Preços dos ovos de Páscoa variam 90%
Antes de encher o carrinho de chocolate e pescado, o consumidor deve percorrer supermercados e fazer contas. Em Juiz de Fora, a diferença de preço de um mesmo ovo de Páscoa chega a 90% de acordo com o estabelecimento. Esta foi a constatação do primeiro Disque-Páscoa do ano, divulgado ontem pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA). Considerando os demais produtos típicos, como frutos do mar e especiarias, a diferença é ainda maior e passa de 133%. O vilão deste ano é o cação em posta, cujo quilo da marca mais barata varia de R$ 8,98 a R$ 20,90 na cidade. Entre os ovos, o Bis ao Leite 20 (230 gramas) apresenta a maior oscilação: de R$ 18,90 a R$ 35,90.
Para dimensionar o quanto os produtos chegaram mais caros às gôndolas este ano, a Tribuna comparou o comportamento de preços de dez itens (ver quadro). Dentre os ovos, a alta chega a 13,8%, como é o caso do Prestígio 20 (375 gramas). O cação em posta volta à lista, com aumento de 21,9% ante 2010. Em contrapartida, o quilo do filé de merluza congelado apresentou queda de 22,4% de um ano para o outro. Entre os chocolates analisados, o Serenata de Amor 15 (240 gramas) está 1,6% mais barato em 2011.
O coordenador da pesquisa, Júlio César Alvarenga, identifica a majoração de um ano para o outro e destaca a pressão de açúcar e cacau no preço final dos produtos típicos. Ele recomenda a tradicional pesquisa de preços. O consumidor precisa ter muita atenção, porque a diferença entre os supermercados é bem acentuada. Segundo Alvarenga, serão divulgadas mais duas pesquisas: uma no dia 14 e outra no dia 20 de abril. Na sua opinião, a comparação de preços possível com o Disque-Páscoa leva a concorrência a se ajustar ao mercado. Parte da pesquisa está disponível no caderno de classificados da Tribuna.
A Associação Mineira de Supermercados (Amis) espera alta de 8% nas vendas de chocolate este ano e de 5% nos demais itens na comparação com 2010. Sobre preços, a tendência, avalia a entidade, é que o setor absorva a alta com promoções, repassando apenas os custos da inflação. A procura pelos importados, em função da derrocada do dólar, é considerada crescente, tendência constatada inclusive nessa Páscoa. Na pesquisa feita pela Tribuna, o preço do bacalhau saith caiu 16,3%, passando de R$ 22,92 em 2010 para R$ 19,18 este ano.
Além da comparação de preços, a presidente da Associação das Donas de Casa e Consumidores de Juiz de Fora, Lea Ganimi, recomenda fazer uma lista, não levar crianças às compras e atentar para características, como marca, recheio e tamanho dos ovos, que interferem no custo. Para Lea, também é importante verificar se a possível queda de preço não foi acompanhada pela redução do peso dos produtos. O mais importante não é o que se vai comer na Páscoa, mas a família ao redor da mesa, defende.
Comércio registra baixa no mês de março
O comércio de Juiz de Fora registrou fraco desempenho em março. A informação é de entidades ligadas ao setor após constatarem, junto aos lojistas, a queda gradativa nas vendas. O presidente do Sindicomércio, Emerson Beloti, alerta para o risco de demissões. Os próximos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que serão anunciados este mês, devem seguir a tendência dos primeiros meses e apresentar redução nas vagas do comércio. Se não vende, não há contratações e nem a possibilidade de efetivação para os contratados temporariamente. Segundo o Caged, nos dois primeiros meses do ano o comércio da cidade registrou um déficit de 248 vagas em relação ao mesmo período do ano passado. Para Rui Mussel, proprietário da Jaraguá tintas, o corte de pessoal já se tornou realidade. Com esse cenário, a diminuição dos lucros é automática. Já tive de demitir dois funcionários. Posso ter que abrir mão de mais dois.
Vandir Domingos, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Juiz de Fora (CDL), acredita que o carnaval foi o principal culpado pela retração das vendas do comércio em março. O feriado prejudicou muito por ter acontecido no início do mês. Isso representa cerca de dez dias a menos de trabalho. Além disso, tivemos ou muita chuva ou muito calor. Isso também afasta o consumidor.
Por outro lado, o presidente do Sindicado do Comércio de Juiz de Fora (Sindicomércio), Emerson Beloti, acredita que os motivos para as retrações das vendas vão além do carnaval. O consumidor ainda estava com o salário comprometido pelos parcelamentos feitos nas compras de final de ano e nas despesas de janeiro e fevereiro. Além disso, em vários segmentos, tivemos alta nos preços da matéria-prima, que acabou sendo repassada ao consumidor, provocando retração nas vendas.
O gerente de uma concessionária de motocicletas lamenta o fraco movimento. Em relação a março do ano passado, a queda nas vendas chegam a 15%, afirma Jonaton Ribeiro Marques. De acordo com Mauro Toledo, proprietário de uma rede de lojas de roupas, a retração no setor de vestuário foi semelhante. Devido ao forte calor, atrasamos o lançamento da coleção de inverno e estamos trabalhando com liquidações desde janeiro. Isso representou baixa nas vendas de até 15%.









