanal encerra operações em JF


Por Tribuna

08/07/2011 às 07h00

Nove passageiros foram pegos de surpresa no Aeroporto da Serrinha e tiveram que ir de van até o Rio

Nove passageiros foram pegos de surpresa no Aeroporto da Serrinha e tiveram que ir de van até o Rio

A TAM/Pantanal antecipou para ontem o fim das operações no Aeroporto da Serrinha. O anúncio da companhia era de que as atividades na cidade seriam encerradas no dia 1º de agosto. Porém, a Pantanal finalizou todas as operações no país que contavam com aeronaves do modelo ATR, de 45 lugares. No país, além de Juiz de Fora, a empresa operava com esses aviões também em Uberaba, Araçatuba, Bauru, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, onde os voos também foram suspensos. Apenas em Bauru, está mantida a operação com aeronaves Airbus A319.

A companhia informou, por meio de sua assessoria, que o cancelamento teve como objetivo retirar as aeronaves fora dos padrões da TAM Linhas Aéreas. Ainda conforme a empresa, nas cidades de Juiz de Fora, Araçatuba e Uberaba, os clientes têm à disposição – em voos diretos ou com conexão – os serviços da Trip Linhas Aéreas, com a qual a TAM mantém acordos de codeshare (em que a companhia aérea transporta passageiros com bilhetes emitidos por outra). A TAM informou também que os clientes que já tinham bilhetes comprados até 31 de julho poderão optar pela reacomodação em voos de companhias que façam o mesmo trajeto ou pelo reembolso integral da passagem. A empresa comunicou ter informado os passageiros sobre a mudança.

O fim das atividades pegou nove clientes da empresa de surpresa ontem, em Juiz de Fora. Um deles foi o diretor-presidente da Companhia Brasileira de Usinagem (CBU) – indústria que está se instalando na cidade -, André Rocha, que informou não ter recebido qualquer comunicado da Pantanal. "Dei meu celular e todos os contatos no ato da compra do bilhete, mas ninguém me procurou." Segundo ele, o mais grave foi a companhia ter permitido a compra de passagens para a data, sem a condição de oferecer o voo. "É uma falta de respeito muito grande."

O consultor da Microsoft, Diego Papai, disse que já enfrentou o problema duas vezes essa semana. "Vim ministrar um curso em Juiz de Fora, mas não pretendo voltar mais. É muito desgastante passar por isso toda vez." Ele diz que tentou realizar o retorno pela Trip, mas a companhia não trocou a passagem, ao contrário do que informou a assessoria. Outro passageiro, um empresário que preferiu não se identificar, classificou a situação como "inacreditável". "Não dá para acreditar que uma empresa trate os clientes dessa forma. Reclamei com uma atendente sobre a situação e fui tratado com muita grosseria." Os passageiros foram transferidos de van para o Rio de Janeiro (Santos Dumont), onde pegariam o voo para São Paulo. Na saída, eles reclamaram das condições de segurança da van que os transportaria, e esta foi substituída.

Descaso

Os problemas dos passageiros com a companhia não são recentes. Clientes queixam-se das frequentes ocorrências de cancelamento de voos da Pantanal no Aeroporto da Serrinha, sem qualquer relação com falta de teto. A informação da companhia, nesses casos, era de que as aeronaves encontravam-se em manutenção. No último trimestre do ano passado, a empresa chegou a cancelar mais de 20% dos voos previstos.

A TAM adquiriu a Pantanal em dezembro de 2009 e foi a única empresa a se habilitar para o leilão da companhia. O valor pago foi de R$ 13 milhões. O maior interesse na empresa foram os direitos de pousos e decolagens da Pantanal no Aeroporto de Congonhas. Sete meses após a compra, o voo Juiz de Fora – São Paulo foi transferido para o Aeroporto de Guarulhos.