Invasão chinesa derruba indústria do vestuário
A concorrência com produtos importados, sobretudo os chineses, já impacta a indústria do vestuário local, principalmente o setor de confecção de cuecas e ceroulas. Algumas fábricas contabilizam queda de até 40% nas vendas e, segundo o Sindicato das Indústrias do Vestuário de Juiz de Fora (Sindivest-JF), as demissões já começaram. "Estamos diante de um quadro de morte anunciada do setor de vestuário, prevista para os próximos dois a três anos. A invasão dos produtos chineses implicará, a curto e médio prazos, na desativação do parque industrial do país com perdas irreparáveis, incluindo empregos. Uma única fábrica da cidade já contabilizou 210 demissões", afirma o presidente da entidade, Antônio Nogueira de Lucena.
Na semana passada, representantes das empresas filiadas ao Sindivest-JF se reuniram com o Governo federal para buscar soluções. Dentre as solicitações do setor estão medidas de salvaguarda em defesa de produtos nacionais com relação aos importados chineses por parte da Câmara de Comércio Exterior (Camex). "É impossível competir com os preços praticados no mercado por estes produtos", diz Lucena. Ele destaca que, com apoio da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), será impetrada ação cautelar coletiva para que as medidas de salvaguarda sejam alcançadas e, assim, o setor seja protegido em nível nacional.
A encarregada do departamento pessoal da Malharia Brasling, Rosane do Carmo Pinto, afirma que o setor aguarda por este tipo de medida desde o início do ano, quando as dificuldades foram intensificadas. "Tem sido muito difícil concorrer com os importados. Verificamos queda de 40% nas vendas desde janeiro. Sabemos que a situação tornou-se caos, pois não se restringe a uma cidade ou região. Temos representantes em São Paulo, Rio de Janeiro e outras localidades, e todos relatam a dificuldade em competir com os produtos chineses." Ela diz que há 18 anos trabalha na empresa e não se lembra de um período de crise semelhante.
O proprietário da Malhas Keeper, Leonardo Gabriel Rebouças, também ressalta que o momento é bastante delicado. "A concorrência, por vezes, torna-se literalmente desleal. Com a greve dos fiscais da Receita, os produtos importados entram pelas fronteiras com mais facilidade, caem no mercado, e o empresário brasileiro sofre todas as consequências." Ele afirma que a produção de cuecas da fábrica caiu drasticamente. "Produzíamos um estoque mensal de dez mil dúzias. Nos últimos meses, esse número caiu para 30, 40 dúzias." Rebouças espera que o Governo tome medidas favoráveis ao setor. "É uma situação injusta. Nosso custo de produção é maior, e a carga tributária, absurda. Hoje, 36% do que eu produzo pago em impostos. Espero que olhem para o setor de forma que possamos concorrer com lealdade."









