Desembaraço no porto-seco
A movimentação financeira do Porto Seco de Juiz de Fora cresceu 102% no primeiro semestre deste ano, em comparação a igual período de 2012, passando de US$ 181,1 milhões em mercadorias importadas para US$ 366,4 milhões. Este total representa 10% do desembaraço do estado, que fechou o semestre com US$ 3,6 bilhões – 16,3% a mais que no mesmo período do ano passado, quando somou US$ 3,1 bilhões. Considerado o peso líquido das mercadorias, o movimento deste ano aumentou 32,8% em relação a 2012, chegando a 28 mil toneladas, segundo dados divulgados pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil (RFB) em Minas Gerais. Nos seis primeiros meses deste ano, não houve registro de exportações, ao contrário do que aconteceu em 2012, quando US$ 111 mil foram negociados.
Segundo a Multiterminais, que administra o porto-seco, a utilização da capacidade da aduana caiu de 70% para 60%, em média, no comparativo entre os primeiros semestres de 2013 e 2012, assim como o número de contêineres recebidos neste ano – 1.300 -, que representa 26% da quantidade registrada em todo o ano passado. "O aumento do valor das importações foi motivado pela chegada de bens de capital e equipamentos utilizados para expansão das indústrias que estão sendo instaladas na cidade e na região", explica o gerente geral da Multiterminais em Juiz de Fora, Alexandre Rezende. Segundo ele, o movimento é liderado pelo setor de siderurgia, seguido pelos automobilístico e farmacêutico.
Entre os fatores favoráveis ao desempenho juiz-forano, Alexandre também destaca a localização da aduana. "O Porto Seco de Juiz de Fora está fixado em um ponto estratégico, que beneficia todo o estado, não desviando da rota para o Rio de Janeiro." A ausência de exportações, na visão dele, está ligada às características do porto-seco local, voltado para a importação. "Nada foi exportado pelo porto-seco, o que não significa que não houve saída de produtos por outros meios, embora a Multiterminais tenha trabalhado para atrair projetos para exportação", comenta Alexandre.
O presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Minas Gerais (Sdamg), Frederico Pace Drumond, destaca que o valor agregado dos bens de capital é maior, o que explica o aumento mais expressivo em valor importado. "Não se trata de matéria prima, mas de equipamentos a serem utilizados nas empresas. Os portos-secos são zonas secundárias que permitem o desembaraço aduaneiro próximos às empresas, e, no caso de Juiz de Fora, está na rota de inúmeras companhias que importam no Rio de Janeiro. O Porto Seco de Juiz de Fora se especializou na expansão de empresas. A Multiterminais, por possuir a também a concessão do porto do Rio de Janeiro, oferece aos seus clientes pacotes de soluções logísticas quanto à remoção e armazenamento de cargas, uma vantagem sobre os outros portos-secos do estado."
Drumond ainda ressalta que é preciso estimular a interiorização do despacho aduaneiro, por ser uma medida mais barata e que contribui para o crescimento da economia do estado, quebrando paradigmas para que outras empresas comecem a utilizar os portos. "No entorno destes locais, existe uma cadeia de empresas que fornecem serviços para o setor de importação e exportação. No âmbito do desembaraço em Minas Gerais, existem cerca de cem neste segmento, que empregam mais de 1.500 pessoas."











