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Greve reduz produção em até 15%


Por Tribuna

03/10/2012 às 07h00

Empresas locais sofrem com concorrência de produtos chineses

Empresas locais sofrem com concorrência de produtos chineses

A greve dos profissionais do setor têxtil em Juiz de Fora, que já dura 15 dias, agravou o período delicado vivido por fábricas e malharias da cidade. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Malharias (Sindimalhas), desde o início da paralisação, as empresas reduziram em até 15% a produção. "O prejuízo só não foi maior porque o grande volume de produtos estocados supriu a demanda, que também não foi grande durante o período", destaca o presidente da entidade, Francisco Campolina.

Juiz de Fora totaliza cerca de 80 fábricas de meias, 40 malharias e duas empresas de fiação e tecelagem que reúnem em torno de 2.500 empregados. Como no resto do país, as empresas locais sofrem com a queda das vendas frente à concorrência dos produtos importados, sobretudo os de origem chinesa.

"As vendas já quase não existem, e a invasão dos chineses no mercado nacional tem prejudicado muito. Se continuarmos a produzir e vender pouco, deixaremos de fabricar para revender importados, como acontece em São Paulo. Isto será uma perda para a economia da cidade ", diz Campolina. Segundo ele, a expectativa é de que o acordo com os trabalhadores aconteça ainda esta semana. "Queremos que a situação com os colaboradores se resolva logo para seguirmos adiante e tentarmos reverter esse quadro crítico."

Segundo informações da Central Única dos Trabalhadores (CUT), convocada para colaborar no movimento de greve, cerca de 300 funcionários participaram das assembleias de campanha salarial e quatro grandes fábricas da cidade tiveram os setores de produção paralisados.

A principal reivindicação da classe, de acordo com o diretor da CUT, Oleg Abramov, é o fato de o piso salarial estar atrelado ao valor do salário mínimo, sendo que as negociações acontecem muito depois do reajuste estabelecido pelo Governo. "O mínimo aumenta em janeiro, e a campanha salarial do setor acontece meses depois, o que faz com que os funcionários fiquem com valores defasados neste período."

 

Meias

Após negociação realizada ontem com representantes do Sindicato das Indústrias de Meias (Sindimeias), os profissionais do setor decidiram retornar ao trabalho hoje. A categoria conquistou aumento do piso salarial de R$ 622 para R$ 700, reajuste de 8% para colaboradores que ganham acima do piso, tíquete alimentação no valor mínimo de R$ 66 e, pelo menos, 30 dias de estabilidade para os grevistas. Além disso, ficou acordado o pagamento de parte dos dias parados, mediante reposição até janeiro, mantendo jornada de trabalho máxima de dez horas diárias, excluindo sábados, domingos e feriados.

"Foi uma conquista histórica para os trabalhadores. Esperamos que as negociações com o sindicato patronal das malharias também tenha bons resultados", afirma Abramov. A reunião com a direção do Sindicato das Indústrias de Malharia (Sindimalhas) acontece hoje, às 17h, na sede do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).