Quase 80% dos eventos são de pequeno porte

Minas Láctea, realizada em julho, registrou mais de dez mil participantes, com expectativa de movimentar R$ 100 milhões em negócios (Fernando Priamo/14-07-15)
Diante da dificuldade em atrair novos grandes eventos e realizar aqueles que já são tradicionais, Juiz de Fora se vale de atividades de pequeno e médio porte para manter a ocupação do setor de turismo e negócios. Amargando as perdas de edições do Miss Brasil Gay, Minas Láctea e Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, que juntos movimentam cerca de R$ 220 milhões, conforme já relatado pela Tribuna em julho, a cidade tem criado uma agenda alternativa, pautada em concursos e roteiros gastronômicos, encontros empresariais, festas comemorativas, exposições e eventos culturais. Apesar da movimentação de turistas ser inferior quando comparada à de grandes eventos, a frequência destas atrações tem elevado a ocupação dos espaços e aquecido a rede hoteleira, de bares e restaurantes. Quem atua no segmento, reconhece a importância dessas atrações menores, mas destaca a necessidade de captação de atividades de maior porte.
Entre 1º de janeiro e 7 de agosto deste ano, o município sediou 302 eventos, 40% a mais do que o total registrado em todo o ano passado, quando foram realizados 237, conforme levantamento feito pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico em parceria com o Juiz de Fora e Região Convention & Visitors Bureau. Destes, 77% são classificados como de pequeno porte, com público de até 500 pessoas. Nesta lista estão exposições no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), jantares e almoços para datas comemorativas, confraternizações empresariais e eventos no parque do Museu Mariano Procópio. As atrações de médio porte, com até cinco mil participantes, como os festivais JF Sabor e Comida Di Buteco, correspondem a 20%. Apenas 3% são classificadas como de grande porte, com mais de cinco mil visitantes, e responsáveis por maior movimentação econômica. Aqui estão incluídos Minas Láctea e Festa Country.
Busca de equilíbrio
A presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Danielle Feyo, considera o aumento do número de atrações reflexo da estrutura que a cidade criou nos últimos anos. “Observamos o surgimento e a expansão de espaços para eventos, com prestadores de serviços e nova rede hoteleira. Não precisamos mais trazer fornecedores de fora. A cidade já tem estrutura física e de serviços para receber eventos.” A predominância de atividades de menor porte não é vista de forma negativa. “De acordo com a Rede de Negócios do Turismo, um evento com duração de três dias, para 500 pessoas, tem gastos estimados com fornecedores locais de R$ 250 mil, e deixa, em média, R$ 830 mil na cidade.”
Quem atua no setor, reconhece a importância das atrações de pequeno porte, mas destaca que o ideal é conseguir um equilíbrio. “Temos que ser versáteis e tentar receber sempre o maior número de eventos possíveis”, pontua o gerente-geral do Independência Trade Hotel, José Carlos Branco. Ele avalia que as atividades menores, por serem mais frequentes, favorecem a ocupação das salas. Já as de grande porte geram maior visibilidade e receita. Para Branco, o turismo de eventos na cidade ainda carece de ações que fomentem o setor. “Precisamos trazer os grandes players do mercado, melhorar a malha aérea e viária, atualizar os produtos e criar atrativos paralelos aos espaços, de forma que o turista tenha interesse em vir para cá.”
Teatro será reformado para receber eventos culturais
O representante do escritório regional do Centro Regional de Convenções e Exposições da Zona da Mata – Expominas Juiz de Fora, Alex Rangel, afirma que o espaço tem se adaptado para atender a demanda de pequeno porte. “Temos foco no segmento de negócios, como feiras e congressos, mas também queremos receber atrações menores. Estamos reformando nosso teatro para poder recepcionar espetáculos culturais”. Ele salienta que, apesar das críticas à administração do local pela abertura do espaço à realização de formaturas, este tipo de agenda é de extrema importância. “As formaturas elevam a nossa ocupação em meses de baixa procura. Nossa prioridade são os eventos de negócio, mas eles não acontecem com grande frequência.”
Legislação específica
A presidente do Comtur reconhece que há necessidade de realização de ações integradas para que o turismo na cidade possa se fortalecer enquanto atividade econômica. Neste sentido, ela destaca que não só o segmento de eventos, mas os demais, como o de lazer, cultura, gastronomia e compras, precisam ser incentivados. Para isso, Danielle informa que o órgão tem trabalhado para conseguir uma legislação específica. Neste mês de setembro, está prevista uma audiência pública na Câmara para apresentação de um diagnóstico do setor. Posteriormente, haverá um fórum para discussão sobre políticas públicas para o turismo. “Nosso intuito é chegar ao final do ano com diretrizes definidas e com proposta para a criação da Lei Municipal de Turismo, que servirá de base para aprofundar as ações do Plano Diretor.”









