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26 franquias abrem as portas na cidade


Por FLÁVIA LOPES

08/01/2012 às 07h00

Roberta Vieira pesquisou o negócio por três anos antes de abrir a Cachaçaria Água Doce

Roberta Vieira pesquisou o negócio por três anos antes de abrir a Cachaçaria Água Doce

A possibilidade de abrir um negócio com todo o know-how de uma marca já estabelecida no mercado tem levado um número cada vez maior de juiz-foranos a apostar no mercado de franquias. No último ano, os investimentos no setor dispararam. Segundo levantamento realizado pela Tribuna junto a 26 novos estabelecimentos inaugurados na cidade no último ano, o total investido foi de mais de R$ 8 milhões nos mais variados segmentos. Somente no Independência Shopping, foram oito novos estabelecimentos. O dado foi apurado junto aos empreendedores e também com base no valor médio das franquias, fornecido pela Associação Brasileira de Franquias (ABF). A entidade não possui levantamento local, mas, no Brasil, o setor registrou no último ano alta de 15% na comparação com 2010, com um faturamento global de R$ 86 bilhões. Para 2012, a expectativa da ABF é de que o franchising brasileiro cresça 15%, superando a barreira dos R$ 100 bilhões.

O crescimento de 15% no potencial de consumo do município no último ano, segundo a pesquisa do IPC Marketing, fez com que o município figurasse entre os três principais mercados mineiros no ramo. De acordo com pesquisa da consultoria Rizzo Franchise, a cidade só perde para os municípios de Belo Horizonte e Uberlândia entre os principais mercados de Minas Gerais. No ranking nacional, Juiz de Fora figura na 29ª posição e no 13º lugar, se retiradas as capitais (ver quadro).

Com investimentos que variam de R$ 60 mil a R$ 2 milhões, entre os segmentos mais procurados no último ano estão os empreendimentos nas áreas de alimentação, vestuário e bares. Mas uma das principais tendências verificadas foi o crescimento do setor de serviços, com a abertura de pelo menos quatro estabelecimentos na área de depilação e outros dois no setor de reparos e reformas. Para este ano, há um na área de estética corporal com previsão de instalação ainda este mês.

A empresária Deninha Toledo investiu em uma franquia da Não + Pêlo na área de depilação, há dez meses, e está satisfeita com o retorno. Por conta disso, já está com projetos avançados para inaugurar uma nova unidade na cidade no próximo mês. "A procura foi tão grande que em dezembro chegamos a agendar clientes para o sábado e domingo, para conseguir atender toda a demanda." Quem também apostou no setor foi a fonoaudióloga Roberta Ribeiro. Ela abriu uma unidade da D’pil em fevereiro, e em abril já assumiu outra franquia da rede. "Fiz uma pesquisa extensa, procurei cursos no Sebrae e avaliei o mercado. Como o ramo de estética está crescendo bastante e a proposta de depilação por luz pulsada é diferente, resolvi investir."

A carência de profissionais na área de construção civil na cidade foi um dos principais fatores que motivou a vinda de duas unidades da franquia Doutor Rosolve para o município. Segundo o master franqueado da empresa na Zona da Mata, Sul de Minas e Espírito Santo, Wagner Monteze, a procura tem sido tão intensa que a agenda dos dez profissionais das duas franquias da rede na cidade tem ficado lotada constantemente. A franquia possui profissionais nas área elétrica, hidráulica, pintura, alvenaria, marcenaria, jardinagem e chaveiro. "Atendemos uma média de 15 clientes por dia, e toda a nossa propaganda tem sido no boca a boca e por meio de panfletos que deixamos em alguns estabelecimentos."

Quem também já está finalizando o prazo para instalação no município é a administradora Joana Ribeiro, que irá inaugurar ainda este mês uma unidade da clínica de estética Onodera, juntamente com a médica Liora Gonik Dias. A paulista conta que procurou Juiz de Fora devido à saturação do mercado de São Paulo e pelo fato de já conhecer a cidade. "Gosto muito da área de estética, e visualizamos no setor um potencial muito grande de crescimento." Entre os principais serviços da clínica, ela destaca os tratamentos à base de ultrassom com correntes para combate à gordura e celulite, rádio frequência e ultrassom de microcorrente e endermologia, além de depilação a laser, entre outras.

