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Governo sobe IOF para tentar conter alta do dólar


Por Agência Brasil

06/04/2011 às 20h57

 

Brasília – Os bancos e as empresas que pegarem dinheiro emprestado no exterior por menos de dois anos pagarão Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6%, anunciou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. É a terceira tentativa do Governo, em uma semana, para conter a queda da cotação do dólar. Mantega disse que a medida também afetará a oferta de crédito e punirá quem pega dinheiro emprestado no exterior para fazer especulação. "Hoje, as empresas costumam tomar empréstimos para prazo mais longo. Quem quer fazer arbitragem (aproveitar-se da diferença de juros entre o Brasil e os países desenvolvidos para trazer dólares) toma para prazos mais curtos. Além de reduzir fluxo de capital de dólares, estamos procurando diminuir oferta de crédito para a economia brasileira", afirma o ministro.

Em outubro do ano passado, o Governo aumentou de 2% para 6% o IOF sobre a entrada de moeda estrangeira em aplicações em renda fixa. A medida foi insuficiente para conter o ingresso de dólares, que superou a saída em US$ 12,6 bilhões em março. Apenas no primeiro trimestre, a entrada líquida somou US$ 35,5 bilhões, o maior valor da história.

Na semana passada, o Governo anunciou duas medidas, o aumento em seis pontos percentuais do IOF sobre compras no exterior em cartão de crédito e a cobrança do imposto sobre empréstimos diretos e captações de recursos no mercado internacional. O Governo já havia anunciado a cobrança de IOF nessas operações, mas o prazo era de 360 dias. Agora foi ampliado para 720 dias.

Guido Mantega afirmou que as medidas anunciadas não são tomadas como "pílulas". As ações têm sido adotadas de acordo com a necessidade do mercado. "Temos um rol de medidas que podemos tomar e procuramos tomar medidas que não interfiram muito na economia. Claro que poderíamos tomar medidas mais drásticas, mas aí começa a ter efeito colateral", disse o ministro.

Mantega acrescentou que a medida que objetiva reduzir o ingresso de dólares no país visa a conter o consumo, mantendo o investimento. "Restringir muito o crédito no exterior pode afetar investimento, temos que ser cautelosos. Tomo a medida e vejo o resultado, não queremos comprometer investimento, de modo que a economia não tenha retração", completou.

Por esse motivo, as ações têm sido anunciadas por etapas. "Para você calibrar isso, não é fácil. Prefiro errar para menos no início do que para mais, e a gente vai corrigindo. Medida que dose o remédio, que não tem efeito colateral porque, senão, conserta uma coisa e estraga outra. É por isso que a gente vai fazendo, (medidas) não são pílulas", finalizou.