Frota de Juiz de Fora terá 54 novos táxis

Demanda por táxis cresceu 12,3% nos dias de semana
A frota de táxis de Juiz de Fora receberá um reforço de 54 novos veículos, sendo cinco deles adaptados, chegando a 545 carros. O anúncio foi feito ontem, pelo secretário de Transporte e Trânsito, Márcio Gomes Bastos, embasado pela segunda fase de estudo realizado pela Fundação de Ensino Pesquisa e Extensão (Fadepe). Desde 2010, a cidade recebeu 112 novas permissões. O prazo máximo para que os veículos estejam em circulação nas ruas é de 90 dias. Serão chamados por ordem de classificação os permissionários que participaram da última licitação, que tem validade até setembro de 2012.
O estudo, realizado entre agosto e setembro deste ano, apontou um crescimento de 14,1% no percurso médio mensal dos veículos, passando de 5.288 para 6.034 quilômetros na comparação com o último levantamento, de 2009. Outro fator que motivou o crescimento da frota foi o volume de viagens/mês dos veículos, que foi ampliada de 710 para 871, um aumento de 22,6%. Segundo o coordenador do estudo, José Alberto Castañon, a pesquisa operacional avaliou quesitos como quilometragem, tempo das viagens e turnos. Pesquisadores também foram aos pontos de táxi para aferir a quilometragem dos veículos.
Segundo Márcio Bastos, a Settra tentará "encurtar ao máximo" o início das atividades dos permissionários. "Mas há um procedimento que inclui a compra dos veículos, a padronização, a fiscalização do Inmetro e o licenciamento dos carros." Os novos veículos já poderão contar com a opção de adesivamento em vez da pintura, o que irá agilizar o processo, segundo Bastos. Ainda segundo o secretário, o crescimento econômico e populacional da cidade está entre os fatores que influenciaram o aumento da demanda por táxis em Juiz de Fora. Além disso, ele cita as operações da Lei Seca como um dos motivos que influenciaram o aumento. Conforme o estudo, a demanda por táxis cresceu 12,3% entre segunda e sexta-feira e 25,9% nos finais de semana. O levantamento foi realizado antes de a Polícia Militar ter ampliado a fiscalização nas "Operações Bafômetro", no início de novembro.
Somente os permissionários que participaram da licitação poderão assumir as "placas", não havendo possibilidade de transferência para terceiros, nem mesmo em caso de falecimento dos candidatos. Segundo a subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito, Roberta Ruhena Vieira, o que contou pontos na licitação foi a experiência dos condutores. "Não há como transferir para outra pessoa."
O presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes, avaliou como positivo o resultado. "Há dois anos havíamos pedido essa ampliação ao Ministério Público. Agora temos um estudo que comprova essa necessidade. Temos que nos preocupar em atender bem os passageiros e diminuir a espera nos pontos." Para o presidente do Sindicato dos Taxistas, Aparecido Fagundes, o resultado também ficou dentro das expectativas. Em 2008, a entidade havia impetrado mandado de segurança contra a abertura de cem novas placas na cidade. "Quando questionamos na época, era devido à falta de um estudo técnico que comprovasse essa necessidade, o que temos agora."
Passageiros esperam até 40 minutos em filas
Os novos veículos, contudo, não chegarão a tempo de suprir o aumento da demanda no período natalino. Ontem, às 17h30, 19 pessoas faziam fila no ponto próximo ao Fórum Benjamin Colucci, aguardando um carro. O tempo de espera chegou a 40 minutos, segundo passageiros.
A dona de casa Maria Helena Shafer, diz que os problemas com táxis são recorrentes em seu dia-a-dia. A maior dificuldade, no entanto, é em relação aos serviços de tele táxi. "Já cansei de solicitar e eles não mandarem o carro. Agora eu prefiro ir aos pontos para pegar o carro, mas a espera é sempre grande." A socióloga Elaine Oliveira Pires diz que também costuma esperar bastante. "Ficar meia hora na fila já uma coisa corriqueira. O problema é que os taxistas não retornam aos pontos, e muitas pessoas param esses carros antes do ponto, furando a fila."
Já a auxiliar administrativa Maria de Fátima Souza cogitou ir à pé até sua casa, no Borboleta. "Não podemos contar com nada. O ônibus, que era para passar de 30 em 30 minutos, costuma demorar até 50 minutos. Agora, com o táxi estamos esperando 40 minutos. Não temos outra opção."
A publicitária Leandra Lil sempre lança mão da bicicleta em seus deslocamentos. Ontem, porém, estava sem o veículo, e desistiu de pegar um táxi ao ver o tamanho da fila. "De ônibus demoro cerca de 40 minutos do trabalho até minha casa, e de táxi dá mais ou menos o mesmo tempo. De bicicleta, levo no máximo 10 minutos. Mas não é sempre que posso usá-la."









