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Ainda falta mão de obra nos canteiros


Por FABÍOLA COSTA Repórter

04/11/2011 às 08h00

Apesar do desaquecimento da construção civil ante 2010 e dos saldos negativos de emprego no ano (-64) e nos últimos 12 meses (-189), Juiz de Fora ainda sofre com a escassez de trabalhadores nos canteiros de obra. Além dos anúncios com vagas ociosas que tomaram o quadro de avisos do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, outro indicador da falta de mão de obra é a elevação dos salários. Na disputa por um profissional versátil, os empresários pagam de R$ 1.500 a R$ 1.600, quase o dobro do vencimento médio da categoria: R$ 855. Os dados são da entidade de classe.

Encontrar um bom profissional disponível é como achar uma agulha no palheiro, avalia o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Hilton César de Oliveira. Dentre os cargos mais disputados, enumera os de pedreiro, carpinteiro, eletricista, armador e servente. O mercado está bem aquecido há, pelo menos, dois anos. De acordo com o diretor, mediante a reconhecida falta de mão de obra, os empresários seguram o máximo que podem os bons. Há, ainda, os profissionais que migram de projeto em busca de melhores salários. Quem acha que o vencimento é baixo, sai e vai para outra obra. É quase um leilão, considera.

O diretor administrativo do Sindicato dos Engenheiros – Regional Zona da Mata, Eduardo Barbosa Monteiro de Castro, avalia que, este ano, não houve volume de demissões que assegure disponibilidade de mão de obra com facilidade. Ainda há alguma dificuldade. O diretor avalia que não houve muita dispensa, apesar do desaquecimento do setor. Eduardo explica que o prazo para execução de um projeto costuma ser de dois anos, em média. Em muitas obras, avalia, não findou o prazo de maturação. O arrefecimento do setor, na sua opinião, deve-se principalmente às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) II, que não vingaram.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, o setor cresceu 7% no ano passado. Este ano, não deve passar de 4%. Atingimos a capacidade produtiva, não dá para aumentar constantemente. Ainda assim, a produção é praticamente máxima. Segundo Delgado, a falta de trabalhadores é menor do que a enfrentada em 2010, mas persiste. Ele alerta que o custo total da mão de obra está alto, onerando os projetos. O valor dos vencimentos se mantém porque, depois de atingir determinado patamar, fica difícil recuar. O cenário para 2012, avalia, depende da possível influência da crise financeira internacional na economia brasileira.

Impacto do ajuste fiscal

Conforme a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor da construção civil está sentindo os efeitos da queda no ritmo de liberação de recursos públicos para obras de infraestrutura imposta pelo ajuste fiscal do Governo. Este foi o resultado da Sondagem Indústria da Construção de setembro, divulgada segunda-feira passada. Segundo a pesquisa, o indicador de nível de atividade caiu em setembro na comparação com agosto, ficando em 48 pontos. No mês anterior, era de 50,1. Os indicadores variam de zero a cem e valores acima de 50 indicam aumento da atividade.

Ainda conforme a sondagem, a queda foi generalizada, atingindo pequenas, médias e grandes empresas dos três segmentos que compõem a pesquisa: construção de edifícios, obras de infraestrutura e serviços especializados.