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Maior oferta de imóveis estabiliza alugueis


Por Pedro Brasil

02/10/2012 às 07h00

Com aumento no número de imóveis residenciais disponíveis nos últimos meses para locação na cidade, os preços de aluguel estão estabilizados e, em muitos casos, em queda. Apesar de os valores terem sofrido reajuste médio baseado no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que acumula alta de 8,04% nos últimos 12 meses, o que se vê na prática é que, diante da dificuldade de ocupar estes apartamentos, proprietários e imobiliárias partiram para a negociação para tentar atrair novos locatários e manter os antigos. O IGP-DI é o índice oficial para reajuste de alugueis no país.

Segundo o delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Ronaldo Thomaz, a situação é reflexo do maior número de unidades disponíveis no mercado. Imóveis adquiridos há dois anos estão sendo entregues agora pelas construtoras. Muitos deles foram comprados por investidores, que estão colocando-os para locação. Como tem muita oferta, o juiz-forano pode escolher mais.

Na Savi Imóveis, segundo o sócio-gerente, Luiz Procópio, os valores estão no mesmo patamar dos praticados no ano passado. De 2011 para 2012, os preços ficaram mais estabilizados. O que a gente percebe é que antes estava havendo um aumento elevado dos aluguéis e de forma muita rápida. E agora ocorreu uma estagnada, diz. Algumas imobiliárias chegam a reduzir os valores pedidos. Para fechar acordo, muitos proprietários estão reduzindo o aluguel, conta o sócio-administrador da Antônio Dias Imóveis, Rodrigo Dias. Segundo ele, a empresa conta com 30% mais unidades residenciais para locação este ano em relação ao mesmo período do ano passado.

O comerciante Ronaldo Mussel foi um dos que abriram mão do valor de aluguel desejado para fechar o negócio. Após sua cobertura de três quartos no Bairro Bairu, Zona Leste, ficar desocupada por seis meses, conseguiu alugá-la por um preço 20% menor. Fiz as contas e vi que estava perdendo dinheiro, pagando condomínio enquanto o imóvel estava fechado. Acabei aceitando a contraproposta feita pelo novo inquilino, revela.

O proprietário de um apartamento de dois quartos no São Mateus, que preferiu não se identificar, também passa por situação semelhante e já busca se adequar para alugar o imóvel, desocupado há seis meses. Está muito difícil achar interessados e também vender. Por ser no terceiro andar e ter escada, muitos alegam que a falta de elevador é um empecilho. Hoje estou aberto a negociar o preço, diz.

Inquilinos antigos

Para manter os atuais inquilinos, a imobiliária ATM reduziu os percentuais de reajuste. O aumento que estava programado para este ano não tem sido feito. Não estamos nem aplicando o índice estipulado em contrato, e sim um percentual bem menor, relata o corretor de imóveis Júlio Pereira.

Sem conseguir negociar o reajuste do apartamento em que morava há um ano e meio, o motorista Carlos Henrique Santos decidiu se mudar. O proprietário barrou qualquer forma de negociação. Assim, acabou perdendo o inquilino. Consegui um apartamento maior e mais em conta. O analista de sistemas Fabrício Barreto também segue à risca o direito à barganha em relação ao imóvel que ocupa há seis anos no Bairro São Mateus, região Sul. Nunca deixei de tentar um acordo que fique justo para ambas as partes. Quem não chora, não mama.

Para o delegado do Creci, Ronaldo Thomaz, a nova realidade requer uma negociação mais facilitada. Independente do aumento autorizado pelo Governo, é interessante ser maleável até mesmo para manter o inquilino. O que a gente alega é que é preferível manter o locatário que paga em dia a ter um aumento maior no valor do aluguel e, às vezes, ter que se sujeitar a incerteza de um novo cliente, pondera.