JF faz 35% da cerveja artesanal mineira


Por Gracielle Nocelli

06/11/2013 às 07h00

Barbante produz 6 mil litros por mês

Barbante produz 6 mil litros por mês

Segunda maior produtora de cerveja artesanal do estado, ficando atrás apenas de Belo Horizonte, Juiz de Fora caminha para a consolidação como polo do setor. Com um total de oito cervejarias, além de entusiastas que fabricam a bebida para consumo próprio, estima-se que a produção local seja de 350 mil litros por ano, conforme informações do Sebrae-MG. O crescimento do mercado consumidor tem motivado a formalização e a expansão dos negócios. Na última semana, as cervejarias Artezannale e Barbante receberam registro das bebidas e das plantas de produção junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A expectativa é que até o final do ano seis estabelecimentos juiz-foranos estejam registrados. Paralelo ao momento propício ao fortalecimento, o setor enfrenta como principal desafio a carga tributária. Dados do Mapa revelam que até 60% do custo da cerveja artesanal brasileira correspondem ao pagamento de impostos.

A produção de Juiz de Fora representa 35% do total da cerveja artesanal feita em Minas Gerais. O estado é destaque na fabricação da bebida e tem visto a demanda aumentar significativamente nos últimos anos. De acordo com a Associação dos Cervejeiros Artesanais do estado (Acerva Mineira), em 2012, as vendas cresceram 20% ante ao ano anterior, e a expectativa é que os resultados sejam ainda melhores em 2013. Na avaliação do fundador do Instituto Mineiro da Cerveja (IMC), Armando Fontes, vários fatores contribuíram para que o produto artesanal caísse no gosto dos mineiros. "O poder aquisitivo aumentou, e a atenção aos produtos fabricados localmente cresceu. Consumidores curiosos passaram a buscar a novidade, o raro", explica. "É uma tendência atual."

A situação do mercado fez com que cervejeiros juiz-foranos buscassem a profissionalização por meio do Projeto de Cervejas Especiais de Juiz de Fora e Região. "A proposta é tornar a cidade polo de produção e estamos caminhando para isso", garante o analista do Sebrae-MG, Paulo Veríssimo. Ele destaca que com o reconhecimento do Mapa, as cervejas locais poderão conquistar novos mercados.

Dentre as cinco cervejarias integrantes do projeto está a Barbante, responsável pela fabricação de cinco produtos diferentes. O proprietário Pedro Peters, 31 anos, conta que começou a produzir a bebida em 2007 para o consumo entre amigos. "No início, ocorreu tudo de forma descompromissada", relembra. Mas com o passar do tempo, ele diz que teve interesse "em resgatar a tradição da família." Pedro é tataraneto de Sebastian Kunz, alemão que veio para o Brasil em 1860, responsável por inaugurar a primeira cervejaria de Minas Gerais, em Juiz de Fora. O empresário, que acaba de conseguir o registro no Mapa, concorda que o setor vive um bom momento. "Há cinco anos, produzíamos mil litros de cerveja por mês. Agora, o volume aumentou para seis mil litros/mês e já está estrangulado para atender a demanda." Como principal entrave de crescimento, ele aponta a alta carga tributária. "Somos pequenos e pagamos como grandes."

A opinião é compartilhada por Antero Fernandes Filho, 50 anos, proprietário da Artezzanale – a outra cervejaria juiz-forana contemplada com o registro na semana passada. Com produção de 600 litros por mês, o empresário conta que pretende ampliar a capacidade produtiva para três mil litros/mês. "Vamos aguardar a posição tributária do governo sobre o setor e, então, partir para um plano de negócio." Sem previsão para ser votado, o Projeto de Lei do Senado (PLS) 136/12 pede a inclusão de pequenas cervejarias no regime do Simples Nacional, que garante tributação diferenciada para microempresários.