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Rock’n’roll de várzea


Por JÚLIA PESSÔA

31/10/2013 às 07h00

Se muitas vezes, na música brasileira, é difícil estabelecer as fronteiras entre o rock, o pop e mesmo o híbrido pop-rock, o som dos paulistanos do Tomada não deixa margem para dúvidas: é rock’n’roll em estado puro, na essência do gênero, desde sua fundação. O Tomada surgiu como todas as bandas de rock: éramos amigos que adoravam tocar rock e bem alto! Daí começamos a criar nossos sons e um estilo próprio, o que foi ficando cada vez mais legal, e estamos na estrada até então, conta o baixista Pepe Bueno. Com 12 anos de trabalho 100% autoral e brasileiro e três discos na praça, Ricardo Alpendre (voz), Pepe Bueno (baixo), Paulo Navarro (bateria), Vagner Nascimento (guitarra) e Mateus Schanoski (teclados) lançam o DVD XII- Estradas, sons e estórias na terra do rock tupiniquim, em comemoração aos anos de estrada.

Dirigido por Marcelo Bueno e Eduardo Donato, o DVD reúne um documentário sobre a banda, que, segundo Pepe, mostra como a indústria musical foi mudando desde a fundação do Tomada, em 2000. Dá para perceber esta mudança: no início, tínhamos dificuldades em gravar áudio e vídeo, hoje é superfácil gravar um disco, dá até para fazer isso em casa, fazer vídeo no celular com boa qualidade. A indústria está em transição, em breve a mídia digital vai tomar conta de tudo, e estamos muito ligados nisso. Mas curtimos mesmo é estar no palco tocando rock!, garante o músico.

O material também traz cinco gravações ao vivo, entre as quais a do delicioso Boogie do café, com a típica pianeira do gênero e a letra bem-humorada que mistura cerveja e uma tarde de ócio criativo em um café. Já Billy, o esquisito remete ao estilo Elvis Presley, quebrado por uma virada indie, com a cadência marcada pela guitarra de Vagner e o baixo de Pepe. Catarina é um rock’n’roll clássico sobre uma daquelas musas que fazem até os marmanjos mais durões perderem a cabeça e também está entre os cinco videoclipes lançados no DVD. O DVD tem, ainda, um making of do último disco dos rapazes, Inevitável, lançado em 2011 e aclamado pela crítica especializada.

Para Pepe, a química de grupo da banda é o que define sua música e sua própria trajetória, ilustrada no DVD. Gostamos de criar juntos, cada um traz um esboço de casa e coloca sua personalidade no som, a junção vira o Tomada. Como sempre fizemos sons autorais, aprendemos a compor, descobrimos que somos melhor fazendo som próprio do que copiando os outros. Segundo ele, as composições próprias permitem um diálogo mais direto com o público. Queremos sempre o inédito, falar o que sentimos e o que pensamos para o público, com nossas letras, nossas músicas. Não somos da patota do cover.

Após a turnê de divulgação do DVD, o Tomada prepara a gravação de um disco de inéditas produzido por Pedro Arantes, filho de Guilherme Arantes, que deve ser lançado pelo selo Coaxo de Sapo. Sobre uma possível volta a Juiz de Fora, onde já tocaram duas vezes – inclusive com o Martiataka, segundo Pepe uma das bandas mais legais do rock nacional -, o baixista deixa no ar um quê de mistério e esperança. Esperamos poder voltar, quem sabe chegamos por aí com o DVD? Temos muitos amigos na cidade!