 

Empresas locais ‘exportam’ marcas

O movimento natural no setor de franquias é de entrada no mercado local de marcas provenientes de grandes centros. Porém, já há empresas da cidade expandindo seus negócios no setor de franquias para outros municípios. O bar e restaurante Brasador é uma delas, e o empresário Juliano Botti já se tornou o master franqueado mundial da marca.

Ele conta que adquiriu a marca Brasador nos Estados Unidos há dez anos e, após a adaptação ao mercado brasileiro, já começou a estudar formas de expansão para outros centros. A previsão é de inauguração de uma casa da rede em Volta Redonda ainda no primeiro semestre deste ano e há outros oito empresários interessados em levar a marca para seus municípios, como Ribeirão Preto, Florianópolis, Angra dos Reis, entre outros. "Muitos se interessaram após visitar a casa aqui em Juiz de Fora e outros vieram por meio de indicação de amigos." Com um modelo diferente de franquia, sem vinculação à ABF, ele diz que pretende desenvolver um modelo "caseiro" de franquias.

Já a rede juiz-forana Empada Caipira está no mercado de franquias desde 2005, com 19 lojas espalhadas por todas as regiões do país. Segundo a sócia Carina Arbex, a primeira unidade foi inaugurada em São Paulo. Na última semana foi inaugurada uma loja em Betim, e a próxima está prevista para a semana que vem em Ribeirão Preto. A primeira iniciativa, segundo a empresária, foi de se associar à Associação Brasileira de Franquias (ABF) e as participações em feiras do setor são frequentes.

 

Estudo é fundamental para abrir negócio

Apesar de as franquias oferecerem toda a estrutura necessária para o desenvolvimento do negócio, o Sebrae orienta estudo e pesquisa antes de fechar um negócio nesta área. Segundo o gerente regional Macro Leste do Sebrae, João Roberto Marques Lobo, um dos principais cuidados que o franqueado deve ter é buscar o máximo de informação sobre o empreendimento antes de assumi-lo, com pesquisas e estudo minucioso do contrato.

"Há franquias boas e ruins. Quem não busca informações, não visita outros franqueados e não avalia o mercado pode estar investindo em algo que não dará o retorno esperado." Lobo destaca que os interessados em abrir uma franquia devem priorizar mercados em que tenham conhecimento.

Entre as principais vantagens deste tipo de negócio, o gerente destaca o estudo de mercado já realizado pela marca, o know-how na gestão do negócio, o merchandising e a assessoria na montagem do espaço físico, aquisição de mobiliário e harmonização de vitrines.

A franqueada da Hope em Juiz de Fora, Maria Cláudia da Fonseca Silva, já possuía uma unidade no Independência Shopping, quando escolheu expandir a marca e inaugurar outra loja no Centro da cidade, no ano passado. O projeto virou piloto da marca, que até então não tinha lojas de rua no país. "Estava batalhando pela loja desde a abertura no shopping. Como eles não tinham um projeto de expansão para lojas de rua, analisamos o mercado local e a loja acabou sendo a piloto da marca fora de shoppings."

A empresária Thalita Barbosa também é experiente no setor de franquias, com seis lojas da rede Cacau Show. No último ano, resolveu abrir um novo negócio na área de doces, a Docella. "A experiência da marca é importante. Não que seja garantia de sucesso, mas ajuda num mercado diferente."

Ter afinidade com a marca é outra orientação que o Sebrae dá aos novos franqueados. E foi essa afinidade que pesou na decisão da engenheira Roberta do Vale Vieira ao escolher uma franquia da Cachaçaria Água Doce. Ela conta que visitou uma unidade da rede em Uberlândia e ficou impressionada com a estrutura do local. Quando decidiu investir em um negócio próprio, pesquisou franquias durante três anos até se decidir.

O empresário carioca José Luís de Souza, da Multicoisas, também pesquisou o mercado juiz-forano antes de decidir pela instalação de uma unidade por aqui. Com duas franquias da rede no Rio, ele visualizou em Juiz de Fora um potencial mercado para a marca. Já o empresário Rafael Silva Pinto inaugurou uma unidade da casa de milk shake Mr. Mix no ano passado, e já está pensando em abrir outra loja até o meio do ano.