Itamar Franco sem voos comerciais


Foram cerca de 120 mil passageiros em 2 anos
Dois meses antes de completar dois anos de operação, o Aeroporto Presidente Itamar Franco fica sem voos comerciais a partir desta terça-feira (04). Para a Zona da Mata, a transferência das atividades da Azul Linhas Aéreas, única a operar no local, para o Aeroporto Francisco Álvares de Assis, o Serrinha, representa mais do que "um processo de otimização da malha área", como definiu a companhia: suscita preocupação acerca do futuro do empreendimento, que consumiu mais de R$ 100 milhões e levou mais de uma década para sair do papel. Enquanto esteve em atividade, o Itamar Franco transportou cerca de 120 mil passageiros.
A Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop) ainda estuda a situação do aeroporto. "Estamos analisando e ainda não é possível definir os próximos passos", afirma a assessoria. O Governo mineiro trabalha com a perspectiva de que outras empresas atuem no Itamar Franco, "o que vem sendo conversado e negociado em sigilo", sem definições até o momento. A expectativa mais imediata é pela homologação do retorno da pista à dimensão original (2.530 metros), que permitiria o pouso noturno de aeronaves de maior porte, utilizadas pelas principais companhias aéreas nacionais, inclusive para o transporte de cargas. A formalização deste pedido junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) só foi possível com o término da segunda etapa dos trabalhos de remoção do morro localizado na cabeceira Sul da pista, em março, nove meses depois do cronograma inicialmente previsto. O obstáculo limitava a utilização da pista em 72% de sua totalidade, restringindo o uso a aeronaves de menor porte.
Para a Setop, a importância do Itamar Franco vai além dos voos comerciais de passageiros, destacando a vocação da pista para o transporte de cargas. Uma das propostas, aliás, é que o aeroporto se torne um hub logístico, em função de sua localização favorável, próxima aos grandes centros. "Estão sendo analisadas as possibilidades para se definir qual caminho será tomado. O elemento do transporte de passageiros não encerra a questão." Sobre as obras do novo acesso ao aeroporto, anunciadas em março pelo governador Antônio Anastasia (PSDB) em visita a Juiz de Fora, o posicionamento da Setop é que a empresa está em fase de "mobilização". O trecho de 13,8 quilômetros, ligando a BR-040, próximo à Barreira do Triunfo, na Zona Norte, ao entroncamento com a MG-353, na localidade de João Ferreira, em Coronel Pacheco, está orçado em R$ 51 milhões.
Nos bastidores, a expectativa é que as negociações com companhias aéreas nacionais, uma em especial – cujo nome é mantido sob sigilo -, avancem e resultem na retomada das operações o quanto antes. Enquanto isso, o aeroporto mantém as portas abertas, mas não opera comercialmente. Além do trâmite para a homologação do retorno da pista à dimensão original, segue a busca por alfandegamento (movimentação e armazenagem de mercadorias importadas ou despachadas para exportação) e internacionalização do terminal. Uma preocupação é com a situação dos concessionários (prestadores de serviço em atuação no terminal) e dos 180 funcionários diretos e indiretos em atividade hoje. A Multiterminais Alfandegados do Brasil, administradora do espaço, foi procurada, mas não se posicionou.
Serrinha quer abrir concorrência
A expectativa do gerente do Serrinha, Cipriano Magno, é que a média de ocupação dos novos voos supere a marca de 70%. A demanda de passageiros na cidade, segundo ele, chega a 3.200 embarques por mês. Durante os 20 dias em que o aeroporto não realizou voos – por conta do cancelamento das operações para Belo Horizonte e São Paulo e os preparativos para a transferência das operações pela Azul – a demanda reprimida chegou a 1.500 passageiros, considerando apenas os embarques. De acordo com Magno, está em negociação a abertura de concorrência no Serrinha, com a atração de companhia aérea que ofereça voos principalmente para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. As negociações estariam concentradas na Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra), que foi procurada, mas preferiu não comentar o assunto. Conforme o gerente, o índice de cancelamento de voos foi de 4% em 2012, todos por motivos meteorológicos, garantiu.
A Azul Linhas Aéreas, por meio de nota, confirmou a suspensão das atividades no Itamar Franco e a transferência dos voos para o Serrinha a partir desta terça. Com isso, os juiz-foranos, que perderam os voos diretos para São Paulo (Guarulhos) e Belo Horizonte (Pampulha), passam a contar com três opções diárias para o Aeroporto Internacional de Viracopos (Campinas). "Une-se a conveniência do aeroporto localizado em área central à enorme gama de conexões para mais de 50 destinos disponíveis em Viracopos", diz a empresa. Conforme a Azul, as operações na cidade serão realizadas com turboélices ATR 72-600, com capacidade para 70 assentos – no Itamar Franco eram utilizados diferentes tipos de aeronaves. Os clientes com reservas prévias de voos partindo e com destino ao Itamar Franco serão reacomodados ou reembolsados, de acordo com o interesse de cada um.
História
Em novembro de 1999, o então governador Itamar Franco iniciou estudos para a criação do Aeroporto Regional da Zona da Mata (ARZM). Em setembro do ano seguinte, decidiu pela sua construção, com a perspectiva de inauguração em 2002. Em agosto de 2011, quase dez anos depois, o aeroporto iniciou, de fato, as operações, tendo a Azul Linhas Aéreas como única empresa a oferecer voos regulares. No mês passado, a empresa decidiu transferir as atividades para o Aeroporto Francisco Álvares de Assis, o Serrinha. A operação foi autorizada pela Anac e começa a valer a partir desta terça.










